O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 2)

[continuação do post "O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 1)"]

(c) 2012 Alice Dreger, conforme publicado originalmente em TheAtlantic.com

Então por que será que, passada mais de uma década, em que as evidências continuam favorecendo um tipo de assistência baixo em intervenções durante gestações e partos de baixo risco, nós praticamente não avançamos na busca por partos mais científicos nos Estados Unidos?

Fiz essa pergunta a alguns acadêmicos que se debruçam sobre essa questão. Uma delas, Libby Bogdan-Lovis, do Centro de Ética e Humanas nas Ciências da Vida da Universidade Michigan State, por acaso também foi minha doula. (Dei sorte.) Libby comentou que uma grande parte do problema é a forma como o parto é concebido nos Estados Unidos – como “perigoso, arriscado, e que precisa ser controlado para garantir um bom desfecho”.

Libby acrescenta que limitações institucionais contribuem para o problema: “As seguradoras geralmente cobrem parto hospitalar, não domiciliar, elas estão mais inclinadas a remunerar médicos do que parteiras, bonificam médicos e enfermeiras obstétricas hospitalares quando fazem algo (e não quando deixam de fazer algo), e a abordagem do sistema de saúde com relação ao gerenciamento de risco apoia aqueles que demostraram fazer todo o possível em se tratando de intervenções”. Tudo isso apesar do fato que “tentativas de controlar o parto estão sujeitas a riscos iatrogênicos reais e comumente resultam em uma cascata de intervenções”, comenta Libby.

Raymond De Vries, um sociólogo do Centro de Bioética e Ciências Sociais em Medicina da Universidade de Michigan, comparou o parto nos EUA com o parto na Holanda, onde atua atualmente como professor visitante na Universidade de Maastricht. Ele percebe que, nos EUA, “os obstetras são os especialistas e os especialistas passaram a enxergar o parto como perigoso e assustador”. De Vries sugere que a organização dos cuidados maternos em seu país – “as escolhas limitadas que as mulheres americanas têm para dar à luz a seus bebês, o que não lhes é dito sobre o perigo de intervir no parto, e o mau uso da ciência para defender as novas tecnologias no parto” – na verdade constitui um problema ético, embora não o reconheçamos como tal. Especialistas em ética médica “preferem estudar os problemas [relativamente raros] da fertilização in vitro e do diagnóstico genético pré-implantação a olhar para as questões cotidianas referentes à organização do parto aqui nos EUA; eles preferem falar sobre a preservação das ‘escolhas’ das mulheres ao invés de explorar como essas escolhas são dobradas pela cultura”.

Quanta verdade. Especialistas em ética adoram falar sobre as escolhas das mulheres com relação ao parto como se as escolhas fossem informadas e autônomas, mas não sou capaz de contar quantas mulheres me disseram que “escolheram” analgesia durante o parto mesmo quando nunca foram informadas sobre os riscos da analgesia, nunca ouviram ninguém expressar confiança em sua habilidade de parir sem medicamentos, e  nunca foram oferecidas uma doula para orientá-las e apoiá-las no momento da dor. Que tipo de “escolha” é essa? Como me disse a Libby Bogdan-Lovis: “A típica gestante de hoje acha que a noção de um parto sem medicamentos [analgesia] equivale a sugerir que as mulheres deveriam ficar felizes em aceitar a tortura”.

De todas as escolhas que eu fiz, acho que a que mais chocou os meus contemporâneos foi a decisão de não fazer uma ultra. Acontece que apenas alguns anos antes de eu engravidar,  um importante estudo norte-americano - envolvendo mais de 15 mil gestações – publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que ultrassonografias de rotina não contribuíam para melhorar a saúde dos bebês. O trabalho foi conduzido por Bernard Ewigman, atual chefe do departamento de medicina de família do Sistema de Saúde Universitária de NorthShore e da Universidade de Chicago.

Recentemente liguei para o dr. Ewigman e lhe perguntei por que tantas gestações de baixo risco hoje incluem ultrassonografias de rotina. Ele acredita que, em parte, é emocional – as pessoas gostam de “ver” seus bebês – e em parte tem a ver com a crença infundada de que saber algo necessariamente resulta em desfechos melhores comparado a não saber. Mas ele concordou que ultrassonografias de rotina no pré-natal, para gestações de baixo risco (ou seja, em gestações em que não surgiram problemas), não aparentam ser fundamentadas pela ciência, se o desfecho desejado é reduzir doenças e morte em mães e crianças. Ultrassonografias de rotina não parecem ser perigosas, mas também não propiciam a saúde.

O dr. Ewigman me disse o seguinte: “A abordagem que você escolheu dar à sua gravidez foi racional e bem informada. Mas grande parte das decisões de cunho médico envolvendo a gestante ou o bebê não é bem informada nem baseada em pensamentos racionais”. E ainda acrescentou: “Todos estamos muito interessados em ter bebês saudáveis e é bastante fácil cometer o tipo de erro cognitivo que as pessoas cometem, e atribuir à tecnologia benefícios que não existem. Ao mesmo tempo, quando surgem problemas durante a gravidez, aquela mesma tecnologia pode salvar vidas. É fácil fazer o [problemático] salto [mental] de que a tecnologia sempre será necessária para um bom desfecho”.

Nós conversamos também sobre como algumas pessoas auferem uma falsa sensação de certeza com as ultras, achando que o bebê nascerá em perfeita saúde caso o médico não veja nada fora do comum ali. Expliquei que essa foi uma das razões pela qual abri mão das ultrassonografias; com base nas minhas próprias pesquisas sobre anomalias congênitas, eu sabia o quanto as ultras enganam. O dr. Ewigman observou que nossa cultura tem “um verdadeiro fascínio pela tecnologia, e também temos um forte desejo de negar a morte. E os aspectos tecnológicos da medicina se vendem muito bem nesse tipo de cultura”. Ao passo que uma abordagem aos cuidados médicos com poucas intervenções – não importa quão científica ela seja – não.

Em se tratando de escolhas no parto, eu não me oponho a levar em consideração os tipos de desfechos difíceis de mensurar que podem ser de grande valor para algumas gestantes. Eu entendo que há mulheres que não querem um chá de bebê como o meu, em que os presentes em sua maioria eram roupinhas amarelas e verdes, em vez de azuis e cor-de-rosa. Entendo que tem gente que quer aquelas imagens difusas do bebê dentro de seu útero. Eu entendo que algumas podem optar por um aborto caso a ultra revele uma grande anomalia.

E eu entendo que algumas mulheres querem uma experiência particular de parto – quero dizer, eu realmente entendo isso, agora que tive um parto que me fez sentir mais poderosa, mais humilde, mais focada e mais apaixonada pelo meu amado do que eu jamais imaginara.

Mas eu gostaria que as mulheres americanas ouvissem a verdade sobre o parto – a verdade sobre os seus corpos, suas habilidades, e os perigos por trás da tecnologia. Acima de tudo, gostaria que todas as grávidas escutassem o que Libby Bogdan-Lovis, minha doula, disse para mim: “Parir um bebê requer a mesma entrega de controle que o sexo – abandonar-se para a sensação avassaladora e fazê-lo num ambiente em que há proteção e apoio”. Quem dera que mais mulheres soubessem o quão sensual um parto científico pode ser.

(c)2012 Alice Dreger, as first published on TheAtlantic.com

(c) Valéria Ribeiro Fotografia

(c) Valéria Ribeiro Fotografia

6 Comentários

Arquivado em Uncategorized

O parto mais científico costuma ser o menos tecnológico (parte 1)

Por que tantas mulheres letradas e inteligentes estão escolhendo dar à luz de forma mais natural, defendendo o tal “parto humanizado”? É sensato (ou científico) abrir mão do hospital chique com hotelaria cinco estrelas e o médico “de confiança” para ser assistida por uma parteira (enfermeira obstétrica ou obstetriz), em casa ou num centro de parto normal, considerando todo o conforto que a tecnologia nos oferece? Afinal, se a medicina e a ciência evoluíram tanto, salvando hoje muito mais vidas do que no passado, por que não usufruir da tecnologia também no parto e nascimento?

Essas são perguntas que permeiam o imaginário das pessoas que deparam com as escolhas não convencionais de amigas ou parentes e também de quem está adentrando o universo do parto humanizado (por gravidez, planos de iniciar uma família ou por mera afinidade com o tema).

É para vocês que resolvi traduzir o maravilhoso artigo da  Alice Dreger, professora do Programa de Bioética e Humanas Médicas [em inglês, Medical Humanities, uma área interdisciplinar que envolve ciências humanas e artes, e como aplicar esses saberes na prática da medicina] da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern, publicado originalmente no The Atlantic, em março de 2012. Através de sua história pessoal e de sua bagagem teórica, ela consegue resumir com franqueza e lucidez as razões por trás de suas escolhas “não ortodoxas” (especialmente considerando o seu cargo de professora de um departamento de medicina!). Recomendo também uma visita a seu site (http://alicedreger.com/home.html), onde ela discute vários outros assuntos relacionados a bioética, gênero e evidências científicas aplicadas à pratica da medicina. Sem mais, o artigo:

O parto mais científico costuma ser o parto menos tecnológico
(c) 2012 Alice Dreger, conforme publicado originalmente em TheAtlantic.com

Quando peço para meus alunos de medicina descreverem como eles imaginam uma mulher que escolhe uma parteira ao invés de uma obstetra para acompanhar seu parto, em geral eles descrevem uma mulher que usa saias compridas de algodão, tem tranças no cabelo, come alimentos orgânicos veganos, pratica yoga e dirige uma kombi. O que não imaginam é a cientista onívora, de calça comprida, bem diante de seus olhos.

Aliás, eles ficam completamente perdidos quando explico que na verdade só existe uma razão pela qual eu e meu companheiro – médico (clínico) e professor universitário – optamos por deixar de lado nosso obstetra e passar a nos consultar com uma parteira: podíamos confiar na capacidade da parteira de ser científica, mas não na do nosso obstetra.

Muitos alunos de medicina, como a maioria dos pacientes americanos, confundem ciência e tecnologia. Acham que ser um médico científico significa fazer uso do máximo de tecnologia em cada paciente. E isso os torna perigosos. De fato, se você for olhar estudos científicos sobre parto, você verá estudo após estudo mostrando que muitas intervenções tecnológicas aumentam os riscos para mães e bebês em vez de diminuí-los.

E no entanto a maioria das parturientes parece desconhecer esse fato, mesmo que os seus obstetras estejam cientes. Paradoxalmente, essas mulheres parecem querer o mesmo que eu queria: um desfecho seguro para mãe e filho. Mas parece que ninguém diz a elas qual o melhor caminho para chegar até isso, segundo o que indicam os dados científicos. A amiga que ousa oferecer meia taça de vinho é tida quase como uma criminosa, uma ameaça ao bem estar do outro, enquanto o obstetra que oferece procedimentos desnecessários e arriscados é considerado um herói.

Quando engravidei em 2000, eu e o meu parceiro consultamos a literatura médica científica para descobrir como maximizar a segurança para mim e para nosso filho. Eis o que descobrimos com os estudos disponíveis: eu deveria caminhar bastante durante a gravidez, e também durante o trabalho de parto; caminhar diminuiria a duração e a dor do parto. Durante a gestação, eu deveria fazer check-ups frequentes para checar meu peso, minha urina, minha pressão arterial e o crescimento da minha barriga, mas deveria evitar exames de toque. Não deveria me preocupar em fazer um ultrassom se a minha gravidez continuasse de baixo risco, pois o exame teria pouquíssimas chances de melhorar a minha saúde ou a saúde do bebê, e poderia muito bem acarretar em outros exames e testes que aumentariam os riscos para nós, sem nos trazer benefícios.

De acordo com os melhores estudos disponíveis, em se tratando do momento do parto no fim da minha gravidez de baixo risco, eu não deveria fazer uma indução, nem uma episiotomia, nem receber monitoração contínua dos batimentos cardíacos fetais durante o trabalho de parto, e certamente não deveria fazer uma cesárea. Eu deveria parir numa posição de cócoras e eu deveria ter uma doula – uma profissional que dá apoio durante o parto. (Estudos mostram que as doulas são surpreendentemente eficazes em diminuir riscos; fazem isso tão bem que um obstetra chegou a dizer que se a doula fosse um medicamento, seria ilegal não prescrevê-la para todas as gestantes).

Em outras palavras, se os exames regulares e “low-tech” continuassem a indicar que minha gravidez transcorreria de forma desinteressante do ponto de vista médico, e se eu quisesse cientificamente maximizar a segurança, eu deveria parir basicamente como fizeram as minhas bisavós: com a atenção de duas mulheres experientes, que passariam a maior parte do tempo esperando, enquanto eu fizesse o trabalho. (Há uma razão para chamarem isso de trabalho de parto.) A única diferença realmente notável seria que a minha parteira usaria um monitor cardíaco fetal (ou doppler) de forma intermitente – de vez em quando – para garantir que o bebê estivesse bem.

(c) Valéria Ribeiro Fotografia

(c) Valéria Ribeiro Fotografia

Meu obstetra e sua equipe deixaram claro que eles ficariam um tanto desconfortáveis com esse tipo de parto “das antigas”. Então nós fomos embora e passamos a tratar com uma parteira que se comprometia a ser muito mais moderna. E o parto que eu tive foi basicamente como descrevi. Sim, foi doloroso, mas minha doula e a parteira haviam me preparado mentalmente para isso, me assegurando que esse tipo particular de dor não precisava resultar em medo ou prejuizo.

Acabou que tivemos uma única intervenção tecnológica: como havia mecônio no líquido (o que significa que meu bebê defecou no útero), a parteira me explicou que logo após o nascimento, os pediatras o pegariam imediatamente para aspirar suas vias aéreas (sua traqueia). O intuito era para prevenir a pneumonia. Foi feito isso. Três meses mais tarde, no café da manhã, meu marido me apresentou os resultados de um estudo controlado randomizado que acabara de sair: mostrava que bebês nessa situação que só tiveram suas bocas aspiradas (e não suas traqueias) apresentaram índices mais baixo de pneumonia comparado a bebês que receberam esse procedimento de aspiração nas traqueias.  Mais uma intervenção que no fim das contas não vale a pena.

Então por que será que, passada mais de uma década, em que as evidências continuam favorecendo um tipo de assistência baixo em intervenções durante gestações e partos de baixo risco, nós praticamente não avançamos na busca por partos mais científicos nos Estados Unidos?

(c)2012 Alice Dreger, as first published on TheAtlantic.com

[continua... Veja a Parte 2]

6 Comentários

Arquivado em Uncategorized

33 motivos para assistir ao documentário O Renascimento do Parto

Antes de começar este blog, antes mesmo de sonhar com ele, pensei em fazer um filme. Não sou cineasta e não entendo muito do assunto, mas sabia que a melhor forma de despertar o interesse das pessoas por um tema muito caro a mim seria através de imagens e da mídia audiovisual. Coloquei na cabeça que iria fazer um filme sobre parto e nascimento no Brasil e que ele seria bonito e teria depoimentos dos profissionais mais pica-grossas do universo da humanização do parto no nosso país (talvez até uma galera gringa), talvez algumas celebridades, uma trilha bonita e cenas emocionantes para fazer um contraponto aos partos horripilantes que vemos nas novelas e nos programas da GNT e do Discovery Channel; seria um documentário para expôr a anormalidade da realidade obstétrica no Brasil e, ao mesmo tempo, um filme para celebrar o parto como ele poderia ser – um evento familiar, transformador – se nós simplesmente criássemos as condições para tal.

Por sorte, não precisei desembolsar uma grana preta para esse projeto porque gente muito mais talentosa do que eu estava à frente de um projeto semelhante. Finalmente, depois de muito suor, esforço e torcida, esse filme chegou às telas de cinema Brasil afora. Em vez de escrever uma crítica ou uma defesa apaixonada do filme (não por falta de querer, mas por pura falta de tempo mesmo), resolvi fazer uma lista (como boa virginiana etc tals). Se você se encaixar em alguma categoria, entre lá no ingresso.com e garanta seu programa do fim de semana! [Confira os horários aqui]

Então, sem mais, 30 motivos para não deixar de ver o filme O Renascimento de Parto (de preferência, neste fim de semana, porque a bilheteria dos primeiros três dias faz crucial diferença na decisão dos donos de cinemas em manter ou retirar um filme de suas salas):

  1. Você (ou sua esposa, sua melhor amiga, sua irmã, sua prima, sua filha) está grávida e quer um parto normal.
  2. Você (ou sua esposa, sua melhor amiga, sua irmã, sua prima, sua filha) está grávida e optou pela cesárea.
  3. Você (ou sua esposa, sua melhor amiga, sua irmã, sua prima, sua filha) está grávida e não pensou ainda no tipo de parto.
  4. Para conhecer o Espaço Itaú da sua cidade (o do Rio, recém-reformado, ficou lindo!), pois é só lá que o filme está passando.
    ORDP espaço itaú
  5. Você não se animou com as estreias da semana, mas não fica sem um bom cineminha no fim de semana.
  6. Você está de TPM (ou emotiva por qualquer razão) e a fim de dar uma boa chorada (e por a culpa no filme depois, claro).
  7. Você tem uma sensação inexplicável, porém real, de que o seu próprio nascimento não foi muito bacana (e não tem medo de cutucar essa ferida).
  8. Para ver o Marcio Garcia (um gato – o galã adolescente de muitas balzacas brasileiras! No papel de pai carinhoso então, ficou irresistível!).
  9. Você estudou cinema, antropologia, sociologia, biologia, medicina, obstetrícia, enfermagem, filosofia, psicologia ou se interessa por esses campos de conhecimento. [bônus para quem se interessa por todos eles!]
  10. Para prestigiar o cinema nacional.
  11. Você adora um bom debate e esse (parto normal vs. cesárea) é tão espinhoso, visceral e universal que você não pode ficar de fora!
  12. É um documentário (oba!) e você gosta de aprender sobre assuntos sobre os quais nunca parou para se aprofundar.
  13. Você faz parte dessa indústria do nascimento e precisa se informar sobre esse tal de “parto humanizado”, que está ameaçando o seu ganha pão.
  14. Para alimentar seu desprezo por hippies, xiitas, radicais do parto e profissionais que baseiam suas práticas em evidências científicas.
  15. Você é fã do documentário americano The Business of Being Born e quer ver a versão brasileira.
  16. Você é profissional de saúde e se preocupa com a realidade obstétrica brasileira.
  17. Você é profissional de saúde e acha a realidade obstétrica brasileira perfeitamente normal, saudável e avançada.
  18. Você nem está grávida ainda, mas morre de medo de parir.
  19. Você (ou sua esposa, sua amiga, sua irmã, sua prima, sua filha) passou por uma cesárea e não se acha menos mãe por causa disso [veja item abaixo e leia este texto, por favor].
  20. Você (ou sua esposa, sua amiga, sua irmã, sua prima, sua filha) passou por uma cesárea indesejada e, por motivos que você mal sabe, não conseguiu superar a sensação de tristeza/ frustração/ perda que ela traz.
  21. Você acha parto uma coisa nojenta, violenta e não entende por que tem gente que quer tanto passar por isso.
  22. Você é feminista e luta por melhores condições de vida para as mulheres.
  23. Você se deu conta de que 90% do seu círculo de amizades teve o filho por cesárea – a grande maioria fora do trabalho de parto – e pensou “opa, o que está acontecendo aqui?”
  24. Você acha que “parteira” significa “mulher sem instrução formal que pega menino”, mas ouviu falar que na Europa os partos normais são conduzidas por parteiras e, portanto, acha que chegou a hora de rever os seus conceitos.
  25. Você adora filosofar e quer se inspirar (ou se irritar) com os questionamentos do polêmico Michel Odent, autor de livros como A cientificação do amor e o recém-lançado Childbirth and the future of homo sapiens (O parto e o futuro da nossa espécie).
  26. Você tem uma pinimba com esse termo “parto humanizado” e acha que todo parto de ser humano é humanizado. [dica: humanizado vem do verbo humanizar, "Tornar(-se) benevolente, agradável", e não do adjetivo humano, mas prometo que o filme explica melhor].
  27. Você é designer, adorou o site do filme, os cartazes e a identidade visual do filme e, portanto, quer prestigiar o trabalho como um todo.

    Este slideshow necessita de JavaScript.


  28. Você é um tarado (ou uma tarada, por que não?) e quer ver mulheres peladas em momento de êxtase.
  29. Você tem uma esposa, amiga, colega de trabalho, irmã, prima, vizinha que é ativista do parto normal e não aguenta mais ouvir sobre o assunto, então decidiu ver o filme para poder dar um cala a boca nessa mala.
  30. Você está grávida (ou grávido) e não aguenta mais ouvir histórias escabrosas sobre o parto normal e precisa se expor a algo mais positivo.
  31. Você se emocionou com o trailer e/ou com o promo do filme e agora precisa ver o filme completo! [se você ainda não viu o trailer ou o material promocional, não sabe o que está perdendo - e leva só uns minutinhos, veja abaixo]
  32. Você pretende ter filhos um dia.
  33. Você é fã d’”A mãe que quero ser” e está curiosa para saber quem será a minha obstetra, minha parteira e o pediatra do(s) meu(s) filho(s) :-P. [Dica: todos aparecem no filme e se você adivinhar quem são, ganha um livro autografado]

E aí, me conta: Qual o seu motivo?

25 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Vale a pena armazenar o sangue do cordão umbilical?

Se você está fazendo o pré-natal numa clínica particular (mesmo que seja pelo plano de saúde), se já visitou uma maternidade privada ou se é leitora (mesmo que eventual) de revistas como Caras e Contigo, é impossível que não tenha ouvido falar no armazenamento das células-tronco do sangue do cordão umbilical. A julgar pelas celebridades das revistas e pelos panfletos na sala de espera do seu obstetra, a decisão de coletar o sangue do cordão do seu bebê é uma decisão simples, que só depende de grana. Já que, como afirma a Cryopraxis, há “ausência de risco para o doador, uma vez que o método de coleta não é invasivo”, por que não investir no armazenamento desse sangue que, supostamente, viraria “lixo biológico”? Afinal, “há coisas na vida que não tem preço – segurança é uma delas” sugere a Crio Gênesis, enquanto a Cord Vida garante que essa escolha representa “Proteção para o seu bebê, hoje e no futuro”.

Hm… será? Será que coletar e armazenar o sangue do cordão umbilical vale a pena mesmo?

Profissionais coletam o sangue do cordão umbilical de um bebê segundos após seu nascimento.

Profissionais coletam o sangue do cordão umbilical de um bebê segundos após seu nascimento.

Decidi me informar melhor e gostaria de compartilhar com vocês os meus achados e levantar alguns pontos para reflexão.

1. Importantes órgãos de saúde não recomendam o armazenamento de células-tronco em bancos privados.
No Brasil, o Ministério da Saúde, o INCA e a Anvisa se posicionaram contra o armazenamento de sangue de cordão umbilical em bancos privados com base em estudos e estatísticas que apontam as numerosas limitações do uso real desse material. A Academia Americana da Pediatria e o Colégio Americano de Ginecologistas Obstetras também são reticentes à prática. Vou resumir as principais objeções levantadas por esses órgãos:

  • A probabilidade real de se usar as células-tronco do cordão é baixíssima: as estimativas indicam entre 0,005% e 0,05%. No Brasil, apenas 3 das 45.661 unidades de sangue de cordão armazenadas em bancos privados no período de 2003 a 2010 foram utilizadas. Ou seja, somente 0,007%.
  • As quantidades coletadas geralmente não são o suficiente para tratar muitas condições – especialmente em adultos. Para você ter uma ideia, segundo Mary Hanet, a gerente de um dos maiores bancos públicos dos EUA, 75% do sangue coletado para bancos públicos é descartado por não conter um número mínimo de células-tronco. Ou seja, há uma chance considerável de você pagar para armazenar um material completamente inviável.
  • Em muitas das doenças passíveis de serem tratadas com células-tronco na infância, não é indicado usar material autólogo (do próprio paciente), porque aquelas células também carregam os marcadores genéticos da doença. É o caso das leucemias, por exemplo, e de outras doenças genéticas.
  • Como os bancos privados não são regulados, há uma chance do armazenamento não estar sendo feito adequadamente.
  • Ainda há poucos estudos e relatos de caso na literatura médica para comprovar o real benefício de tratamentos com células-tronco de sangue de cordão umbilical autólogas.
2. O sangue do cordão pertence ao bebê – privá-lo desse sangue pode ter consequências adversas.
Dizem que o sangue do cordão, se não for coletado, vai para o lixo junto com a placenta. E isso pode até ser verdade em muitos casos, mas é importante saber que  não precisa acontecer no seu caso. Deixar passar alguns minutos antes de cortar o cordão – uma prática conhecida como clampeamento tardio de cordão umbilical – já faz parte de um protocolo humanizado (e baseado em evidências) de parto e nascimento – é, inclusive, uma recomendação da OMS. Consiste em esperar o cordão parar de pulsar, para que o sangue residual do cordão e da placenta retorne para o bebê. Afinal, aquele sangue ali pertence ao bebê, não é mesmo? Na natureza, num parto 100% fisiológico, ele voltaria ao bebê. Estudos mostram que bebês que receberam esse sangue na época do nascimento têm menos anemia do que bebês nascidos com os protocolos antigos de clampeamento (ou seja, cujo cordão foi cortado imediatamente). Eileen Hutton, que publicou uma revisão sistemática sobre o tema, diz o seguinte sobre o clampeamento precoce do cordão (ou seja, o método convencional praticado pela maioria dos médicos): “As implicações são imensas. Trata-se de privar os bebês de 30 a 40 por cento do próprio sangue no nascimento – e tudo isso porque aprendemos uma prática que é nociva”.
Esse vídeo maravilhoso ilustra a quantidade de sangue que o bebê deixa de receber quando o cordão é cortado imediatamente. Não é preciso entender inglês para captar a moral da história.

Um último ponto sobre as consequências imediatas para o bebê: o procedimento em si, como você pode ver na imagem que ilustra esse post, não me parece um jeito muito agradável de ser recepcionado a este mundo. Eu, se fosse um recém-nascido, preferiria estar entre os seios quentinhos da minha mãe.

3. O marketing das empresas de armazenamento é predatório e antiético.
Um excelente debate entre médicos publicado no jornal de acesso aberto PLOS Medicine levanta uma questão pertinente:  bancos de armazenamento privados exploram a vulnerabilidade emocional dos pais visando o próprio lucro? Visto que: A) muitos candidatos a clientes desconhecem a informação resumida no ponto 1 (sobre a baixíssima probabilidade de, primeiro, precisarem desse material e, segundo e talvez mais importante, conseguirem fazê-lo de forma eficaz) e, sobretudo, B) que a decisão lhes é colocada como uma questão de “seguro de saúde” para um filho que ainda não nasceu – e sobre o qual já se colocou muito desejo, amor, preocupação – então eu diria que C), sim, é uma atitude covarde e cruel das empresas tentar vender-lhes uma garantia nada garantida, uma ilusão, de que através desse “investimento” eles estejam adquirindo um salva-guarda contra seus piores pesadelos. Como se não bastasse essa ação predatória sobre os medos inevitáveis dos pais, essas empresas também bonificam os médicos que “indicam” o serviço. Fiquei sabendo, por uma fonte segura, que as empresas oferecem um “agrado” (em dinheiro, que fique claro) aos obstetras das pacientes que contratam o serviço e que esse “agrado” pode até ultrapassar o valor que o médico recebeu do plano de saúde pelo procedimento feito (parto ou cesárea). É a dupla falta de ética nesse caso, porque nem o obstetra vira uma fonte confiável de informação, já que ele está se beneficiando do procedimento (sem revelar isso aos clientes).
É lógico que, sabendo de tudo isso, um casal pode ainda chegar à conclusão de que dormiria melhor à noite pagando os tais R$2.000 + taxas anuais de R$500. Mas sempre é bom examinar os medos e as crenças irracionais antes de gastar a grana e ser vítima desse marketing desleal, até porque [veja abaixo]…
4. …há maneiras mais eficazes – e mais certeiras – de zelar pela saúde do seu filho.
Ao invés de cair na neurose promovida pelo marketing do medo, fixando-se num cenário hipotético nada provável (doença rara, tecnologias de ponta, cura milagrosa!), que talvez nem seja tratável com o material disponível (insuficiente, mal armazenado, comprometido),  que tal colocar suas energias em medidas efetivas para melhorar a saúde do seu filho? Quer reduzir as chances de que ele tenha um câncer raro, diabetes, doenças autoimunes? Foque suas energias (e recursos financeiros) na amamentação e, em seguida, na alimentação saudável, priorizando comidas caseiras, feitas com ingredientes naturais (e, se possível, livres de agrotóxicos, como os orgânicos). Estabeleça em sua família um estilo de vida ativo, com tempo na natureza, diversão, esporte, ar puro e endorfinas naturais. Promova um ambiente com um mínimo de químicas e toxinas  - o que não significa estéril, pelo contrário, mas evitando expor sua família a substâncias cancerígenas ou disruptores endócrinos. Quer fazer mais? Então contrate um pediatra que faça um trabalho cauteloso, focado na saúde a longo prazo e não só nos males imediatos, limitando assim medicações, hospitalizações e cirurgias. Trate seu bebê, e depois a sua criança, o seu adolescente, com carinho e respeito, zelando pelo seu bem estar emocional, pois uma mente sã é uma condição sine qua non para um corpo são. Essas atitudes pró-ativas, concretas, fundamentadas em evidências, terão um impacto muito maior  a longo prazo na saúde e no bem estar do seu filho.
5. Você aposta na ciência?
Muitos pais que consideram coletar e armazenar o sangue do cordão do filho têm fé nas novas tecnologias e, por isso, optam por contratar esse serviço mesmo sabendo que, no momento atual, as aplicações são restritas. Acreditam que, no futuro, com novas pesquisas e descobertas, os usos se tornarão mais abrangentes e, assim, a probabilidade de se utilizar o material tão caramente guardado aumentará. Agora, se você aposta na ciência e na tecnologia, não seria razoável apostar na possibilidade de se descobrirem outros meios de curar e/ou tratar doenças sem privar o bebê de 30% do sangue do seu corpo ao nascer e sem expô-lo, desnecessariamente, ao risco de anemia por conta do clampeamento precoce do cordão? Sei lá, não sou cientista, mas não acho que essa hipótese seja tão improvável assim.

Já disse tudo o que me propus a dizer. Peço desculpa pelo texto enorme e por não ter tocado no assunto do armazenamento em bancos públicos, mas acho que o impulso por trás dessa opção não é o medo e a vulnerabilidade que fazem um casal considerar o armazenamento em  banco privado. E a minha birra é com isso. Porque é impossível alguém tomar uma decisão consciente sem ter informação real sobre o que está prestes a contratar: informação sobre o serviço, as possíveis consequências, as motivações que o levam a considerá-lo e as alternativas. Espero que eu tenha contribuído para que você faça uma decisão mais consciente sobre a contratação (ou não) desse serviço.

11 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Será que estimulamos demais os nossos bebês?

Numa semana em que o transtorno do déficit de atenção (ou TDA) bombou nas redes sociais – certamente por causa da polêmica em torno do novo manual de diagnóstico de psiquiatria, o DSM-5 , e das excelentes reflexões que decorreram disso – e para marcar a Semana Mundial do Brincar (sim, isso existe!), gostaria de propor uma reflexão sobre a primeira infância. Especificamente, sobre aquele tempo em que não estamos nem trocando nem amamentando ou alimentando nem higienizando nem ninando o bebê. Estou me referindo ao tempo de brincar ou, simplesmente, de ESTAR com o bebê.

Para um adulto que pouco convive com crianças pequenas, basta pensar em passar tempo com um bebê que bate um medo, uma insegurança profunda. Ele não fala, não anda, mal consegue se locomover! O que vamos fazer juntos? O que ele está pensando? O que ele quer de mim? Será que vou/vamos morrer de tédio? Será que ele não ficaria melhor numa creche ou num curso ou na frente da televisão, para se sentir estimulado, para aprender, para desenvolver habilidades?

Não vou me atrever a sugerir que a exposição precoce a um ambiente com muitos estímulos seja a culpada pelo aumento da hiperatividade e do transtorno do déficit de atenção – até porque acho muito mais provável que o principal culpado por isso seja o excesso de diagnósticos duvidosos causados por pressão da indústria farmacêutica sobre médicos, aliado ao impulso de pais e professores de rotular e tratar de forma “eficiente” comportamentos indesejados (leia mais aqui e aqui). No entanto, acho no mínimo curioso que nos empenhamos tanto em deixar nossos bebês constantemente entretidos – e vale tudo para isso, desde brinquedos trambolhudos e barulhentos a iPads e galinhas pintadas na TV – e, no entanto, passados alguns anos, lamentamos a falta de interesse deles pela sobriedade da sala de aula e da inqueitude deles diante de uma simples peça de teatro.

Há alguns meses, me deparei com um texto num blog inglês que me deixou gritando “isso! isso! isso!” e me empolgou a ponto de eu pedir autorização para traduzi-lo. Finalmente consegui a permissão da autora, a psicóloga, educadora perinatal e fundadora da organização BabyCalm, Sarah Ockwell-Smith, para divulgar o texto em português aqui no blog.  O original se chama “Do we do too much with our babies” e pode ser lido em inglês aqui. Embora ela não toque no assunto “déficit de atenção” ou “hiperatividade”, acredito que alguns pontos de seu texto se apliquem a uma reflexão, ou um questionamento, mais amplo no qual o TDA se insere: será que estamos criando e olhando para nossas crianças da forma mais saudável e sensata possível?

Enfim, leiam o texto e deixem suas impressões!

Será que fazemos demais com nossos bebês?

por Sarah Ockwell-Smith

Tenho pensado bastante sobre isso ultimamente e, quanto mais eu penso, mais eu acredito de verdade que estamos muito equivocados na nossa compreensão sobre bebês e primeira infância na nossa sociedade.

Uma rápida ida ao Google em busca de “atividades para bebês” perto da minha residência me dá uma lista de várias aulas às quais eu poderia levar meu bebê (imaginário!). Entre elas:

Massagem para bebês, yoga para bebês, Baby Sensory, natação para bebês, musicalidade, dança disco para bebês, francês para bebês, linguagem de sinais, ballet, ginástica para bebês e aulas para bebês e papais. Isso tudo sem contar as atividades para crianças pequenas (entre 1 e 3 anos): rugby para bebês, teatro, futebol e trampolim para bebês.

Caramba, quanta opção! Não é de se espantar que tantos pais me perguntem “o que devo fazer para entretê-lo” ou comentem “ele deve ficar tão entediado só ficando em casa comigo”. Quanto mais aulas desse tipo aparecem, quanto mais as mães sentem que deveriam estar “fazendo” algo com seus bebês, mantendo-os entretidos, se empenhando para promover o desenvolvimento dos mesmos, mais elas aprendem que, sozinhas, elas não são o suficiente para o filho, e sua medida de valor próprio se torna dependente das aulas às quais levam o bebê e dos equipamentos que disponibilizam para ele. Outra preocupação que tenho com essas aulas é que, mais uma vez, elas costumam desvalorizar os pais enquanto especialistas do próprio filho. Mães aprendem que há maneiras específicas de tocar em seu bebê, jeitos específicos de se mexer com eles, formas específicas de falar e cantar com eles (e que tudo isso requer uma dose de preparo profissional). Às vezes, esse ensino pode deixá-las menos confiantes em si mesmas, e na sua maneira particular de fazer as coisas. Elas podem se perguntar se estão “fazendo certo”. Sei que quando eu fiz um curso de massagem para bebês com o meu primeiro filho, acabei fazendo menos massagens nele depois do curso porque não conseguia me lembrar dos toques específicos (e das músicas que os acompanhavam) e fiquei preocupada se estava “fazendo o certo,” de forma que meus toques espontâneos diminuíram.

FP ApptivityNão vou nem entrar no assunto “brinquedos e equipamentos ‘educativos’ feitos para ajudar o desenvolvimento do bebê” – entre eles, flash cards (cartões de memorização), sistemas de leitura para bebês e DVDs que ensinam línguas estrangeiras…

Minha pergunta é simples: por que achamos que precisamos de toda essa tralha? Quando paramos de acreditar que aquilo de que um bebê realmente precisa é tempo conosco? Quando passamos a desvalorizar a importância de integrar os bebês ao nosso dia a dia normal? Por que não acreditamos que somos o suficiente para nossos bebês? Por que não somos capazes de permitir que os bebês simplesmente sejam bebês?

O que é triste nesse caso é que pesquisas nos mostram claramente como os bebês aprendem e o que é importante nesse processo. Adoro essa frase da Maria Montessori: “Cuidar de uma criança deve ser norteado não pelo desejo de fazê-la aprender coisas, mas pelo empenho de sempre manter acesa dentro dela aquela chama cujo nome é inteligência”. Como, então, cultivar essa curiosidade natural? Permitindo que nossos bebês sejam os líderes e que ditem o ritmo de seu aprendizado? Ou sobrecarregando-os com diversos cursos e recursos que visam acelerar seu desenvolvimento?

Brincar

Brincamos com nossos bebês antes mesmo de eles nascerem, muitas vezes sem perceber que estamos brincando. Alisamos o barrigão, apertando delicadamente um pezinho estendido, e sentimos o bebê reagir. É espontâneo o desenrolar das brincadeiras após o nascimento – imitamos expressões faciais, nos escondemos e depois reaparecemos no campo de visão do bebê (“achou!”) fazemos cosquinha… tudo isso nós fazemos sem nos darmos conta. Brincar ensina tanta coisa a nossos bebês, sendo que a mais notável talvez seja esperar sua vez, o que vem a ser um dos componentes mais importantes da fala. Melanie Klein escreveu a fundo sobre a importância de brincar e da formação da fantasia e do simbolismo e é particularmente conhecida pela citação “Uma das muitas experiências interessantes e surpreendentes do iniciante em análise infantil é descobrir até em crianças muito jovens uma capacidade de percepção que costuma ser muito maior do que a do adulto”. O que acontece, então, quando sempre direcionamos a brincadeira do bebê? Através de brinquedos ou cursos específicos? O que acontece com a criatividade deles quando sempre estamos no comando?

Falar e Cantar

Pesquisas revelam que os bebês começam a adquirir linguagem antes mesmo de nascerem. Falar está no DNA dos bebês e o componente mais importante na aquisição de linguagem somos nós. Sem estarmos conscientes de tal, ensinamos nossos bebês a falar, ensinamos nossos bebês sobre musicalidade e ritmo, ensinamos a arte da conversação e de esperar a vez de falar. Ensinamos tudo isso não com a ajuda de cartões de memória ou cursinhos em DVD, mas com as interações diárias e ao falarmos com vozinha de bebê (Baby talk). Baby talk se refere ao jeito inconsciente de falarmos com os bebês: naturalmente afinamos a voz (usamos um tom mais agudo), exageramos as vogais e marcamos as consoantes, e também mudamos o vocabulário para ser mais apropriado à idade, encurtamos frases e simplificamos o conteúdo. O Baby talk também faz maior uso do contato olho no olho. Bebês têm uma inclinação natural a esse tipo de fala – por isso o nome Baby talk (fala de bebê). Nós todos possuímos essa incrível habilidade inata de ensinar linguagem aos bebês, então por que precisamos da ajuda e das ferramentas de terceiros?

Objetos cotidianos & ‘brinquedos’

treasure basketUm objeto cotidiano será tão fascinante para seu bebê quanto um brinquedo educativo caro. Winnicott escreveu sobre a experiência da espátula – em que bebês recebiam um abaixador de língua para brincar – na qual ele observou um período de hesitação antes de começar a brincadeira. Winnicott descobriu que essa hesitação era de extrema importância e daí concluiu ser essencial permitir aos bebês esse período de hesitação para que pudessem desenvolver a criatividade. O conceito da brincadeira heurística, introduzido por Elinor Goldschmeid no início dos anos 1980, se refere à exploração dos objetos (e, portanto, das propriedades da natureza) a partir do ‘mundo real’. Ela deixou um legado precioso ao lançar o conceito de cestas de tesouro – cestas que contêm objetos caseiros e objetos da natureza (veja esse ótimo texto explicando como montar uma cesta de tesouro [em inglês]). Elinor acreditava que os bebês “sugam, pegam, tocam e sentem objetos, [treinando] comportamentos que promovem seu aprendizado mais primário”.

Nós e o ambiente

bumboOs bebês podem aprender tanto simplesmente ficando no nosso colo: aprendem sobre movimento, se fortalecem, especialmente quando ficam barriga com barriga (tanto se fala de colocar o bebê de barriga para baixo, mas poucos pais sabem que colocar o bebê no sling barriga com barriga tem o mesmo efeito!) e talvez o mais importante de tudo é que aprendem sobre o ambiente à sua volta, tendo como base segura o contato humano. Pense no quão fascinante deve ser para um bebê dar uma volta na cidade? Ou passear no campo? São tantos sons, cheiros, imagens que você pode não apreciar, mas que são novidade para um bebê! Por isso é importante segurar o bebê (virado para você), porque quando esses estímulos se tornarem excessivos, eles podem se desligar. Quando ficam expostos diretamente a tudo (virados para frente no carregador ou longe de nós), eles podem se sentir sobrecarregados. O ponto essencial aqui é deixar que o bebê se desenvolva e aprenda no seu próprio ritmo. Como deve ser a vida de um bebê colocado num assento Bumbo na frente da televisão? Seu corpo forçado a ficar numa posição para a qual seus músculos e juntas não estão preparados, impossibilitado de sair da frente de uma TV emitindo sons altos e cores brilhantes? Como deve ser a vida de um bebê apoiado artificialmente na vertical em um aparelho de atividades cercado de plástico em cores berrantes, sons estridentes e luzes ofuscantes? Onde você preferiria aprender e em qual ambiente você se imagina estando mais naturalmente curioso e no qual você mais aprenderia: nas duas situações descritas acima ou no colo da sua mãe, contra seu peito, aquecido, apoiado numa posição fisiologicamente correta, sentindo o cheiro familiar dela, em um ambiente em que você fica livre para explorar, mas para o qual você pode retornar e “se desligar” quando se sente sobrecarregado?boba-3g-tweet

Quando vamos permitir que nossos bebês simplesmente existam em paz? Quando vamos perceber suas verdadeiras necessidades? Temo que só nos distanciaremos mais e mais das verdadeiras necessidades dos bebês em nosso tempo.

15 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Em defesa do quarto compartilhado

Onde seu bebê vai dormir?

Para a esmagadora maioria das pessoas que conheço, a resposta é automática: no quartinho dele, claro! Afinal, “o quarto do bebê” é um dos pilares da preparação para a chegada de um novo membro da família. Para muitas famílias, foi no quarto que investiram a maior parte da grana e das energias: pesquisas, revistas, peregrinações a lojas, talvez até um projeto com arquiteto bacana, marcenaria etc. No quarto, depositaram sonhos, esperanças, expectativas e magia. Encheram o armário de roupinhas cuidadosamente lavadas, sapatinhos de diversos modelos, presentes de familiares e de amigos, além de pacotes e mais pacotes de fraldas. Compraram ou folhearam revistas para escolher o tom certo do papel de parede ou da tinta, das cortinas e, claro, o kit berço mais lindo que o orçamento permitiu. Afinal, o berço é a peça central do quartinho – o ponto para onde os olhares se voltam, o móvel que dá o tom para o resto da decoração; é quase como se fosse o trono do pequeno príncipe ou da pequena princesa que está prestes a coroar a vida do casal.

Quarto de príncipe/ princesa

Quarto de príncipe/ princesa

Eu também sonho com um quartinho lindo, digno de revista, porém com toques modernos e coloridos que fazem parte do meu estilo. Gosto da estética escandinava – linhas retas, minimalistas, madeira clara ou laca colorida – mas também me pego sendo seduzida pela burguesinha romântica que vive dentro de mim, cuja preferência é por um quartinho provençal, rigorosamente executado por arquitetos, com direito até a cortinas em toile de jouy (de preferência, uma leitura moderna da estampa).

Quarto hipster/ escandinavo

Quarto hipster/ escandinavo

Mas essas fantasias não duram muito porque aí eu me vejo, invariavelmente, sempre, implacavelmente, pensando na criança. Será que esse bercinho escandinavo/ provençal é onde ele/ela vai dormir feliz e em segurança? Será que esses móveis lindos (altos, inacessíveis, restritivos) e esse esquema de cores sofisticado (monótono, padronizado) compõem o espaço mais adequado para uma pessoinha em desenvolvimento? E, talvez o mais relevante para fins desse post, será que colocar um bebê pequeno para dormir num quarto sozinho é a medida mais prática, sensata e conveniente para ele e para os pais?

O quarto do bebê é algo relativamente recente na história da humanidade. Antes de morarmos em casas relativamente grandes, em núcleos familiares comparativamente pequenos, as crianças dormiam com os pais quando pequenas e depois dividiam todas um cômodo da casa. Estudos indicam que bebês que dormem no mesmo cômodo que os pais – seja em cama compartilhada, num berço ou moisés acoplado ou num colchão no mesmo quarto – têm mais sucesso regulando sua respiração e temperatura, apresentam menos sinais de estresse e mamam mais. Dormir em proximidade aos pais também pode proteger da síndrome da morte súbita infantil

É importante frisar que há diferentes formas de dormir junto do bebê (ou, para usar o termo inglês, praticar o co-sleeping). A mais culturalmente aceita é colocar o bebê para dormir num berço no quarto dos pais. Outra forma bastante comum na Europa e nos EUA é acoplar um bercinho ou moisés à cama do casal (o móvel até ganhou o nome de “co-sleeper”). A terceira opção – para muitos considerada “radical” – é a “cama compartilhada”, em que o bebê dorme junto dos pais na cama de casal (em inglês usa-se o termo “family bed”). Cabe ao casal discutir as três opções e escolher a que melhor lhe convém – sabendo, claro, que isso pode mudar de um dia para o outro, dependendo das necessidades e demandas de cada membro da família. Em um próximo post, darei entrarei em detalhes sobre como praticar o co-sleeping com segurança e prazer, incluindo depoimentos de quem fez essa opção e dicas de produtos que podem facilitar essa escolha.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Seja qual for o método adotado, dormir em proximidade dos cuidadores (no mínimo no mesmo quarto) tem inúmeras vantagens:

  • facilita a amamentação (a proximidade poupa tempo e incentiva a produção da ocitocina, que ajuda na produção do leite);
  • fortalece o vínculo ( os pais se sentem mais próximos e mais ligados ao bebê, que por sua vez ganha mais atenção e carinho);
  • promove a rápida resposta às necessidades fisiológicas e emocionais da criança (que são muitas e não seguem uma rotina); 
  • tranquiliza os pais (que, por estarem perto, sabem que o bebê está bem).

Infelizmente, a primeira coisa que vem à mente quando se discute o quarto compartilhado são as supostas desvantagens – entre elas, a crença de que contribui para bebês mais dependentes, que dificultará a transição para a própria cama/o próprio quarto, e que prejudica a vida sexual do casal. Eu não vou dizer que isso não é verdade. Só vou sugerir algumas perguntas em contrapartida:

  1. Desde quando um bebê pequeno, que não anda e não fala nem se alimenta sozinho, é independente? Colocá-lo sozinho num ambiente estranho, sem calor humano, contribuirá para sua independência/autonomia – ou somente para sua solidão e aceitação da solidão?
  2. É possível criar um filho sem passar por momentos difíceis de transição? O nascimento já não é uma transição? Não faria sentido diminuir o número de eventos de transição no início da vida para que essa primeira fase no relacionamento pais e filhos seja mais suave e prazerosa? O que impede você de promover a transição para o próprio quarto quando a criança estiver, de fato, mais autônoma (andando, falando, curiosa para explorar o mundo)?
  3. Você acha mesmo que sua vida sexual será tão intensa quanto antes do bebê nascer – independente de onde ele for dormir? Você tem sofá/futon/chuveiro/ outros cômodos na casa? Sabia que, enquanto dorme, seu bebê não vai nem saber que você e o seu parceiro estão se divertindo um pouquinho?

Para finalizar, deixo vocês com as palavras proferidas pelo sábio pediatra espanhol Carlos González na entrevista à edição portuguesa da revista Pais e Filhos “Há muitas críticas ao co-sleeping. Que prejudica a autonomia da criança, que estraga o casamento… Se não prejudica o marido, não vai prejudicar o bebê. Há muitas mulheres que dormem com os seus maridos e isso não prejudica a sua independência, o seu crescimento, não acontece nada.”

[Ah, mais uma coisa, só para deixar claro: não tenho nada contra os lindos quartinhos de bebê das revistas. Só não sei se eles são os lugares mais apropriados para o bebê fazer essa transição ao mundo extrauterino. Afinal, acho que os sons e os cheiros de seus pais serão muito mais reconfortantes que o charmoso kit berço que lhes custou tanto ;-)]

37 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Como escolher uma cadeirinha para o carro/ bebê conforto?

A cadeirinha para carro Grupo 0 ou 0+ (para bebês até 10 ou 13 kg, respectivamente), conhecida popularmente como “bebê conforto”, é um item indispensável para a família que anda de carro. Transportar um bebê de colo sem esse acessório significa não só correr riscos desnecessários como também desafiar a lei. Mas isso tudo você já sabe (ou, se não sabe, veja o manual do Departamento Nacional de Trânsito sobre Segurança no Transporte de Crianças). O que é mais complicado, com tantas opções no mercado e opiniões divergentes, é escolher a  cadeirinha certa para transportar o seu bebezico. Sorte a sua, então, ter descoberto o blog de uma pesquisadora obsessiva que gosta de simplificar a vida das pessoas ;-).

Bom, primeiro vamos falar dos critérios obrigatórios:

  1. QUALIDADE: Ser bem projetada e fabricada por uma empresa de confiança, com materiais robustos, e ter demonstrado bom desempenho em testes de qualidade.
    Campeão de vendas, o Graco Snugride supera os requisitos de segurança dos EUA.

    Campeão de vendas, o Graco Snugride supera os requisitos de segurança dos EUA.

    Dicas: Procure marcas com tradição, de preferência europeias ou norte-americanas, já que nessas regiões as leis e os testes são mais rígidos e, portanto, a qualidade tende a ser melhor. Um teste feito pela Proteste em cadeirinhas do grupo 1 (a categoria para bebês acima de 9kg) encontrou falhas em vários modelos disponíveis no Brasil. Se você tiver condições de fazer seu enxoval no exterior, traga uma cadeirinha de lá: o custo/benefício é muito maior. Marcas europeias: Maxi Cosi (Bebé Confort é a “segunda linha” do mesmo grupo empresarial), Peg Perego (Burigotto é a “segunda linha”), Recaro. Marcas americanas: Graco, Chicco, Britax, UPPAbaby.

  2. CONDIÇÃO: Estar em boas condições de uso e não ter sofrido impacto anterior, o que pode ter danificado elementos estruturais da cadeira sem que você consiga perceber a olho nu.
    Dicas: Por mais tentador que seja, pense duas vezes antes de aceitar uma cadeirinha usada, pois ela pode estar com a estrutura comprometida. Nunca aceite uma cadeirinha cuja procedência você desconheça ou que tenha mais de 5 anos de uso.  A não ser que sua família não tenha condições de arcar com mais uma despesa e precise dessa doação, essa é uma economia que não vale a pena.
  3. ADEQUACÃO: Ser apropriada para o peso e o tamanho do bebê, que sempre deverá ser colocado de forma correta, como manda o manual. Caso contrário, a cadeirinha não estará protegendo a criança e poderá, inclusive, ser prejudicial.
    Repare como o cinto de 5 pontos do Britax Chaperone está bem ajustado no boneco (atente para os ombros).

    Repare como o cinto de 5 pontos do Britax Chaperone está bem ajustado no boneco (atente para os ombros).

    Dicas: Sugiro investir numa cadeirinha do grupo 0+ que suporta até 13kg, mas fique atento para a altura máxima também. É muito importante que a cabeça esteja bem sustentada a todo momento. Por isso, embora o peso seja o fator determinante para a categoria de cadeira, não esqueça de levar em conta a altura (especialmente se o seu bebê é comprido; ele pode atingir o limite de altura antes de chegar no peso máximo recomendado). Leia com atenção o manual antes de usar. E não esqueça de afivelar o cinto de 5-pontos (1 ponto em cada ombro, 1 de cada lado inferior e 1 central, entre as pernas) SEMPRE que for andar de carro com seu bebê.

  4. COMPATIBILIDADE: Caber no carro, no banco traseiro do veículo, seja na posição central (ideal se houver cinto de 3 pontos, mas pouco comum) ou lateral, atrás de um dos bancos dianteiros. Se as dimensões não forem compatíveis, a instalação não será bem feita.
    Dicas: Especialmente para quem tem um carro compacto, compensa tirar as medidas do banco traseiro (e da distância para o assento dianteiro) antes de sair às compras. Assim, você evita o estresse e o desgaste diário de ter que, na pior das hipóteses, devolver a cadeirinha e comprar outra ou, no mínimo, ter que andar apertada no banco da frente para permitir a instalação da cadeirinha no banco de trás.
  5. INSTALAÇÃO: Estar instalada corretamente no banco do carro, virada para trás, de forma que fique firme, sem chacoalhar mais de 2 ou 3 cm em cada direção.
    O sistema LATCH da Chicco Keyfit, considerado um dos modelos mais simples de instalar.

    O sistema LATCH da Chicco Keyfit, considerado um dos modelos mais simples de instalar.

    Dicas: Se você tiver um carro com Isofix  - ganchos acoplados à carroceria do veículo – (veja lista aqui), recomendo fortemente que compre uma cadeirinha compatível com esse sistema de fixação. Procure pelos nomes “Isofix” ou “LATCH”.  Esse dispositivo, além de garantir uma fixação muito mais forte – por ser afixado direto na carroceria, ao invés de usar o cinto – é muito mais seguro porque minimiza o erro na instalação. Infelizmente, não são vendidas cadeirinhas com Isofix no Brasil (leia mais aqui). Caso não seja uma opção para você, recomendo que procure vídeos na internet, leia o manual e instale a sua cadeirinha antes do bebê chegar. Treine bastante, ajustando bem o cinto, testando a fixação da cadeirinha, até você sentir segurança na sua habilidade de instalar a cadeirinha. Repito: é imprescindível que a cadeirinha esteja instalada corretamente.  Caso contrário, ela não vale de nada.

Agora para os opcionais:
  • Quer mais segurança e conforto para o bebê? Sugiro investir numa cadeirinha que tenha proteção lateral (SIP ou “side impact protection”).
  • Quer rapidez? Compre uma cadeirinha cuja base fique no carro (idealmente instalada com o Isofix) de tal forma que basta um clique para tirar a cadeirinha e levar o bebê para passear. Se tiverem mais de um carro, compre uma base extra.
  • Quer praticidade? Escolha uma marca que faça parte de um “travel system” (ex. Peg Perego ou Graco) ou compre um adaptador para poder acoplar a cadeirinha ao seu carrinho de bebê.
  • Quer poupar os seus braços? Compare o peso das cadeiras se a intenção é ficar muito tempo carregando o combo bebê conforto + bebê (mas saiba que isso geralmente implica em escolher uma cadeira com limite de peso mais baixo ou uma menos robusta e, portanto, menos segura).
  • Não quer abrir mão do visual? Opte por marcas europeias (como a Maxi Cosi/ Bebé Confort) ou pelo novíssimo e super aguardado lançamento da UPPAbaby, o Mesa infant car seat (compatível somente com os carrinhos da marca deles, por enquanto), que é liiiindo. [quem acompanha o blog ou me conhece pessoalmente sabe que eu tenho uma quedinha pela marca UPPAbaby ;-) ]

    Com proteção lateral e um visual "clean" o UPPAbaby Mesa nem foi lançado e já está bombando. Mas só é compatível com os carrinhos da marca.

    Com proteção lateral e um visual “clean”, o UPPAbaby Mesa nem foi lançado e já está bombando. Mas só é compatível com os carrinhos da marca.

Sei que já escrevi demais, mas queria deixá-los com algumas observações importantes sobre o uso das cadeirinhas infantis.

  • É importante lembrar que a função do bebê conforto é transportar o bebê com segurança. Por favor, não deixe seu bebê no bebê conforto por horas a fio – apesar do nome, não há nada de muito confortável nesse apetrecho (pelo menos não comparado aos braços de um outro ser humano)! Além de ser restritivo fisicamente e de contribuir para a síndrome da cabeça chata, a cadeirinha não é ergonomicamente ideal para sonecas nem oferece conforto e diversão para o bebê nos momentos em que ele está acordado.
  • Nunca coloque o bebê conforto solto numa superfície alta, tipo a bancada da cozinha ou uma mesa, quando o bebê estiver dentro. É preferível deixá-lo no chão ou acoplado no carrinho.
  • Por mais tentador que seja “fazer o upgrade” para uma cadeirinha em que o bebê fique voltado para a frente (Cadeirinhas do Grupo 1), a Academia Americana de Pediatria agora recomenda deixar o bebê viajar voltado para trás até os 2 anos de idade. Na Suécia e na Alemanha, é comum levar as crianças em cadeiras “rear-facing” até os 4 anos ou mais. O motivo é simples: estudos mostram que viajar assim é 5 vezes mais seguro! Se você lê inglês, visite o site Rear Facing para maiores informações.

Espero que este post tenha ajudado você a fazer uma boa escolha e um uso consciente da cadeirinha/ bebê conforto. Desejo a você e a seu bebê passeios seguros e prazerosos!

[Você poderá gostar também do post Como escolher um carrinho?]

14 Comentários

Arquivado em Uncategorized