Em defesa do quarto compartilhado

Onde seu bebê vai dormir?

Para a esmagadora maioria das pessoas que conheço, a resposta é automática: no quartinho dele, claro! Afinal, “o quarto do bebê” é um dos pilares da preparação para a chegada de um novo membro da família. Para muitas famílias, foi no quarto que investiram a maior parte da grana e das energias: pesquisas, revistas, peregrinações a lojas, talvez até um projeto com arquiteto bacana, marcenaria etc. No quarto, depositaram sonhos, esperanças, expectativas e magia. Encheram o armário de roupinhas cuidadosamente lavadas, sapatinhos de diversos modelos, presentes de familiares e de amigos, além de pacotes e mais pacotes de fraldas. Compraram ou folhearam revistas para escolher o tom certo do papel de parede ou da tinta, das cortinas e, claro, o kit berço mais lindo que o orçamento permitiu. Afinal, o berço é a peça central do quartinho – o ponto para onde os olhares se voltam, o móvel que dá o tom para o resto da decoração; é quase como se fosse o trono do pequeno príncipe ou da pequena princesa que está prestes a coroar a vida do casal.

Quarto de príncipe/ princesa

Quarto de príncipe/ princesa

Eu também sonho com um quartinho lindo, digno de revista, porém com toques modernos e coloridos que fazem parte do meu estilo. Gosto da estética escandinava – linhas retas, minimalistas, madeira clara ou laca colorida – mas também me pego sendo seduzida pela burguesinha romântica que vive dentro de mim, cuja preferência é por um quartinho provençal, rigorosamente executado por arquitetos, com direito até a cortinas em toile de jouy (de preferência, uma leitura moderna da estampa).

Quarto hipster/ escandinavo

Quarto hipster/ escandinavo

Mas essas fantasias não duram muito porque aí eu me vejo, invariavelmente, sempre, implacavelmente, pensando na criança. Será que esse bercinho escandinavo/ provençal é onde ele/ela vai dormir feliz e em segurança? Será que esses móveis lindos (altos, inacessíveis, restritivos) e esse esquema de cores sofisticado (monótono, padronizado) compõem o espaço mais adequado para uma pessoinha em desenvolvimento? E, talvez o mais relevante para fins desse post, será que colocar um bebê pequeno para dormir num quarto sozinho é a medida mais prática, sensata e conveniente para ele e para os pais?

O quarto do bebê é algo relativamente recente na história da humanidade. Antes de morarmos em casas relativamente grandes, em núcleos familiares comparativamente pequenos, as crianças dormiam com os pais quando pequenas e depois dividiam todas um cômodo da casa. Estudos indicam que bebês que dormem no mesmo cômodo que os pais – seja em cama compartilhada, num berço ou moisés acoplado ou num colchão no mesmo quarto – têm mais sucesso regulando sua respiração e temperatura, apresentam menos sinais de estresse e mamam mais. Dormir em proximidade aos pais também pode proteger da síndrome da morte súbita infantil

É importante frisar que há diferentes formas de dormir junto do bebê (ou, para usar o termo inglês, praticar o co-sleeping). A mais culturalmente aceita é colocar o bebê para dormir num berço no quarto dos pais. Outra forma bastante comum na Europa e nos EUA é acoplar um bercinho ou moisés à cama do casal (o móvel até ganhou o nome de “co-sleeper”). A terceira opção – para muitos considerada “radical” – é a “cama compartilhada”, em que o bebê dorme junto dos pais na cama de casal (em inglês usa-se o termo “family bed”). Cabe ao casal discutir as três opções e escolher a que melhor lhe convém – sabendo, claro, que isso pode mudar de um dia para o outro, dependendo das necessidades e demandas de cada membro da família. Em um próximo post, darei entrarei em detalhes sobre como praticar o co-sleeping com segurança e prazer, incluindo depoimentos de quem fez essa opção e dicas de produtos que podem facilitar essa escolha.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Seja qual for o método adotado, dormir em proximidade dos cuidadores (no mínimo no mesmo quarto) tem inúmeras vantagens:

  • facilita a amamentação (a proximidade poupa tempo e incentiva a produção da ocitocina, que ajuda na produção do leite);
  • fortalece o vínculo ( os pais se sentem mais próximos e mais ligados ao bebê, que por sua vez ganha mais atenção e carinho);
  • promove a rápida resposta às necessidades fisiológicas e emocionais da criança (que são muitas e não seguem uma rotina); 
  • tranquiliza os pais (que, por estarem perto, sabem que o bebê está bem).

Infelizmente, a primeira coisa que vem à mente quando se discute o quarto compartilhado são as supostas desvantagens – entre elas, a crença de que contribui para bebês mais dependentes, que dificultará a transição para a própria cama/o próprio quarto, e que prejudica a vida sexual do casal. Eu não vou dizer que isso não é verdade. Só vou sugerir algumas perguntas em contrapartida:

  1. Desde quando um bebê pequeno, que não anda e não fala nem se alimenta sozinho, é independente? Colocá-lo sozinho num ambiente estranho, sem calor humano, contribuirá para sua independência/autonomia – ou somente para sua solidão e aceitação da solidão?
  2. É possível criar um filho sem passar por momentos difíceis de transição? O nascimento já não é uma transição? Não faria sentido diminuir o número de eventos de transição no início da vida para que essa primeira fase no relacionamento pais e filhos seja mais suave e prazerosa? O que impede você de promover a transição para o próprio quarto quando a criança estiver, de fato, mais autônoma (andando, falando, curiosa para explorar o mundo)?
  3. Você acha mesmo que sua vida sexual será tão intensa quanto antes do bebê nascer – independente de onde ele for dormir? Você tem sofá/futon/chuveiro/ outros cômodos na casa? Sabia que, enquanto dorme, seu bebê não vai nem saber que você e o seu parceiro estão se divertindo um pouquinho?

Para finalizar, deixo vocês com as palavras proferidas pelo sábio pediatra espanhol Carlos González na entrevista à edição portuguesa da revista Pais e Filhos “Há muitas críticas ao co-sleeping. Que prejudica a autonomia da criança, que estraga o casamento… Se não prejudica o marido, não vai prejudicar o bebê. Há muitas mulheres que dormem com os seus maridos e isso não prejudica a sua independência, o seu crescimento, não acontece nada.”

[Ah, mais uma coisa, só para deixar claro: não tenho nada contra os lindos quartinhos de bebê das revistas. Só não sei se eles são os lugares mais apropriados para o bebê fazer essa transição ao mundo extrauterino. Afinal, acho que os sons e os cheiros de seus pais serão muito mais reconfortantes que o charmoso kit berço que lhes custou tanto ;-)]

17 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Como escolher uma cadeirinha para o carro/ bebê conforto?

A cadeirinha para carro Grupo 0 ou 0+ (para bebês até 10 ou 13 kg, respectivamente), conhecida popularmente como “bebê conforto”, é um item indispensável para a família que anda de carro. Transportar um bebê de colo sem esse acessório significa não só correr riscos desnecessários como também desafiar a lei. Mas isso tudo você já sabe (ou, se não sabe, veja o manual do Departamento Nacional de Trânsito sobre Segurança no Transporte de Crianças). O que é mais complicado, com tantas opções no mercado e opiniões divergentes, é escolher a  cadeirinha certa para transportar o seu bebezico. Sorte a sua, então, ter descoberto o blog de uma pesquisadora obsessiva que gosta de simplificar a vida das pessoas ;-).

Bom, primeiro vamos falar dos critérios obrigatórios:

  1. QUALIDADE: Ser bem projetada e fabricada por uma empresa de confiança, com materiais robustos, e ter demonstrado bom desempenho em testes de qualidade.
    Campeão de vendas, o Graco Snugride supera os requisitos de segurança dos EUA.

    Campeão de vendas, o Graco Snugride supera os requisitos de segurança dos EUA.

    Dicas: Procure marcas com tradição, de preferência europeias ou norte-americanas, já que nessas regiões as leis e os testes são mais rígidos e, portanto, a qualidade tende a ser melhor. Um teste feito pela Proteste em cadeirinhas do grupo 1 (a categoria para bebês acima de 9kg) encontrou falhas em vários modelos disponíveis no Brasil. Se você tiver condições de fazer seu enxoval no exterior, traga uma cadeirinha de lá: o custo/benefício é muito maior. Marcas europeias: Maxi Cosi (Bebé Confort é a “segunda linha” do mesmo grupo empresarial), Peg Perego (Burigotto é a “segunda linha”), Recaro. Marcas americanas: Graco, Chicco, Britax, UPPAbaby.

  2. CONDIÇÃO: Estar em boas condições de uso e não ter sofrido impacto anterior, o que pode ter danificado elementos estruturais da cadeira sem que você consiga perceber a olho nu.
    Dicas: Por mais tentador que seja, pense duas vezes antes de aceitar uma cadeirinha usada, pois ela pode estar com a estrutura comprometida. Nunca aceite uma cadeirinha cuja procedência você desconheça ou que tenha mais de 5 anos de uso.  A não ser que sua família não tenha condições de arcar com mais uma despesa e precise dessa doação, essa é uma economia que não vale a pena.
  3. ADEQUACÃO: Ser apropriada para o peso e o tamanho do bebê, que sempre deverá ser colocado de forma correta, como manda o manual. Caso contrário, a cadeirinha não estará protegendo a criança e poderá, inclusive, ser prejudicial.
    Repare como o cinto de 5 pontos do Britax Chaperone está bem ajustado no boneco (atente para os ombros).

    Repare como o cinto de 5 pontos do Britax Chaperone está bem ajustado no boneco (atente para os ombros).

    Dicas: Sugiro investir numa cadeirinha do grupo 0+ que suporta até 13kg, mas fique atento para a altura máxima também. É muito importante que a cabeça esteja bem sustentada a todo momento. Por isso, embora o peso seja o fator determinante para a categoria de cadeira, não esqueça de levar em conta a altura (especialmente se o seu bebê é comprido; ele pode atingir o limite de altura antes de chegar no peso máximo recomendado). Leia com atenção o manual antes de usar. E não esqueça de afivelar o cinto de 5-pontos (1 ponto em cada ombro, 1 de cada lado inferior e 1 central, entre as pernas) SEMPRE que for andar de carro com seu bebê.

  4. COMPATIBILIDADE: Caber no carro, no banco traseiro do veículo, seja na posição central (ideal se houver cinto de 3 pontos, mas pouco comum) ou lateral, atrás de um dos bancos dianteiros. Se as dimensões não forem compatíveis, a instalação não será bem feita.
    Dicas: Especialmente para quem tem um carro compacto, compensa tirar as medidas do banco traseiro (e da distância para o assento dianteiro) antes de sair às compras. Assim, você evita o estresse e o desgaste diário de ter que, na pior das hipóteses, devolver a cadeirinha e comprar outra ou, no mínimo, ter que andar apertada no banco da frente para permitir a instalação da cadeirinha no banco de trás.
  5. INSTALAÇÃO: Estar instalada corretamente no banco do carro, virada para trás, de forma que fique firme, sem chacoalhar mais de 2 ou 3 cm em cada direção.
    O sistema LATCH da Chicco Keyfit, considerado um dos modelos mais simples de instalar.

    O sistema LATCH da Chicco Keyfit, considerado um dos modelos mais simples de instalar.

    Dicas: Se você tiver um carro com Isofix  - ganchos acoplados à carroceria do veículo – (veja lista aqui), recomendo fortemente que compre uma cadeirinha compatível com esse sistema de fixação. Procure pelos nomes “Isofix” ou “LATCH”.  Esse dispositivo, além de garantir uma fixação muito mais forte – por ser afixado direto na carroceria, ao invés de usar o cinto – é muito mais seguro porque minimiza o erro na instalação. Infelizmente, não são vendidas cadeirinhas com Isofix no Brasil (leia mais aqui). Caso não seja uma opção para você, recomendo que procure vídeos na internet, leia o manual e instale a sua cadeirinha antes do bebê chegar. Treine bastante, ajustando bem o cinto, testando a fixação da cadeirinha, até você sentir segurança na sua habilidade de instalar a cadeirinha. Repito: é imprescindível que a cadeirinha esteja instalada corretamente.  Caso contrário, ela não vale de nada.

Agora para os opcionais:
  • Quer mais segurança e conforto para o bebê? Sugiro investir numa cadeirinha que tenha proteção lateral (SIP ou “side impact protection”).
  • Quer rapidez? Compre uma cadeirinha cuja base fique no carro (idealmente instalada com o Isofix) de tal forma que basta um clique para tirar a cadeirinha e levar o bebê para passear. Se tiverem mais de um carro, compre uma base extra.
  • Quer praticidade? Escolha uma marca que faça parte de um “travel system” (ex. Peg Perego ou Graco) ou compre um adaptador para poder acoplar a cadeirinha ao seu carrinho de bebê.
  • Quer poupar os seus braços? Compare o peso das cadeiras se a intenção é ficar muito tempo carregando o combo bebê conforto + bebê (mas saiba que isso geralmente implica em escolher uma cadeira com limite de peso mais baixo ou uma menos robusta e, portanto, menos segura).
  • Não quer abrir mão do visual? Opte por marcas europeias (como a Maxi Cosi/ Bebé Confort) ou pelo novíssimo e super aguardado lançamento da UPPAbaby, o Mesa infant car seat (compatível somente com os carrinhos da marca deles, por enquanto), que é liiiindo. [quem acompanha o blog ou me conhece pessoalmente sabe que eu tenho uma quedinha pela marca UPPAbaby ;-) ]

    Com proteção lateral e um visual "clean" o UPPAbaby Mesa nem foi lançado e já está bombando. Mas só é compatível com os carrinhos da marca.

    Com proteção lateral e um visual “clean”, o UPPAbaby Mesa nem foi lançado e já está bombando. Mas só é compatível com os carrinhos da marca.

Sei que já escrevi demais, mas queria deixá-los com algumas observações importantes sobre o uso das cadeirinhas infantis.

  • É importante lembrar que a função do bebê conforto é transportar o bebê com segurança. Por favor, não deixe seu bebê no bebê conforto por horas a fio – apesar do nome, não há nada de muito confortável nesse apetrecho (pelo menos não comparado aos braços de um outro ser humano)! Além de ser restritivo fisicamente e de contribuir para a síndrome da cabeça chata, a cadeirinha não é ergonomicamente ideal para sonecas nem oferece conforto e diversão para o bebê nos momentos em que ele está acordado.
  • Nunca coloque o bebê conforto solto numa superfície alta, tipo a bancada da cozinha ou uma mesa, quando o bebê estiver dentro. É preferível deixá-lo no chão ou acoplado no carrinho.
  • Por mais tentador que seja “fazer o upgrade” para uma cadeirinha em que o bebê fique voltado para a frente (Cadeirinhas do Grupo 1), a Academia Americana de Pediatria agora recomenda deixar o bebê viajar voltado para trás até os 2 anos de idade. Na Suécia e na Alemanha, é comum levar as crianças em cadeiras “rear-facing” até os 4 anos ou mais. O motivo é simples: estudos mostram que viajar assim é 5 vezes mais seguro! Se você lê inglês, visite o site Rear Facing para maiores informações.

Espero que este post tenha ajudado você a fazer uma boa escolha e um uso consciente da cadeirinha/ bebê conforto. Desejo a você e a seu bebê passeios seguros e prazerosos!

[Você poderá gostar também do post Como escolher um carrinho?]

6 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Um bebê saudável não é o bastante

Essa semana li um texto publicado no site da organização Improving Birth, cuja missão é promover o cuidado baseado em evidências e a humanização do parto e nascimento, que caiu como uma luva. Há três meses – época que coincide com o meu breve abandono do blog -, venho sofrendo com uma questão que se tornou dolorosamente pessoal para mim: por que tantas mulheres, tantas amigas, aceitam indicações esdrúxulas de cesárea, agendam cirurgias desnecessárias, abandonam o sonho de parir, desistem de lutar contra o sistema e se tornam mais uma contribuinte à vergonhosa estatística de parto do nosso país?

Sei que as respostas são tão variáveis quanto as pessoas que se depararam com essa escolha. Cada mulher tem a sua história, seus medos e suas motivações. Mas, como antropóloga, acredito que a cultura pró-cesárea pesa muito forte nessa hora. Afinal, se todas estão fazendo, não pode ser tão ruim (algumas até dizem que “parto normal é anormal, normal é a cesárea”). Optar pela cesárea, no nosso Brasil atual, representa um alívio. Significa não precisar mais nadar contra a maré, peitar Deus e o mundo, ser chamada de louca ou taxada de masoquista (se bem que as masoquistas estão na moda, né? :-P). Nessa nossa cultura de valores invertidos (onde o que importa é o produto e as aparências, não as pessoas e seus desejos) e machistas (em que a vagina ou é “assassina” ou é “o parquinho do marido”), submeter-se à cesárea é “pensar no bebê” e “insistir” no parto normal é egoísta.

Pois eu não concordo. Não mesmo. Primeiro porque, apesar das crendices e dos mitos de cordões assassinos e vaginas deformadoras de crânio, a ciência  diz categoricamente que a via vaginal é a melhor via de nascimento para um bebê salvo em raríssimos casos. E segundo porque eu não acredito que o parto se resume ao nascimento de um bebê – ou melhor, à extração desse produto bebê do corpo (traiçoeiro, descontrolável, perigoso) de sua mãe. O parto é da mulher, do bebê e da família e merece ser vivido de forma plena, crua e totalmente personalizada (e não por isso menos segura e prazerosa), por essa família. Quando o parto se torna “um mal necessário” para conseguir “um bebê saudável” – como ocorre na nossa cultura – todos saem perdendo.

E é por isso que quero compartilhar esse texto maravilhoso com vocês. Escrito pela Cristen Pascucci, vice-presidente da organização Improving Birth e especialista em política e comunicação, o original pode ser encontrado no seguinte link e a tradução segue abaixo. Espero que gostem do texto tanto quanto eu.

(c) Courtney Ellis Photography 2013

Um bebê saudável não é a única coisa que importa
por Cristen Pascucci

Ouvimos toda hora que “um bebê saudável é a única coisa que importa”. Isso simplesmente não é verdade – especialmente quando, com mais frequência do que deveria, o que queremos dizer é que, tanto para mães quanto para seus bebês, basta “sobreviver ao parto”. Isso não chega nem perto de ser bom o bastante.

A verdade é que hoje, aqui e agora, o padrão não só pode como deve ser mais alto: um bebê saudável, uma mãe saudável e uma experiência positiva e respeitosa para todos, centrada na família.

Por que isso é tão importante? Porque o que nós esquecemos quando o foco é meramente em “sobreviver” ao parto é que, para mães, dar à luz não representa só um dia entre muitos dias de suas vidas. Para a grande maioria de nós, o parto não se resume à extração de um feto de nossos úteros da maneira mais eficiente possível.

O parto é uma experiência marcante, que fica gravada na memória para sempre. Pergunte à maioria das mães como foi o seu parto e você vai ver e ouvir a emoção vir à tona enquanto compartilham suas histórias – histórias estas que, boas ou ruins, nós revivemos intensamente e com frequência, queiramos ou não. E não esqueçamos que nossas experiências podem ter consequências importantes, duradouras e permanentes para a nossa saúde. O parto afeta o puerpério (quem nunca ouviu falar nos baby blues, aquela melancolia pós-parto?), os relacionamentos com nossos bebês e nossas famílias, e nossas atitudes perante nós mesmas e os partos que teremos no futuro.

Para os bebês, trata-se de sua primeira impressão do mundo e daqueles que serão seus principais cuidadores. Estamos comunicando aos nossos bebês desde o primeiro dia o que é o mundo, se é ameaçador ou seguro, e como nos relacionamos com esse mundo. Essa relação não poderia ser muito melhor se adentrássemos a maternidade fortalecidas pelo parto, confiantes e apoiadas?

É claro que no mundo real o parto não segue o padrão de um livro texto; complicações, mudanças de planos e desfechos indesejados acontecem. Mas mesmo nesses casos, uma mulher ainda pode ser respeitada e apoiada. Talvez não sejamos capazes de controlar a natureza, mas podemos sim controlar como tratamos as mulheres durante o trabalho de parto e nascimento. Até quando acontece o pior (especialmente quando acontece o pior!), não há nenhuma desculpa para um tratamento que não demonstre o máximo de  respeito, deferência e compaixão pela parturiente enquanto ela faz suas escolhas.

Porque o que é mais curioso sobre a frase de “bebê saudável” é que, com tanta frequência, ela é empregada para justificar uma experiência decepcionante, difícil ou traumática. É dita por nossos médicos, nossos amigos e nossos parentes enquanto ainda não nos recuperamos do choque do que acabou de acontecer: enquanto tentamos entender uma experiência que fugiu, inesperadamente, ao nosso controle. E sim, também dizemos a frase para nós mesmas.

Então qual é a peça chave para um novo padrão? Somos nós! São as mulheres cujo dinheiro alimenta a indústria que nos provê desses serviços e cuidados. Embora muitas não tenham se tocado disso, somos nós que estamos com a faca e o queijo na mão. Imagine o que aconteceria se nós, milhões de mães e pais e seus amigos, de fato tomássemos para nós esse poder e fizéssemos uso dele.

Podemos começar pela educação, nos informando sobre o que seria um cuidado digno – respeitoso, baseado em evidências – e daí passando a buscar esse cuidado com consciência crítica quando conversamos com potenciais médicos. Podemos ficar atentos aos sinais de alerta – coisas como ouvir do médico que “não será permitido” ou que você “não pode” fazer tal coisa – e parar de ignorar nossos instintos! Na minha opinião, escutar uma frase como “um bebê saudável é a única coisa que importa” se encaixa nessa categoria. Essa frase me diz, “o que quer que aconteça na sala de parto/centro cirúrgico, você não terá o direito de reclamar. Se nós lhe entregarmos um bebê vivo, fizemos o nosso trabalho.”

Por fim, e talvez o que é mais importante, podemos exercer o nosso poder abandonando aqueles médicos que não nos oferecem bebês saudáveis, mães saudáveis e uma experiência positiva, respeitosa e centrada na família.

Para mães e bebês, sobreviver ao parto não é o bastante. É só o ponto de partida.

11 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Por que vale tanto a pena ter uma doula?

Há um ano, a palavra doula era praticamente desconhecida. Hoje, graças à mídia tradicional, às redes sociais e ao famoso (e muito eficaz) “trabalho de formiguinha”, mais gente já ouviu falar nas doulas e em seu trabalho. E agora, no dia 31 de janeiro, o Ministério do Trabalho reconheceu o trabalho da doula ao incluí-lo oficialmente na Classificação Brasileira de Ocupações. Viva!

Mas para quem (ainda) não sabe, a doula é uma profissional capacitada a acompanhar a mulher durante a gestação, parto e puerpério, oferecendo apoio emocional e físico, bem como informações embasadas cujo intuito é capacitar a mulher a fazer suas próprias escolhas. Estudos comprovam os benefícios de estar acompanhada por uma doula durante o trabalho de parto e o parto propriamente dito. O folder abaixo faz um belo resumo dessas vantagens (para maiores informações, confira o site do Núcleo Carioca de Doulas).

Folder Núcleo Carioca de Doulas

É preciso deixar bem claro que a doula não é uma profissional de saúde (médico, parteira, enfermeira), muito menos substitui o pai ou acompanhante familiar na hora do parto. Se eu tivesse que descrever a doula em poucas palavras, eu diria que é uma pessoa que saca muito de gravidez, parto, amamentação, cuidados com o bebê e que só quer o seu bem. É ela que, por não ter nenhum outro interesse em jogo, vai ajudá-la a descobrir o que você espera e deseja do processo e que vai ficar do seu lado, zelando pelos seus interesses e pelo seu conforto.

  • Antes do parto, a doula escuta você e fornece informações baseadas em evidências.
  • Na hora P, ela oferece massagens, suporte emocional, carinho e fica sempre do seu lado.
  • No delicado período pós-parto, ela estará com você para facilitar a amamentação, tirar suas dúvidas, dar um carinho e, eventualmente, ajudar nas pequenas tarefas da casa.

(As possíveis atribuições de uma doula são muitas e cabe a você conversar com a sua para saber como ela pode atendê-la da melhor forma possível.)

Ao contrário do que você poderá ouvir de médicos, da mídia ou de leigos, a doula não é um modismo nem algo que surgiu na modernidade. Sem querer polemizar, mas eu diria que a verdadeira profissão mais antiga do mundo é a da doula – com a pequena diferença de que, antigamente, elas não eram pagas por isso! As doulas eram amigas, irmãs, mães, que vinham dar carinho e suporte para a mulher durante o momento intenso e transformador do parto. Confira abaixo o eclético slideshow que montei para provar o quão antigo e belo é esse valioso trabalho.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A meu ver, a doula é, acima de tudo, uma boa e experiente amiga; alguém que entende você, que tem profundo conhecimento e compaixão pelo momento transformador pelo qual você está passando, e que saberá conduzi-la à sua própria verdade e a uma força que nem você sabia que tinha. Ela é uma cheerleader (torcendo por você), uma figura maternal (para quem você pode mostrar seus medos, suas fraquezas) e um porto seguro (que ficará do seu lado quando/se as coisas ficarem punk).

Para quem busca viver o período da gestação e parto de forma natural, humanizada e consciente – ou seja, em seus próprios termos, sem sucumbir a interesses alheios – a doula poderá ser uma peça valiosíssima. E, de quebra, é capaz de você ganhar uma amiga para toda a vida.

E se lhe perguntaram “pra quê ter uma doula?”, você pode responder: “Sei lá, pra quê ter uma amiga?”

6 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Uma introdução às fraldas de pano modernas (Parte 2)

Na era dos descartáveis, uma das primeiras objeções ao uso das fraldas de pano é a questão da lavagem. Será que não é nojento lavar as fraldas sujas de cocô? Cuidar das fraldas dá muito trabalho? Como fica a questão do cheiro?

Este segundo post da série sobre fraldas de pano modernas tratará dessas questões. Mas, primeiro, uma pergunta: você usa roupa descartável? Seus pratos, copos e talheres são descartáveis? Imagino que não, né? Pois bem, imagine alguém que vivesse numa sociedade em que as peças de roupa e os utensílios das refeições fossem parar na lata de lixo após o uso. Certamente esse alguém acharia nojento ter que reutilizar roupas e lavar pratos sujos de comida. Porém para nós é normal; faz parte da nossa rotina.

Quem usa fralda de pano também incorpora o cuidado e lavagem das fraldas em sua rotina. E, portanto, da mesma forma que você tem uma rotina para lavar as roupas e as louças da sua casa – que pode ser bem diferente da prática adotada por sua melhor amiga, por exemplo – é justo afirmar que cada família tem o seu método e suas soluções para lavar e cuidar das fraldinhas do bebê (ou dos bebês).

Mesmo assim, tentarei assinalar algumas diretrizes básicas relacionadas ao cuidado com as fraldas de pano.

Rotina pós-troca

  • Em vez de jogar fora a fralda usada, como no caso de uma descartável, depois da troca põe-se as fraldas num balde ou numa lixeira até a hora da lavagem.
  • Se o bebê mama exclusivamente no peito, o enxague é opcional. Quando o bebê estiver comendo sólidos, é preciso jogar o cocô no vaso com a ajuda do chuveirinho ou de um raspador.
  • Como recipiente para as fraldas sujas, pode-se utilizar uma lata de lixo tradicional (com tampa) ou um balde aberto. Por incrível que pareça, o cheiro é menos forte quando as fraldas ficam em contato com ar fresco, mas é claro que há algum odor, e a opção pelo balde aberto não é para todo mundo. Se você tem uma área de serviço bem arejada e se for lavar todo dia ou dia sim dia não, o balde aberto pode funcionar bem.
  • Para diminuir o mau cheiro, uma opção é colocar um paninho com gotas de óleo essencial de lavanda ou melaleuca (tea tree) no balde ou na lixeira.

Lavagem

  • Pode-se lavar as fraldas diariamente, dia sim dia não ou de três em três dias. Vai depender da quantidade de fraldas que você tem, o tempo de secagem no seu varal, o número de trocas e a sua preferência pessoal.
  • Quem lava é a máquina de lavar. Não é necessário lavar na mão.
  • Deve-se colocar muito pouco sabão. Uma colher de chá ou uma tampinha de refrigerante é o suficiente para uma maquinada inteira.
  • Recomenda-se programar enxagues extras, tanto no início quanto no fim da lavagem.
  • É proibido usar sabão com agentes biológicos (enzimas), amaciante, alvejantes (como cloro) e ferro de passar.
  • É bom usar água quente (até 40 graus) se possível, pois remove melhor os resíduos e evita o acúmulo de amônia (substância encontrada no xixi).
  • Para remover manchas, um tiquinho de sabão de coco e contato direto com o sol funcionam como mágica. Depois é só enxaguar bastante.

Para maiores informações, recomendo ler as sugestões sobre rotina e lavagem das revendoras Ecco, Mama e Espaço Mamífera. Lá você encontrará  também muitas dicas úteis (das especialistas no assunto!) além de kits de fraldas de pano para iniciantes.

O terceiro post da série será sobre mitos e verdades das fraldas de pano. Enquanto isso, convido as experts a compartilharam na seção de comentários a sua rotina e experiêcia com as fraldinhas e as curiosas a deixarem suas perguntas e dúvidas. Agradeço desde já a participação de vocês.

27 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Uma introdução às fraldas de pano modernas (Parte 1)

Dizer que sou fã das fraldas laváveis é pouco: por motivos estéticos e ecológicos, tenho uma verdadeira paixão por elas (veja a minha declaração de amor aqui). Mas reconheço que, para as não iniciadas, o universo das fraldas de pano parece impenetrável e assustador. Como funcionam? Por que tantos tipos? Como será o ritual de lavagem das fraldas? (E o cocô, meu Deus?!)

Este post, então, é uma tentativa de indicar o caminho das pedras para quem tem curiosidade e interesse em explorar o universo das fraldas de pano (daqui pra frente usarei a sigla FP, ok?). Só uma advertência: Cuidado, pode ser um caminho sem volta!

A Parte 1 será um resumo dos diferentes tipos de FP no mercado, cada uma com suas vantagens e desvantagens.

À moda antiga: fralda tradicional + fixa-fralda ou alfinete + capa impermeável ou calça plástica
Trata-se de um quadrado de algodão fino (a fralda), dobrado até ficar no tamanho e formato certos, fixado com um aflinete ou fixa-fralda (veja a foto), e depois coberto por uma capa ou calça plástica impermeável.
Vantagens: econômico, fácil de lavar, seca rápido
Desvantagens: requer prática para dobrar, demora (2 etapas), capas precisam ser compradas por tamanho, método visto como antigo, sem charme
Marcas nacionais: Cremer (fralda) /Lolly (fixa-fralda) / Chumbinho (calça plástica)
Marcas importadas: OsoCozy e Diaper Rite (flat diaper – ver também prefold) / Snappi / Thirsties, Bummis, Gen-Y  (cover)


Versátil e à prova de vazamentos: fralda ajustada + capa impermeável
A fralda, que pode ser de algodão, bambu, cânhamo ou uma combinação de materiais, é costurada em formato de fralda com botões ou velcro para fechar. Por não ser impermeável, é necessário colocar uma capa por cima. Pode-se usar absorventes extras para aumentar o poder de absorção.
Vantagens: absorvente, fácil de vestir, lindas estampas, simples de lavar, pode ser usada sem capa (em casa)
Desvantagens: colocada em 2 etapas, volumosa, geralmente comprada por tamanho
Marcas nacionais: Mamãe Natureza, Ninho da Coruja (fralda)/ Chiquita Bacana, Fralda Madrinha, Mamãe Natureza, Ninho da Coruja (capa)
Marcas importadas: Kissaluvs, Bamboozle, Blueberry, Kiwi Pie, Sustainablebabyish, Imse Vimse (fitted diapers)

Fresquinha e compacta: Capa de algodão com suporte + recheio
A capa, nesse caso, parece uma calcinha de algodão, em que se afixa um suporte de plástico. Dentro desse suporte, coloca-se um recheio, que pode ser uma fralda tradicional dobrada ou um bolsinho de tecido que mantém a sensação de “sempre seco” recheado com panos de algodão ou microfibra. Fecha com velcro.
Vantagens: pouco volumosa, simples de colocar, fresquinha, possibilidade de trocar só o recheio e reutilizar a capa e o suporte, estampas bonitas
Desvantagens: comprada por tamanho, pode vazar se for mal ajustada, menos absorvente que outros estilos
Marcas nacionais: Efral, Mamãe Natureza, Morada da Floresta
Marcas importadas: gDiapers

Prática e absorvente: Fralda com bolso (ou Pocket)
Como a ajustada, a fralda com bolso tem o formato inteligente e é ajustada com botões ou velcro. O diferencial é o material impermeável (geralmente a camada externa) e o bolso na parte interna para colocar absorventes ou recheios. Fora a etapa de rechear a fralda, ela é tão simples de colocar quanto uma fralda descartável.
Vantagens: super absorvente, fácil de colocar, camada sempre seca na parte interna, tamanho único
Desvantagens: “usou, lavou”, precisa tirar o recheio antes de jogar na máquina, volumosa, mais cara
Marcas nacionais: Chiquita Bacana, Dipano, Fio da Terra, Fralda Bonita, Fralda Madrinha, Morada da Floresta
Marcas importadas: BumGenius, Fuzzibunz, Charlie Banana, Blueberry, Rumparooz, Popolini

Mais simples impossível: Fralda tudo-em-um (ou AIO)
Como diz o nome, essa fralda, como uma descartável, é uma peça única: ou seja, ela tem tudo para deixar o bebê seco e confortável sem requerer muito esforço da sua parte. Sujou? É só tirar e jogar no balde para lavar depois.
Vantagens: tão simples que qualquer um consegue pôr (até o pai e as cuidadoras da creche), camada sempre seca, geralmente tamanho único
Desvantagens: “usou, lavou”, demora muito para secar, mais cara
Marcas nacionais: Fralda Bonita, Morada da Floresta
Marcas importadas: GroVia, BumGenius, Imse Vimse, TotsBots Easyfit

Na Parte 2 escreverei sobre as principais dúvidas relacionadas à lavagem das fraldinhas e o dia a dia de quem optou pelas fraldas de pano. Até breve!

4 Comentários

Arquivado em Uncategorized

Liberdade para Nascer – estreia mundial, inclusive no Brasil!

“Para mudar o mundo primeiro é preciso mudar a forma de nascer” – Michel Odent, obstetra francês e um dos maiores defensores mundiais do parto natural protagonizado pela mulher

Apesar de não concordar 100% com as implicações, gosto muito dessa frase do Odent. Mas prefiro pensar o inverso: para mudar a forma de nascer primeiro é preciso mudar o mundo. Acho que os diretores do filme Freedom for Birth, cujo título pode ser traduzido como Liberdade para Nascer ou Liberdade para o Parto (dependendo do ponto de vista),  terá sua estreia mundial HOJE, dia 20 de setembro, concordariam. Defensores dos direitos humanos, o filme surgiu em defesa à parteira húngara Agnès Gereb, presa em sua terra natal após uma linda carreira ajudando as mães a darem a luz em casa, porque a Hungria considera o parto domiciliar ilegal.

Como vocês podem ver no vídeo acima, o filme promete ir muito além da injustiça na Hungria ao entrevistar grandes nomes da humanização do parto e nos convocar para uma revolução de mulheres a favor da liberdade para nascer e retomar o protagonismo do parto.

Várias cidades do Brasil vão participar desse momento histórico e queria compartilhar os endereços e horários com vocês.

SÃO PAULO

  • 12:30 e 18:00  - EACH USP, Auditório Verde (Zona Leste) - R. Arlindo Béttio, 1000 – Ermelino Matarazzo
  • 15:00 – SESC Santo André, Auditório (ABC) – R. Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar
  • 15:00 e 20:00 – GAMA (Zona Oeste) – R. Natingui, 380 – Vila Madalena
  • 18:30 – LUMIAR – Núcleo de apoio e proteção à maternidade (Zona Norte) - R. Padre Roberto Wals, 71 – Mandaqui
  • 20:00 – Casa Moara (Zona Sul) - R. Guararapes, 634 – Brooklin Paulista

RIO DE JANEIRO

  • 19:30 -  Universidade Cândido Mendes, Auditório – Rua Joana Angélica, 63/ 6 o. andar – Ipanema
  • 18:30 – Universidade Veiga de Almeida, Auditório - Rua Ibituruna, 108 – Tijuca

BELO HORIZONTE

  • 19:00 – SESC Palladium - Av. Augusto de Lima, 420 – Centro

BRASÍLIA

  • 13:00 - Faculdade de Ciências da Saúde, Auditório 1 -Universidade de Brasília

FORTALEZA

  • 18:00 – Mãe do Corpo – Espaço de Apoio à Maternidade - R. Pindorama, 268 – Eng. Luciano Cavalcante

CUIABÁ 

  • 19:00 – SOS Amamentação – R. Nápoli, 423 – Jardim Itália

RIBEIRÃO PRETO

  • 19:30pm – Despertar do Parto – R. Itacolomi, 480 – Subsetor Sul 1

 PORTO ALEGRE

  • 20:00 - Centro Cultural Espirita de Porto Alegre - Rua Botafogo 678 – Bairro Menino Deus

CERQUILHO (SP)

  • 19:30 - Centro Educacional Pintando O Sete – R. Ver Pedro Gayotto, 360

Espero que vocês possam me ajudar a divulgar o evento – mesmo que algumas sessões já tenham começado! – compartilhando esse post ou o vídeo do filme em seus Twitters, perfis de Facebook, em emails para amigos etc. Se souberem de mais alguma exibição aqui no Brasil, por favor coloquem na sessão de comentários! Agradeço, desde já, a ajuda de vocês.

E depois voltem aqui para falarmos sobre o filme!

5 Comentários

Arquivado em Uncategorized