5 dicas para diminuir o choro (ou a “cólica”) do bebê

Agora que você já compreendeu  o que é (e o que não é) a cólica e sabe quão rara ela é em culturas não-ocidentais, seguem abaixo cinco dicas que podem contribuir para a diminuição do choro do seu bebê. Não prometo milagres, mas garanto que você se sentirá mais capaz e mais tranquila depois de saber que existem ferramentas não-farmacológicas para reduzir o sofrimento ou desconforto que se manifesta pela “cólica”.

Aprenda com o Obama: um bebê que chora precisa de colo!

1. Entenda que chorar é normal – e o instinto de acalmar o seu bebê também!

Bebês choram. É sua principal ferramenta de comunicação. Eles choram para comunicar fome, desconforto, solidão, susto… Choram por motivos que talvez nunca compreenderemos de fato. No entanto, da mesma forma que eles choram quase que por reflexo, nós também temos o impulso de fazê-los parar de chorar. O choro de um bebê nos incomoda profundamente. E esse incômodo nos mobiliza para agir!

Eu adoro essa foto do Obama acalentando uma bebezinha desconhecida numa multidão de fãs que estavam visitando a Casa Branca. Pode até ter sido uma jogada de marketing pessoal, mas adorei que Obama agiu instintivamente naquele momento: pegou a criança no colo, trouxe-a carinhosamente para perto do peito e pronto, o choro parou! Longe das câmeras de televisão, pode não ser tão simples. Mas, mesmo assim, confie. Confie na necessidade do bebê em chorar e na sua habilidade de acalmá-lo.Procure não se desesperar com o berreiro nem pare para refletir muito sobre o que, por que, como etc. Respire e aja instintivamente. Tenho certeza de que, se você permitir, verá que o seu instinto é pegar seu filho no colo, conversar com ele ou alimentá-lo, ou trocar sua fralda, ou tirar seu casaco ou balançá-lo em seus braços ou… enfim, basta de exemplos! Simplesmente desligue um pouco a mente preocupante e permita que o coração entre em ação.

2. Amamente sem horários fixos (“sob demanda”)

Como especulei no post anterior, uma possível causa da cólica é o desconforto abdominal gerado pela imaturidade do sistema digestivo. Seguindo essa linha de raciocínio, uma explicação pela tranquilidade dos bebês não-ocidentais seria a forma particular em que as mães os amamentam. E a principal diferença entre os bebês não-ocidentais e os nossos bebês, em se tratando da amamentação, é o relógio: longe dessa nossa cultura “moderna”, ditada pelo relógio e pela lógica da produção e eficiência, os bebês não são amamentados em intervalos fixos de 2 ou 3 horas, por 10 ou 15 minutos em cada peito, alternando um e outro etc. etc. Por não ter essa preocupação de estar fazendo “certo”, de estarem mamando “o bastante” ou de não se tornarem “escravos do bebê”, o peito é oferecido quando o bebê demonstra sinais de fome. Assim, eles mamam pouca quantidade por mamada, mas várias vezes ao dia. Assim, o estômago deles nunca fica tão cheio nem tão vazio, minimizando o desconforto. Pelo menos em tese ;-)

3.  Faça como os cangurus

Como vimos no post anterior, a rotina do recém-nascido não-ocidental difere principalmente da rotina dos ocidentais pela falta de acessórios que “facilitam” a vida dos pais ocidentais (bebê conforto, berço, balanço etc). Esses acessórios todos permitem que o bebê fique longe de nós, quando na verdade sua fisiologia é de uma criatura extremamente prematura, despreparada para ficar sozinha  - tal como o filhote de canguru. O bebê cujos pais não têm todos os acessórios fica muito mais no colo ou amarrado junto ao corpo da mãe (ou de uma tia, irmã mais velha etc), geralmente em posição vertical. Por que insisto tanto na posição vertical? Bom, é uma questão de bom senso: de novo olhando para a fisiologia, quando o bebê fica na vertical, a gravidade dificulta a subida do leite pelo esôfago, o que pode ser muito incômodo, especialmente porque o esfíncter do bebê não está bem fechado ainda (causando golfadas e, muito raramente, refluxo).

O toque humano também é um fator primordial para o bem estar geral do recém-nascido. O contato pele a pele ajuda os nenéns pequenos a regularem suas temperaturas e respiração, acalmando-os naturalmente. Se quiser saber mais sobre os benefícios do toque, leia o post sobre exterogestação.

Você pode aprender a técnica do embrulho ou comprar um swaddle blanket para facilitar a sua vida.

4. Experimente a técnica de Harvey Karp

Harvey Karp tem milhares de fãs porque ele popularizou uma técnica supostamente milagrosa para acalmar os bebês naquela fase da vida em que a cólica acontece: entre 6 semanas e 3-4 meses de vida. Segundo ele, sua técnica desencadeia o “reflexo de calma” que faz os bebês pararem de chorar. Li o seu livro O Bebê Mais Feliz do Pedaço depois de ver as 700 resenhas positivas na Amazon e achei a técnica consistente. Recomendo o livro (que infelizmente parece estar esgotado) ou, em último caso, o DVD.

Como não vou deixar minhas leitoras na mão, segue um resumo dos principais pontos da técnica de Karp, que ele chama de 5 S’s.

  • Swaddling (ou embrulhar): consiste em embrulhar o bebê num cueiro, deixando os braços bem juntinhos ao corpo. A lógica é que a restrição simula as condições uterinas e “desativa” o reflexo de Moro (que pode despertar ou até assustar o bebê).
  • Side-lying (deite-0 de lado): com ele embrulhado, vire-o de lado, segurando-o como se fosse uma bola de futebol americano, com a barriguinha ligeiramente para baixo.
  • Shushing (faça ‘shhh’): isso é instintivo, mas não custa lembrar: emitir o som do “shhh” tem um efeito calmante. O dr. Karp ressalta que o barulho deve ser alto (lembre-se, o útero não era um lugar super silencioso!).
  • Swinging (balançar): outra dica que também é instintiva é balançar ou embalar o bebê, como se estivesse numa cadeira de balanço. Esses movimentos contínuos e repetitivos têm um efeito hipnótico.
  • Sucking (sugar): quando o bebê usa os músculos para sugar numa chupeta, no peito ou na pontinha do seu dedo (devidamente lavado), isso também o coloca num estado mais calmo.
É importante acrescentar que o dr. Karp recomenda que os 5 S’s sejam feitos nesta ordem. Segundo ele, o pai é craque nessa técnica, não só porque ele não tem medo de ser um pouco vigoroso como também porque ele costuma estar menos cansado, conferindo a calma necessária para executar a técnica com perfeição. Eu digo mais: é uma ótima oportunidade para ele criar um vínculo forte com o neném, se sentir capaz de cuidar do filho e de dar à mulher um merecido descanso.
5. Faça ajustes na alimentação

Por fim, se as dicas 1 a 4 não surtirem efeito, comece a pensar em motivos fisiológicos pelo mal-estar. Seu bebê pode ter uma sensibilidade ou intolerância a algum alimento que você costuma ingerir. Faça um teste, evitando certos alimentos como leite e seus derivados, glúten, soja, ovos ou amendoim. Mesmo assim, quero deixar bem claro que eu não acredito que a maior causa de desconforto no recém-nascido venha dos alimentos que ele ingere via leite materno. Tendo a crer que nós é que procuramos uma causa tangível (uma partícula alergênica, um diagnóstico de gases, um rótulo qualquer), quando pode ser que a explicação seja muito mais complexa e imprecisa.

Mas agora quero saber de quem de fato já passou por isso: como foi a experiência de lidar com o choro excessivo ou a cólica?

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Você sabe o que é a cólica do bebê? (sabe mesmo?)

Se você está grávida, preparando-se para tal ou com um bebezinho novo em casa, é provável que tenha pavor da terrível Cólica (com ‘c’ maiúsculo). Certamente já ouviu histórias horripilantes de bebês aparentemente angelicais que viram monstros depois de uma certa hora, deixando os pais acordados por toda a madrugada enquanto berram e esperneiam. Agora então, com a proibição da funchicórea – aquele fitoterápico que algumas mães consideram “mágico”, mas cuja eficácia não é comprovada – a tal da cólica ficou ainda mais assustadora [antes que você se zangue comigo: não estou defendendo o uso desse "remédio", só estou informando que agora a funchicória foi proibida pela Anvisa]. Mas vamos começar pelo começo: você sabe o que é de fato a cólica?

Vamos fazer um teste?

Escolha uma das opções. A cólica dos bebês é:

a. Caracterizada por dores abdominais, geralmente causada por gases, azia ou indigestão.

b. Um termo usado para falar de qualquer dor ou incômodo físico que faça o recém-nascido chorar por mais de uma hora por dia.

c. Diagnosticada em casos de bebês que passam no mínimo três horas por dia chorando, no mínimo 3 dias por semana, ao longo de no mínimo três semanas.

d. Um rótulo colocado indiscriminadamente em bebês que choram muito por nenhum motivo aparente.

Se você escolheu a opção a, como dita o senso comum, ERROU. Chocante, não é? A cólica do recém-nascido não tem nada a ver com a nossa cólica e não necessariamente está relacionada a dores abdominais! A resposta b está próxima, mas também é incorreta. A definição oficial de cólica é a opção c: ou seja, cólica é o termo usado para descrever a condição de bebês que choram por três horas ou mais por dia, durante três ou mais dias na semana por um período mínimo de três semanas consecutivas. Mas quantas vezes você já não viu pais de um bebê de duas semanas reclamarem da cólica quando nem deu tempo de observar o bebê por esse tempo todo? Aposto que mais de três vezes – no mínimo ;-)! Por isso, eu tendo a concordar com as pessoas que marcaram a opção d: que o termo “cólica” está sendo usado a torto e a direita para rotular qualquer bebê com um grau de irritação e/ou inquietude acima do desejável, transformando o que é fisiológico (o choro) em patologia (“cólica”).

Resumindo: “cólica” é uma palavra que não explica a origem do problema, e sim descreve um comportamento comum dos recém-nascidos, que aparece geralmente a partir da terceira ou quarta semana de vida e costuma parar por volta dos três ou quatro meses. Portanto, quando pediatras, parentes e conhecidos sugerem mudanças na dieta (em geral, a eliminação de laticínios e condimentos), receitam remédios ou fitoterápicos para aliviar os gases e indicam bolsas de água quente ou massagens para reduzir o desconforto, essas ações não passam de palpites para mudar o comportamento, já que não se sabe a causa do problema, simplesmente o sintoma – isto é, o choro prolongado.

Nunca tive que lidar com um bebê com cólica, então peço desculpas se você, que já passou por isso, está se irritando com esses detalhes teóricos. Imagino que seja realmente desesperador e que qualquer um tentaria DE TUDO para fazer seu amado parar de sofrer – desde remédios com prescrição médica até duvidosos pozinhos com adoçante (a funchicórea contém sacarina). Mas, como minha meta aqui é apresentar uma nova maneira de pensar sobre temas relacionados à maternidade, vou propor uma visão alternativa sobre a cólica baseada em uma observação interessante (que, por acaso, não é nada nova): segundo estudos em recém-nascidos coreianos, iranianos e !kung san (uma tribo africana), bebês de culturas não-ocidentais passam menos tempo chorando (e, portanto, têm menos “cólica”) que bebês ocidentais. Por quê será?

Já que todos tendem a achar que cólica está relacionada ao sistema gastrointestinal, comecemos pelo básico: a alimentação. Bebês em culturas tradicionais não são amamentados seguindo o relógio, mas continuamente, conforme a necessidade. Ou seja, eles não tem horários fixos para mamar e nem são forçados a ficar x minutos em cada seio ou o que quer que seja. A mãe oferece o seio quando o bebê mostra sinais de fome. E pronto. Assim, o bebê mama pouco muitas vezes ao dia (e ao longo da noite). É totalmente plausível que isso seja melhor para seu sistema digestivo ainda imaturo. Quanto ao leite em si,  nas culturas asiáticas e africanas – onde foram comprovadas o pouco choro dos bebês – come-se uma dieta variada e condimentada. No entanto, comparado ao Ocidente, consome-se menos laticínios. Portanto, pode ser que o laticínio seja um fator para o desconforto que causa o choro dos bebês. Isso também faz certo sentido do ponto de vista biológico, já que a proteína do leite é conhecidamente alergênica para muita gente (graças a Deus eu escapei dessa, pois amo leite!).

Além da alimentação, tem o cuidado com o recém-nascido como um todo: onde ele passa o tempo quando não está mamando, em que posição fica, por quanto tempo etc. A prática ocidental de deixar bebês longe da mãe – em carrinhos, bebês-confortos, berços, balanços – geralmente deitados não é muito comum no resto do planeta. Primeiro porque requer a compra de “coisas” (carrinho, bebê-conforto, berço, balanço) que não estão disponíveis ou ao alcance das pessoas. Segundo porque esses aparelhos todos não fazem sentido fisiológico: as mulheres por gerações carregaram seus bebês em slings ou deixavam eles nos braços de uma tia, irmã mais velha ou avó e esses hábitos sempre funcionaram. Assim, os bebês não-ocidentais ficam em contato pele a pele com alguém quase sempre, em movimento e, geralmente, verticalizados e embrulhadinhos. Seja por motivos emocionais (a tranquilidade da presença de outro ser humano) ou físicos (menos desconforto fisiológico) – ou ambos! – a consequência seria uma diminuição na frequência de choro e na sua duração.

Fora esses fatores “concretos”, há também o intangível: a atitude das mães e outros cuidadores. Apesar de ter gostado do livro de Laura Gutman, A maternidade e o encontro com a própria sombra (editora Best Seller), não posso dizer que acredito 100% na tese de que o bebê seja um reflexo (ou “a sombra”) de sua mãe – tese esta que colocaria “a culpa” dos males do bebê nas questões psíquicas mal-resolvidas de sua mãe. Faz sentido que o estado emocional da mãe afete o bebê (e vice-versa, óbvio!), mas não acho que necessariamente toda manifestação “anormal” (ou melhor: “indesejável”) no bebê seja um sinal de algo que precisa ser “consertado” na mãe. Por outro lado, uma atitude tranquila e confiante da parte da mãe só pode ajudar, né? E se você já teve a oportunidade de observar mães de culturas não-ocidentais (o documentário Bebês é uma boa pedida!), deve ter percebido que elas parecem ter uma serenidade, uma falta de preocupação ou “frescura” – enfim, uma naturalidade! – invejável. Olha, como antropóloga, tenho que dizer que odeio esse tipo de generalização, mas é fato que nossa geração de mulheres (ocidentais, instruídas, profissionais) tem uma tendência à ansiedade e à preocupação acima da média. Será que isso não pode estar influenciando a “cólica” dos bebês: seja na própria incidência dela ou na percepção de sua existência?

Enfim, ficam as perguntas e a reflexão. Em breve publicarei um post mais prático (e mais curto!): 5 dicas para diminuir o choro (ou a “cólica”) do bebê.

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Nesse Dia das Mães, vamos dizer NÃO às mommy wars!

Desde quinta-feira todos estão falando da impactante capa da TIME que traz uma jovem e bela mãe com seu filho de 3-4 anos em pé num banquinho, mamando, e a provocação, em letras gigantes, “Are you mom enough?” (você é mãe o suficiente?). Nas mensagens de Facebook, no Terra, na BBC Brasil, no USA Today e em vários blogs nacionais e internacionais, não falta gente defendendo ou repudiando a matéria e/ou a realidade que ela tentou ilustrar.

Trata-se do Attachment Parenting, cuja tradução seria “criação com apego”, um estilo de maternar que preconiza um vínculo mais próximo entre pais e filhos, muito colo e carinho, e pode vir acompanhado de escolhas como a cama compartilhada, a amamentação prolongada, o uso de slings e uma opção por ficar em casa com os filhos, prolongando a licença maternidade, mudando de área ou abandonando de vez a carreira. A revista – apesar de algumas alfinetadas básicas nessa filosofia supostamente “sacrificante” para as mulheres (hm… depilação também é sacrificante, mas ninguém acha que devemos parar de fazer, né?) – conseguiu fazer um retrato equilibrado sobre as origens dessa filosofia, seu ideólogo,  seus praticantes e a atual situação (de guerra) em que se encontram as mães americanas.  No entanto, não tem como negar que, ao escolher estampar na capa a imagem de um inegável tabu para os americanos (a amamentação prolongada) e, em letras vermelhas, a inflamatória acusação disfarçada de pergunta de que algumas mães, aos olhos das praticantes do Attachment Parenting, seriam “menos mães”, a revista conscientemente jogou lenha na fogueira das Mommy Wars (guerra entre mães). Cutucaram a ferida de todas as mães – será que estou fazendo o certo? será que estou sendo uma boa mãe? – e devem estar amando toda a atenção recebida.

Criticar as escolhas das mães vende revista. Sugerir que um estilo de criar filhos é melhor ou pior, moderno ou antiquado, razoável ou louco, dá ibope. Colocar uma mulher contra outra satisfaz aquele velho estereótipo de que as mulheres  não são parceiras, que só competem entre si, que são moralmente fracas e egoístas.

Bom, eu, Clarissa, me recuso a ocupar este lugar. Não vou julgar as mães. Hoje não. Não vou julgar a mulher que tomou injeção para secar seu leite, não vou julgar as mães que não saem de casa sem a babá ou a folguista, não vou julgar os pais que oferecem coca-cola, chocolate e batata frita pro bebê e não vou julgar quem achou a foto da TIME grotesca.

Mas eu vou sim julgar e criticar uma sociedade em que mais vale a mulher que terceiriza a maternidade para ter tempo de ficar “gostosa” ou ganhar dinheiro do que aquela que escolhe viver integralmente a sua identidade como mãe. Vou me revoltar sim contra uma sociedade que permite e aplaude quando uma mulher coloca seu status sexual em primeiro lugar (sacrificando-se por horas na academia ou no salão de beleza para ficar sarada e bem cuidada) ou prioriza sua identidade profissional (passando horas no trabalho, no blackberry, viajando para reuniões e colecionando aumentos), mas que critica e xinga a mulher que “larga tudo” para ser mãe. É pra isso que estou aqui, escrevendo, provocando, ouvindo.

No entanto, hoje, peço que vocês juntem-se a mim nesta causa: recusem-se a julgar as outras mães! Vamos ouvir, apoiar, entender, respeitar. Eu sei que é difícil, mas é necessário. Portanto, se você, como eu, costuma julgar as escolhas das outras, tente, pelo menos neste dia, fazer diferente.

Aproveite para refletir, faça uma autoanálise: quem é que você costuma julgar? Mães magras, mães gordas? Mães moças, mães velhas? Mães que terceirizam, mães que ficam em casa? Mães que dão mamadeira, mães que amamentam até os 4 anos? Mães gostosas, mães largadas? Mães tecnológicas, mães terra? Mães solteiras? Mães lésbicas? Mães consumistas, mães comunistas?

Pare para pensar e, mesmo que seja só hoje, pense diferente sobre elas. Afinal, ao menos duas coisas elas têm em comum com você: são mulheres e são mães.

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Um brinde às mulheres bravas

[com direito a trilha sonora... ;-)]

Depois de dez dias de descanso na Europa e dois dias no novo emprego, ficou muito claro para mim que, mesmo me esforçando ao máximo para fugir dos rótulos, eu sou, de fato, uma ativista apaixonada por parto, mulheres e bebês. Não tive como negar: mesmo com a rica programação cultural das férias e os desafios que me esperam no trabalho, a paixão pelo universo do nascimento e maternidade conscientes brilhou mais forte. Sempre que havia uma rede wifi disponível, tirava meu smartphone da bolsa e entrava no Facebook – muito a contragosto do meu marido, diga-se de passagem – para acompanhar a incrível história da carioca que dispensou o obstetra durante o trabalho de parto porque ele decretou uma cesárea com 1cm de dilatação e, horas depois, conseguiu seu tão-sonhado VBAC (parto normal após cesárea prévia). Chorei de emoção com sua história, sua coragem e com o final feliz digno de filme hollywoodiano! Ah, se todas tivessem a sua força, nosso índice de cesárea não seria essa vergonha que é.

Depois, acompanhei o drama novelesco que se seguiu na comunidade virtual e real de doulas, médicos e parteiros que defendem (supostamente) o parto “humanizado”, mas que encenaram uma reação “oficial” de proporções totalmente descabidas. De novo, chorei, mas dessa vez de desespero, ao perceber o quanto ainda somos subjugadas a forças muito maiores, corporativistas, capitalistas, políticas, e o longo caminho que ainda temos pela frente para atingirmos o nível de respeito, em formas de opções reais e possíveis, oferecidas pela sociedade (pelo governo, pelo mercado), que merecemos. Todos os sapos que temos que engolir, e a humiliação que sofremos, nas mãos de gente egoísta ou ignorante, que não respeita as mulheres nem segue a medicina baseada em evidências. Mesmo após um dia de compras e comilança em Londres (minha cidade favorita!), não fiquei imune às lágrimas de tristeza e de raiva. Agora mesmo elas surgem com força e fúria.

Eu me revolto com qualquer pessoa ou sociedade que coloca interesses individuais ou de classe acima do direito SOBERANO que as mulheres deveriam ter de escolher o que vai entrar (e sair) de seus corpos quando e como bem entenderem. Isso vale para o sexo (“corpo estranho” entrando) e para o parto (“corpo estranho” saindo). Não podemos aceitar uma realidade em que terceiros tenham um poder maior sobre nossos corpos do que nós mesmas. O poder de nos enfiar goela abaixo uma cirurgia desnecessária, de cortar nossos corpos, de nos negar o direito de vivenciar a força primitiva e atemporal crescendo de nossas entranhas, de nos taxar de loucas, irresponsáveis ou coisa pior por assumir a decisão que é nossa de escolher como e onde queremos parir… Não posso aceitar e não vou ficar calada enquanto isso não mudar. Estou brava sim, e, como eu, muitas mulheres que carregam feridas físicas e psíquicas que dificilmente serão saradas.

Mas eu não estou falando de brindar quem é brava nesse sentido.  Na verdade, tenho horror a palavras zangadas – elas afastam, confundem e ofendem. Com elas, não chegaremos muito longe. A rede está cheia de mulheres revoltadas, zangadas… “bravas” no sentido vulgar da palavra. Mas as verdadeiras mulheres bravas às quais me refiro são mulheres que não só falam (ou escrevem) palavras bonitas, sábias ou inspiradoras; são aquelas que se levantam, se arriscam, e se expõem às consequências de suas ações. São mulheres que, com pequenos e grandes atos de bravura, atitudes convictas e postura impecável, fazem escolhas difíceis, porém certeiras e, por isso, merecem todo o meu respeito e minha reverência.

Levanto, então, a minha taça virtual para brindar essas duas mulheres bravas do Rio de Janeiro (e todas as outras “dirty little freaks” Brasil afora): sem vocês, sem a sua coragem para servir de exemplo e inspiração, ficaríamos inertes e impotentes, fechadas no mundinho seguro e “limpinho” da retórica e do idealismo. Em tempo, todas nós que acreditamos e lutamos para uma realidade obstétrica digna de um país que quer pertencer ao grupo dos países desenvolvidos teremos a coragem e a convicção de nos juntarmos a vocês. Eu já estou na fila, só esperando o meu momento.

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Babywearing: o que é e por que vale a pena

A tradução literal do termo em inglês babywearing é “vestir o bebê”, mas não tem nada a ver com o ato de colocar roupas no pequerrucho; pelo contrário, é a mãe que coloca o bebê em si própria. Babywearing é o termo adotado lá fora para se referir ao uso de carregadores de tecido para levar o bebê sempre junto ao corpo, dispensando (ou minimizando) a necessidade de carrinhos, bebês confortos, cadeirinhas de balanço etc.

O tradicional "mei tei" permite carregar o bebê na frente e nas costas.

Os carregadores de tecido vêm em muitos formatos – sendo o sling de argola e o wrap sling os mais conhecidos  – e seu uso, ao contrário do que advertem as velhinhas palpiteiras na fila do supermercado ou alguns pediatras desinformados, é super benéfico.

Este post pretende pontuar alguns desses benefícios e ilustrar o argumento com imagens de mulheres (e um homem muy especial) que adotam essa prática milenar, porém super atual. Com tantos estilos, modelos e formatos, é quase garantido encontrar um que combine com você.

Benefícios para o bebê

* Desenvolvimento postural: o recém-nascido tem a espinha dorsal naturalmente curvada e deitar com as costas retas não é fisiológico nem faz bem para ele. O bebê prefere ficar em posição de sapinho, como na imagem ao lado, pois é o natural para ele. Sem contar que bebês que ficam o tempo todo deitados numa superfície plana ficam com a cabecinha achatada, uma condição chamada plagiocefalia.

* Desenvolvimento emocional: o contato constante com a mãe melhora o vínculo, proporcionando mais relaxamento, menos estresse e crises de choro e mais autoconfiança. O contato pele a pele também diminui a percepção de dor.

* Reduz a cólica: seja pelo movimento constante, que lembra as condições uterinas, ou porque a posição mais vertical diminui a possibilidade de refluxo, bebês que são carregados sofrem menos de cólicas. Aliás, em culturas onde 100% dos bebês são carregados, não se ouve falar em cólica (um conceito exclusivamente ocidental).

Uma holandesa leva o filho para passear no ErgoBaby Carrier.

* Propicia um estímulo na medida e uma experiência mais ampla do mundo, visto que o bebê acompanha o adulto e não fica restrito ao berço, ao bebê conforto ou ao tapete de atividades. Ao lado da mãe, ele enxerga, escuta e sente o cheiro de uma grande variedade de coisas.

* Efeito canguru: se compreendemos que o bebê humano nasce “prematuro” mesmo estando a termo (veja o post sobre exterogestação), então o sling é o acessório mais útil para os primeiros meses. Vários estudos foram feitos mundo afora comprovando os benefícios fisiológicos do método canguru.

* Estimula o aleitamento: tão próximo da mãe (e ainda por cima do lado dos seios!), o neném mama com mais frequência, resultando em maior ganho de peso e mais saúde.

Benefícios para a mãe

A foto de Dolores García Rodriguez Dogaro dispensa palavras.

* Conveniência: sair de casa para comprar pão fresquinho, tomar um café com as amigas ou fazer uma caminhada não poderia ser mais simples do que colocar o neném no sling, pegar a bolsa e se mandar! Isso também vale para as tarefas e atividades domésticas.

* As horas passadas juntinhos permite a formação de um vínculo muito forte, o que dá à mãe muita autoconfiança, diminuindo o medo e a ansiedade, e reduzindo o estresse materno (levando, inclusive, a índices mais baixos de depressão pós-parto).

* A proximidade do bebê aumenta a ocitocina e facilita a descida do leite, contribuindo para a amamentação exclusiva. Sem contar que o pano do carregador serve como “proteção” contra olhares reprovadores de gente pudica e/ou machista que se incomoda com a amamentação em público. Ninguém nem vai perceber que você está amamentando!

* Carregar o bebê no sling ou carregador de pano distribui o peso de forma mais equilibrada, causando menos dor nos braços ou na coluna (depois de um tempo eles pesam e os braços não aguentam!).

Se esses argumentos e as fotos deslumbrantes não te converteram ainda, eis alguns motivos menos “científicos” – mas não menos convincentes – para experimentar o babywearing:

* Carregar o bebê também é uma forma de incentivar o vínculo do bebê com o pai. Já que ele não amamenta (e às vezes teima em não dar banho nem trocar fraldas – tsc tsc tsc), carregar o recém-nascido é uma forma de participar ativamente na rotina do filho. Se ele estranhar, talvez essa foto o faça mudar de ideia:

Eu não prometi um homem especial?

* O sling de pano, seja de argola, pouch ou wrap, e os carregadores de tecido como o ErgoBaby viraram febre entre as celebridades internacionais – e não estou falando das “alternativas”. Você duvida? Pois olhe só:

Fugindo dos paparazzi, Juia Roberts arrasa com seu lindo sling de algodão estampado.

* O sling não é só para “artistas” ou “gente de vanguarda”: o exemplo que mais me inspirou foi esse da representante parlamentar italiana Licia Ronzulli. Saca só:

Poderosa como profissional e como mãe. Uau!

Espero ter mostrado aqui que babywearing não é coisa de “bicho grilo” e que adotá-lo poderá ser muito gostoso, prático e super “fashion”. E, com certeza, o seu bebê desfrutará e se beneficiará dos momentos de aconchego e do tempinho a mais  com você. O que pode ser melhor do que isso?

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5 Motivos para Agendar uma Cesárea com 36 semanas

Ai, gente, não aguento mais essa ladainha de parto normal, natural, na banheira, humanizado. Que gente mais doida! Bom mesmo é marcar tudo certinho, fazer uma cesárea limpinha, vapt vupt, super segura e sem riscos de dar problema, de preferência no fim do oitavo mês. eu estou com o melhor médico da cidade – ele atende várias globais, socialites e mulheres das melhores famílias do Rio – e ele me garantiu que não tinha o menooooooor problema em fazer desse jeito. eu vou explicar por que decidi marcar minha cesárea assim que completar 36 semanas.

1. Meu corpitcho

querida, fala sério que vou ficar uma baleia esperando mais 4 ou 5 semanas (há, tá doida!) quando a criança vai só “engordar” lá dentro no último mês. Deixa ele engordar aqui fora, com muito leite Nan, graças ao bom Deus Nestlé. o pulmão dele tá ó-te-mo, eu tomei aquelas injeções todas, não vai ter problema!! Eu é que não vou correr o risco de ficar com estrias e aumentar a flacidez da minha barriga esperando ele ganhar mais 500g. Pra quê, quando, se der algum problema, tem incubadora e a mais alta tecnologia do mundo esperando por ele na UTI neonatal da melhor maternidade da cidade?

2. Os astros
poxa, astrologia é tudo, né? não faço nada sem antes consultar minha astróloga – uma gênia! como quero o melhor para meu filho, quero que ele nasça com o melhor signo e ascendente possível e a única forma de garantir isso é marcando o dia e a hora certinho, depois de consultar a gênia da astróloga (foi mal, baby, mas não falo o nome dela pra ninguém, tá doida?!). voltando, amiga… imagina se eu der o azar de ter um filho Escorpião (desculpe aí aos escorpianos, mas não dá, né gente?) com ascendente em, sei lá, Câncer? pra ter um filho chorão e sensível, difícil pra caramba? melhor garantir tudo pra que nasça com os planetas todos no melhor lugar possível para ele ser muito bem sucedido e ter tudo que a vida tem de melhor a oferecer.
3. Super preparada
gente, o dia mais feliz da minha vida e eu vou correr o risco de chegar lá descabelada e com esmalte descascando? hahahah, até parece. Eu vou me preparar como manda a ocasião: vou fazer depilação, cortar o cabelo, fazer escova, pintar as unhas com o esmalte da Chanel que comprei em NY só pra esse dia (combina com a saída de maternidade que comprei pra ele, óbvio!). Ai, quero estar toda lindona pra conhecer meu príncipe! E também preciso me programar para ter todas as lembrancinhas da maternidade – imagina se eu encomendar os brigadeiros de chocolate belga e depois passar da data de validade? que vexame! sem contar na babá enfermeira que contratei. não quero correr o risco de perdê-la se meu bebê resolver atrasar e ela depois encontrar outra patroa – meu deus, seria o fim! ela já vai começar no dia que eu chegar em casa, já tá tudo programado e combinado com ela.
4. Pra quê sofrer?
essa coisa de sentir dor é coisa de masoquista, vamo’ combinar! e eu só quero coisas boas na minha vida, só prazer, só delícia! por isso, decidi fazer com 36 semanas pra não correr risco de sentir uma contração sequer (ai, gente, isso é coisa de índio, é primitivo!). e quem fala que a cesárea dói depois é porque não conhece os remédios poderosíssimos que meu médico das estrelas conhece – uma delícia!!. eu quero aquelas drogas milagrosas todas injetadas na veia, pra eu dormir como uma princesa por dois antes antes de ir pra casa. ainda bem que as enfermeiras da maternidade estão preparadas para cuidar do meu herdeiro 24 por dia no berçário para eu ficar só relaxando e curtindo cada visita.
5. Meu príncipe
poxa, um dia vi um bebê que nasceu de parto “normal” que tava com a cabeça toda deformada e achei aquilo muito cruel – que horror, gente! meu príncipe não vai passar por isso nem por cima do meu cadáver!! mesmo que ele venha pequenino (ai, duvido porque o médico da ultra disse que ele já tava com 2 quilos e 500), ele logo vai engordar com o leite que vou dar pra ele – o melhor que o dinheiro pode comprar, claro. aquela cabeça de cone não combina com a roupinha da Baby Dior que está lavada, passada e perfumada, só esperando ele chegar. ai, que delícia! tão bom saber que ele vai vir no dia certo, com tudo pronto, todos esperando por ele, com o enxoval todo montado com as melhores peças, das melhores marcas, todas de Nova York e Paris! E claro que vou tirar muitas fotos da cabecinha perfeitamente redonda dele pra guardar como recordação para seeeeempre.
Ai, mal posso esperar o grande dia!! Bjuuuuus para todas as maezinhas e para seus lindos bonequinhos!!!!!!!!!!
p.s. para quem não entendeu ainda: olha só a data de hoje! ;-)
**ATUALIZANDO (15/04)** Este post foi uma brincadeira do dia primeiro de abril. Para quem quiser saber o que eu realmente penso sobre cesáreas agendadas e fora do trabalho de parto, leia por favor esse post antigo: Sete razões para não marcar o seu parto.

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Quer dizer que você quer parto normal?

Quando o assunto é parto, você diz “quero parto normal” ou “vou tentar normal” (e não se fala mais nisso)? Você acredita que, para ter parto normal, basta querer e torcer para que tudo dê certo? Você escolheu um médico do plano que se diz favorável ao parto normal, mas que diz “não se preocupe com isso, do parto cuido eu”?

Se você respondeu “sim” a qualquer uma dessas perguntas, você precisa ler este post. Se você conhece alguém que se encaixa nesse perfil, por favor, repasse o link para ela.

Eis os FATOS: se você vai ter seu filho na rede privada, a probabilidade de acabar numa cesárea se aproxima de 90%. Pense bem: quantas amigas suas começaram naquele quadro acima (“quero normal, meu médico diz que faz”) e terminaram numa cesárea? Não quero te desapontar (pelo contrário, quero ajudar!), mas a verdade é que parto normal não é para qualquer uma. É para quem pode – para quem pode correr atrás de informações confiáveis, pode encontrar a coragem para mudar de médico se o dela for cesarista, pode pagar um obstetra fora do plano ou optar pela rede pública se necessário, pode olhar para dentro e enfrentar seus demônios, pode peitar o marido, a mãe e o escambau. A boa notícia é que você pode ser uma mulher dessas.

Se você quer MESMO parto normal, seguem abaixo 7 dicas para aumentar as chances de ter o parto que você deseja e merece:

1. Informe-se

Parto normal no Brasil é exceção. Especialmente se você tem plano de saúde. Isso significa que você precisa estar ciente das possíveis armadilhas que fazem as mulheres caírem na cesárea, mesmo sem querer. Que armadilhas? Entre elas: os mitos sobre o parto, as falsas indicações de cesáreas, a realidade sociocultural e econômica (em que o normal é o parto cirúrgico), o sistema tecnocrático e voltado para lucros e a formação e a atitude da equipe que vai te acompanhar. Você não precisa mudar nada disso – se quiser tentar, ótimo! – mas não pode fingir que vive num mundo cor de rosa em que o médico vai deixar a natureza seguir seu curso, a equipe do hospital está lá pra te ajudar e o que quer que aconteça estava “escrito nas estrelas”. Acorde e deixe seus olhinhos bem abertos. Ou volte a acreditar em duendes (quer dizer, médicos bonzinhos) e depois não se surpreenda se acordar com uma bela de uma cicatriz na barriga.

2. Escolha um obstetra realmente favorável

A melhor forma de saber se o seu GO “faz” parto normal mesmo (quem faz é a mulher, mas já que essa é a expressão, estou adotando-a aqui, entre aspas) é através da indicação de mulheres que pariram com ele. Se isso não for possível, dê uma de detetive e procure pistas de que ele possa te induzir à cesárea. Fique atenta aos seguintes sinais: ele nunca desmarcou uma consulta (parto normal não tem hora marcada); no consultório, tem várias pacientes chegando para tirar pontos e meia dúzia de grávidas com a barriga do tamanho da sua (ou seja, não vai dar para esperar o trabalho de parto de todas elas); ele não gosta de falar sobre o parto e diz coisas como “deixa isso comigo”; ele é fã das táticas do medo (“o importante é a saúde do bebê”) e vive procurando pêlo em ovo (“temos que ficar de olho nesse líquido…”). Mesmo que ele seja muito querido, muito fofo e te conheça há anos, não se iluda: se ele faz cesárea em 90% dos casos, a sua chance de parir com ele é 1/10.

3. Procure apoio virtual e local

Quem nada contra a maré requer muito apoio e incentivo. Nada melhor que se juntar a pessoas que te entendem, já passaram por isso, e se empenham para ajudá-la a conseguir atingir o seu objetivo. Para isso, sugiro que você participe de listas virtuais como a PartoNosso do Yahoo Grupos, comunidades como a GPM – Gestação, Parto e Maternagem no Facebook e que procure também um grupo de apoio local, onde possa olhar nos olhos de outras mães, ouvir suas experiências e trocar recomendações. Aqui no Rio tem o Ishtar, grupo incrível, coordenado por gente maravilhosa e frequentado por mulheres de todos os tipos (inclusive euzinha).  Também tem Ishtar em Belém, Sorocaba e Recife, e sei que São Paulo tem o Gama, BH tem o Bem Nascer e Curitiba tem o Espaço Aobä. E não devem ser os únicos. Procure por esses grupos, vá a um encontro (são gratuitos) e saiba que você não está sozinha.

4. Prepare sua cabeça (e o corpo também)

É preciso muito preparo psicológico para se manter firme num desejo que, lastimavelmente, é tão difícil de se realizar na atual conjuntura. É preciso coragem para dizer tchau para seu médico de anos na 37a semana e procurar um novo profissional; força (e paciência) para não ceder aos protestos da família e dos amigos que não entendem porque você não marca a cesárea como todo mundo; convicção para usar suas economias para bancar uma equipe realmente alinhada com seu plano de parir; fé para se permitir parir como manda a natureza. Minhas dicas: leia livros e relatos de parto positivos (fuja de programas de TV, de maneira geral) e faça terapia. Além da força psicológica e emocional, também é legal preparar o corpo para as posições e as sensações do parto (yoga para gestantes e massagem perineal são duas opções que vêm à mente). Mas não se iluda: a cabeça é muito mais importante que o corpo nesse processo de parir.

5. Seja sujeito

É muito cômodo (e perigoso) entrar no papel da “mãezinha” ou “gravidinha” (primas-irmãs da “princesinha”) e deixar que todas as decisões sejam tomadas por você: pelo médico, por sua mãe, pelo marido… Se você tem a intenção de parir, você precisa se recusar a ocupar esse lugar. Porque uma mulher que dá a luz é protagonista, e não um objeto ou um coadjuvante do processo. Ser sujeito significa, entre outras coisas, questionar, se examinar, refletir, sentir, escolher, rebolar (em ambos os sentidos), viajar para a partolândia e dar um belo de um FODA-SE pra todas aquelas pessoas que teimam em te julgar. Ser sujeito significa viver de acordo com a sua verdade e sentir na pele as suas escolhas, e não ser vítima das decisões de terceiros.

6. Contrate uma doula

Para quem não sabe o que é uma doula e qual a importância dela no parto, prometo um post longo e detalhado em breve. Por enquanto, vou ser econômica e dizer que a doula acompanha a gestante antes, durante e após o parto; sua função é servir de apoio e conforto. A doula não é profissional de saúde e nem faz parte da equipe médica: ela acompanha a mulher, oferecendo palavras de incentivo, um toque carinhoso e um porto seguro para a parturiente (e, muitas vezes, também para seu companheiro). Em suma, a doula é uma amiga que já viu muitas mulheres parindo. Por isso, é importante  conversar muito com ela antes do parto, sentir-se bem com ela e criar um laço de afeto e confiança. Você pode achar que doula é modismo ou frescura, mas a história e as evidências mostram o contrário: doulas existem há milênios e sua presença na sala de parto diminui o índice de cesárea, analgesia e depressão pós-parto e aumenta a satisfação materna e o índice de amamentação (entre outros benefícios). Se você é carioca, visite a página do Núcleo Carioca de Doulas no Facebook para se conectar com profissionais da área.

7. Não saia correndo para o hospital

Pensei se deveria mesmo incluir esta última dica – obviamente, não quero ser culpada depois por uma leitora que teve seu filho no táxi! -, mas como não tem como negar que um dos fatores de cesárea é a impaciência dos médicos (a famosa desculpa “não teve dilatação”) optei por colocá-la. A não ser que esteja com uma equipe de parto humanizado, a melhor maneira de se proteger da cesárea intraparto é chegar ao hospital em trabalho de parto ativo, com mais de 7 cm de dilatação e, de preferência, dilatação total. Eu sei que é difícil se imaginar fazendo isso – “correndo esse risco” – mas é mais comum chegar cedo demais e sofrer um parto cheio de intervenções desagradáveis ou até mesmo uma cesárea do que acabar parindo a caminho da maternidade (apesar desses casos saírem mais na mídia!). Se você não tem plena confiança na equipe médica e sente que o médico pode acabar fazendo uma cesárea de última hora, essa é a dica que eu deixo para você (de preferência, siga também a dica número 6).

Por hoje é só. Boa sorte e boa hora para você! E depois passe aqui e conte sua experiência.

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