Precisamos falar sobre o puerpério

 

puerperio_blog post header_Jenny Lewis

Nossa sociedade vende uma imagem idílica do período após o parto. Basta ver o que aparece no Google quando se digita “puerpério”: fotos de mães sorrindo, bebês tranquilos, tudo muito calmo e iluminado… A visão do paraíso materno. Eu mesma contribuo para isso quando escolho imagens aqui para o blog, tenho que admitir.

Mas não se iluda: o puerpério costuma ser PUNK.

Embora seja mágico ter o seu filho nos braços,  a chegada de um bebê vira a vida da família de ponta cabeça. Além das grandes mudanças de cunho prático (mamadas, higiene, sono etc.), para a mulher em especial tem o agravante de que seu corpo passa por transformações inéditas; independente da via de nascimento, o corpo dói, o útero contrai, os hormônios fluem, os peitos enchem, os mamilos ardem (uns mais, outros menos) e as emoções transbordam. Os órgãos abdominais estão se ajustando, e a sensação de que algo não está muito normal internamente pode ser vivida com estranheza ou até pânico. Quando o nascimento é via cesariana, o corpo precisa se recuperar das lesões; ações corriqueiras como tossir, levantar-se e agachar se tornam delicadas, mesmo quando a dor está sendo medicada ou está suportável. E o termo “cansaço” ganha uma nova dimensão…

No campo emocional, a transformação é ainda mais complexa. A mulher, que antes era alvo de tanto carinho e afeto enquanto grávida, passa a ser praticamente ignorada, já que todos os olhos estão voltados para o bebê. E dá-lhe pitacos, conselhos, julgamentos e orientações (muitas prejudiciais) para cima dela! Mesmo quem tem a sorte de não ser rodeada por gente sem noção vive uma transição monumental. A ansiedade e a idealização que caracterizam o fim da gravidez se transformam em dúvidas, medos, amor (que, às vezes, demora a se manifestar), desconfortos, alegria, cansaço, choro… Tudo junto e misturado, e muito difícil de articular, especialmente quando somente o lado idílico da maternidade é promovido e assimilado pela nossa cultura, como vimos pelo Mestre Google.

Existe uma ausência de informações sobre a experiência do pós-parto (esse relato aqui é uma exceção). A informação disponível é focada no aspecto “médico” ou nas “obrigações de cuidados”. Parte do problema é que quem acompanha a nova família por esse período são os profissionais médicos, o obstetra e o pediatra, que foram treinados para observar e agir sobre a parte física e tangível: como cuidar dos pontos ou do desconforto perineal, o que não fazer no período de resguardo, como fazer a higiene de coto umbilical etc. Os aspectos emocionais são ignorados ou rotulados com termos tipo”baby blues” e”depressão pós-parto”, o que nem sempre ajuda quem está imersa em toda a gama de emoções do pós-parto, mas que não necessariamente sofre de uma condição psiquiátrica (por favor, vejam a NOTA abaixo sobre depressão pós-parto, um assunto sério que deve ser tratado em consultório). 

A vida moderna, por motivos socioculturais e econômicos, infelizmente contribui para dificultar esse período. Antes da família nuclear, quando vivíamos em grupos familiares maiores ou em tribos, a comunidade (de mulheres, geralmente) cuidava intensamente da nova mãe para que ela tivesse a força e o ânimo para cuidar do recém-nascido: massagens, refeições especiais, repouso e resguardo faziam parte desse rito de passagem. A mulher era, literalmente, banhada em afeto e suporte para, assim, nutrir o bebê. Hoje, mesmo com os homens muito mais envolvidos nas tarefas de cuidar, a mulher moderna tem somente uma ou duas (ou no máximo três) outras pessoas para ajudá-la: o companheiro e sua mãe e/ou sogra ou, às vezes, uma profissional contratada para ajudar (babá, enfermeira). E o problema não é só o número e sim a qualidade desse cuidado, que tende a ser pragmático, focado em tarefas relacionadas somente ao bebê. Não há muito espaço para as necessidades emocionais da mãe nessa nova configuração cultural; especialmente quando a própria mulher foge da vulnerabilidade, da incoerência, do intangível (recomendo fortemente esse texto do pediatra Daniel Becker).

Nossa cultura pós-industrial, investida em promover aspectos materiais, concretos e mensuráveis, não consegue dar conta desse aspecto emotivo, ora transcendental ora sombrio. Ao invés de promover a vivência integral desse momento, tanto o bom quanto o ruim, as normas culturais nos chamam para o mundo externo: sentimo-nos na obrigação de pentear o cabelo e receber visitas, servir algo para os amigos e parentes, deixar todos segurarem o bebê, estabelecer rotinas de cuidados e dar algum sentido a toda essa transformação. Tem gente que marca até festas na maternidade, com direito a champanhe e buffet, para comemorar o nascimento, ignorando por completo a delicadeza e a singularidade do pós-parto. E não vou nem entrar no mérito da crueldade que é a cobrança de voltar à forma física de uma mulher sem filhos, como se aquele corpo, ainda dolorido, ainda se doando para outro ser humano, não merecesse as maiores honrarias e o mais sincero carinho pelo milagre que gerou!

Para piorar o quadro, há um fator psicológico contundente, que também é particular a nossa era: o fato de que, em geral, as mães escolheram, desejaram e planejaram esse filho. Se por um lado isso é bom, por outro, gera uma enorme expectativa/idealização. A maternidade, antes um aspecto comum e praticamente inevitável na vida de uma mulher com vida sexual ativa, se tornou uma condição elevada, quase santificada. Afinal, se não houvesse uma certa idealização alguém, com o luxo de escolher, se aventuraria a conhecer essa terra estrangeira de onde ninguém volta sem ser transformado para sempre? No fundo, a questão que nos assombra: “por ter sido desejada e planejada, como aceitar que nem tudo são flores nessa condição que eu escolhi e da qual não posso retornar?”

Não escrevi esse post para assustar ninguém nem para dizer que o puerpério é uma viagem às trevas. Tampouco quero convencê-la a ficar numa caverna lambendo a cria, como nossos antepassados neandertais, ao invés de chamar  as visitas, encomendar os bem-nascidos e realizar a fantasia de ter uma “bonequinha” para chamar de sua enquanto marca sua volta à academia com o personal trainer e liga pra farmácia para garantir o antidepressivo que o médico receitou “em caso de tristeza” (isso foi assunto do último post, hehe). Quero só que você saiba que o puerpério existe, e que é duro, mesmo quando é bom. Embora tenha quem negue ou diminua o fator “punk” do puerpério, a maioria das mulheres relata que os primeiros dias ou semanas após o parto são difíceis, surpreendentes, marcados por altos (cheiro de neném, pele de neném, bebê bêbado de leitinho materno!) e baixos (dúvidas mil, inseguranças, choro, medos inéditos, tristeza). Isso é normal. Isso é louco. Isso é a vida de mãe.

E para brindar à sua nova ou iminente condição materna, eis aqui um slideshow com imagens de mães reais com seus bebês de apenas um dia de vida, registradas pela brilhante fotógrafa inglesa Jenny Lewis para a série One Day Young, e trechos do livro Mulheres visíveis, mães invisíveis, da psicoterapeuta Laura Gutman.

Este slideshow necessita de JavaScript.

NOTA: Não sou psicóloga e minha intenção não é negar nem minimizar a depressão pós-parto, condição que afeta cerca de 15% das puérperas. O objetivo deste post é discutir os sentimentos ambíguos e intensos que caracterizam um pós-parto suportável e dentro da normalidade, sem que isso precise ser rotulado ou combatido. No entanto, se você suspeita que a tristeza, o cansaço e a irritabilidade estejam pesados demais, afetando sua autoestima e suas relações, consulte um psicólogo. Se perceber que está cogitando medidas drásticas para amenizar seu sofrimento, peça ajuda profissional com urgência. Não tenha vergonha: a depressão pós-parto acontece “nas melhores famílias” (mesmo!) e pode ser superada com o acompanhamento adequado.

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59 Comentários

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59 Respostas para “Precisamos falar sobre o puerpério

  1. Luiza

    muito obrigada por compartilhar ! Já li o da lua de leite.. eu e vicente já tivemos algumas…. quanto ao puerperio, estou nele! estou mergulhada com alegria e insegurança, decisões e leite! Viva!
    Luiza

  2. Esse post me fez muita falta há um ano qdo tive minha filha. Mergulhei num puerpuério enlouquecedor. O amor por minha filha não foi instantâneo, minha auto estima foi no chão, fiquei com mania de perseguição, ciúmes dos cuidados da minha mãe com a minha bebê, chorava demais, pensava:”_aonde fui amarrar meu burro…” O leite demorou a descer e como minha filha nasceu com baixo peso (2140 Kg), fiquei desesperada. Fora os grunidos que ela dava e nariz entupido, achei que ela estivesse com alguma coisa grave. Enfim, depois que passou, me perguntava: ” Por que ninguém fala sobre isso?” Sinto que algumas mães até negam esse período. Falo para todas as futuras mamães o que passei, não para que elas se assustem, mas para que elas não se sintam ainda piores pensando que são mães péssimas por se sentirem mal.

    • Estela

      Adorei sua sinceridade. Tambem por isso. Que bom que superamos nao e mesmo!!?? Grande abraco

      • Debora

        nossa passei por isso no fim da gestação uma medica maldita falou q minha barriga não tava grande e sim gorda e tava quase passando a hora d neném nascer e tavam me dando remédio pra segurar o bêbe mais um poko e o remédio não fazia mais efeito e eu tive ateh uma reação alérgica desse medicamento e tbm da anestesia da cesaria……fikei muito assustada agora depois q ele ja esta aki amo cuidar dele pois eh meu segundo filho mas tem hora q eu preciso de atenção e parece q ninguém entende e vivo brigando com meu esposo soh q tem horas q tenho certeza q alguma mudança ele tbm sofreu e tbm tem oscilações de humor

  3. Obrigada. Obrigada. Obrigada. Mil vezes.

  4. Rosa

    Muito bom ler este texto. a frase da laura gutman “quem sou” me deu colo e conforto. após o parto eu balançava meu bebê e chorava perguntando pra ele, pra mim quem sou eu? o que que eu faço agora?
    chorei todos os dias do primeiro ano ao cair da noite.

  5. paula

    texto perfeito.

  6. Marta

    Simplesmente a mais pura verdade!!! Minha filha, que hj amo mais que td nessa vida, está com 5 meses, linda, em aleitamento materno exclusivo e super saudável…entretanto, nos primeiros 40 dias costumo dizer que fui ao inferno e voltei!!! Punk é apelido !!!!

  7. Renata Gonçalves Meletti

    Clarissa, grande BINGO! encontrei “outro alguém” que pensa, sente, expressa… e como isso é maravilhoso. Sou a Renata, mãe de um garotinho de 4 anos, psicóloga clínica e hospitalar e autora do livro “Mãe recém-nascida – Construção de uma nova identidade” – Edicon. Tão bom podermos ressignificar nossas faltas, dores e reforçar nossos amores…
    Adorei cada parágrafo. Cada frase. Foram muito bem estruturadas e ofereceram um belo contorno de realidade. Parabéns. Espero poder trocar “vida de mãe” com você.
    Fan page: Mãe recém nascida
    Ainda estou tentando aprender a mexer nesse canal de comunicação. Considero fundamental viabilizarmos essas vias de trocas. PARABÉNS!!!

  8. Paula Passos

    Obrigada por este texto. Estou com uma princesinha de 10 dias e traduz muito do que estou sentindo!

  9. Muito bom o post! Estou no segundo filho e mesmo depois de 1 ano e meio do seu nascimento, ainda tenho sintomas de puerpério! rsss…
    Acho que especialmente quando a gente tem o segundo, acha que vai fazer tudo com o pé nas costas. E não. É no segundo filho que a vida realmente muda. Pelo menos foi assim pra mim.
    Obrigada por compartilhar e por me proporcionar esse momento de maior aceitação ;-)

  10. Muito bom Clarissa!
    Eu como doula, faço duas visitas pré-parto. A segunda visita é para falar especialmente sobre o puerpério.
    Percebo que as ficam muito preocupadas com o parto e esquecem essa fase. Também tendem a romantizá-la muito. E é verdade que muitas tem dificuldade em admitir que não estão bem. Tem receio de serem julgadas.

    bjs

  11. Cris Guilherme

    Muito obrigada. Esclarecedor!!! Me sinto melhor, pois estava pensando que eu era uma péssima mãe, mas não, é o puerpério. Como mãe de “primeira viagem”, fiz vários cursos de gestante, porém, em nenhum deles foi tocado sobre este assunto. Do contrário, o primeiro mês de vida com o meu filho teria sido bem diferente. Como outra mãe postou acima, obrigada, obrigada, obrigada…mil vezes obrigada por compartilhar o texto e acalmar o coracao desta nova mae aqui. Desde que descobri o site passo quase que diariamente por aqui. Abraços e muita saúde aos nossos filhos.

  12. Maria

    Bem bacana o seu texto. Parabéns! É bom ler uma mãe escrevendo sobre isso em um blog de acesso geral. Sou psicóloga recém-formada e escrevi meu TCC sobre o assunto e garanto que há bastante informação e textos incríveis que abordam de maneira científica os pontos que você levantou. O problema é que esses textos geralmente são bastante técnicos e publicados em revistas indexadas com pouco acesso ou divulgação para pessoas leigas. Por isso fiquei feliz de ler isso hoje. Continue assim!

    Ps: há um livro fácil e gostoso de ler que explica de onde surgiu e o porquê dessa ideia da maternidade idealizada. Chama-se “Um amor conquistado: o mito do amor materno” da Elisabeth Badinter. Tem disponível online caso tenha interesse. E não se assuste com o nome, ele não vai dizer que o amor que você sente não existe.

    • Que bom que gostou do texto, Maria! Eu não sou mãe ainda, mas sou apaixonada por bebês e pela maternidade, então acabo lendo e refletindo muito. Também fiz um curso de doula pós-parto, onde falamos bastante sobre o puerpério. Já me recomendaram o livro da Elisabeth Badinter… preciso mesmo conhecê-lo! E o seu TCC, está disponível para leitura? :D Apareça mais por aqui – adoraria trocar ideais contigo! Abraço, Clarissa

  13. Dani

    Minha filha esta completando 7 semanas… Minha resposta ao texto foi em forma de lágrimas… Obrigada …

  14. E esse período demora mais que meses, agora que minha filha vai fazer 3 anos que estou voltando ao “normal”, tudo que nos cobram. Nós mudamos como mulheres e e muito estranho se acostumar com essa nova mulher.

  15. Karen Weber

    Sensacional! Parece que vc entrou na minha alma. Que tal um texto assim sobre amamentação? Obrigado.

  16. Nós precisamos aprender a falar sobre isso. Quando tive minha filha há 1 ano e 2 meses, passei por todo esse misturado de emoções e a pior delas era sentir solidão. O que tu comentas no início, sobre as tribos, acredito que seja o que mais nos falta, pois estar perto da família nos ajuda a colocar os pés de volta no chão. Obrigadíssima por escrever esse texto tão cheio de verdade. :)

  17. Mariana

    Excelente texto! Compartilhei! Sou psicóloga e quero te dizer que o teu texto não deixa nada a desejar para a Psicologia! Esse assunto realmente precisa de mais reflexão e sensibilidade. Muitas mulheres sofrem sozinhas por falta de conhecimento da maioria das pessoas (inclusive delas mesmas)… Parabéns!

  18. Escrevi sobre isso há alguns dias… Sou psicóloga, apaixonada pela psico puerperal, as mães precisam ser ouvidas, olhadas, precisam de cuidado… após o parto ficamos fragilizadas e tão pouco é feito pela mamães, mães precisam de atenção e carinho!!
    Parabéns pela iniciativa!!
    http://www.psicomaterna.blogspot.com.br/2014/07/puerperio.html

  19. Mencionei seu texto e colei o link no meu blog: Os Trigêmeos da Michele (www.ostrigemeosdamichele.wordpress.com) com seu crédito. Achei muito bom. Eta fase ruim essa, hein? Hehehehe

  20. Vanessa

    Maravilhoso este texto, estou passando por isso e estava desesperada e me sentindo culpada por só ter motivos de alegria, afinal meu filho e saudável, lindo, enfim…estava com medo de estar com pânico ou ficando louca…meu Deus, como é bom sentir-me mais calma, obrigada.

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  23. Republicou isso em DESNECESAREAe comentado:
    Puerpério

  24. Sabrina

    Muito bom o texto. Relata exatamente o que acontece nesse momento Especial e Inseguro na vida da Mulher!
    Vira nossa vida e sentimento de cabeça pra baixo.

  25. Camila

    Adorei o texto, mesmo não me identificando com o puerpério descrito! Esperava algo terrível, o que não foi, tudo ocorreu até tranquilamente. Senti falta de alguém para me ajudar nos afazeres domésticos, me frustei por não obter a ajuda que esperava de nossas famílias, pois meu marido voltou a trabalhar após 5 dias, mas assim me senti a vontade na minha casa, e os pitacos com a minha bebê foram menores, estou aprendendo a ser mãe há 45 felizes dias, nem tudo são rosas, mas não encontrei nhum espinho também. Todos comentam como estou segura em cuidar da minha filha por ser mãe de primeira viagem, e acredito que estou me saindo bem!

  26. Milena salvador

    Seu texto e muito b escrito mas Tb não podemos generalizar por esse lado. Sou mãe de dois e meus pôs parto foram os momentos mais felizes da minha vida!!! As vezes há tanta reclamação q me sinto uma alienada….

    • Milena, conheço outras que tiveram puerpérios tranquilos. Que bênção! Mas eu queria falar justamente sobre os casos que não são tão fáceis – já que esses outros puerpérios “cor de rosa” já vimos bastante nas propagandas da Natura e da Johnson’s ;) Abraço, Clarissa

  27. Fernanda

    Olá! Sou mãe há 18 dias e psicóloga… Adorei o texto!!! Achei muito claro, ponderado e verdadeiro! O pós-parto é um momento de emoções diversas e paradoxas, um momento no qual, por mais que outras mães relatem suas experiências, é preciso viver pra entender! A sua vida MUDA, se transforma, não é mais possível pensar apenas em você! Tem um serzinho que depende MUITO de você, principalmente de você, mamãe! Aceite as novas responsabilidades, ponha a mão na massa e espere que o amor incondicional e as recompensas da maternodade vão chegar… normalmente nessa ordem e não o contrário como aparece no senso comum! Desejo que Deus abençoe, capacite e dê aquilo que cada mãe precisa pra viver esse momento da forma mais saudável possível !!! Abraço!

  28. Carolina

    O texto é perfeito. Sou mãe de um menino de 6 anos e estou esperando uma menina (7 meses). Quase surtei na primeira semana de puerério do meu filho. Ele acordava muitas vezes para mamar e eu não dormia direito. Estava me recuperando da cesárea (com pressão alta) e ainda tinha que equilibrar essa adaptação difícil com os ciúmes e pitacos da família. Nesse momento a gente espera que nossos pais e sogros sejam mais maduros, por serem mais velhos e experientes, mas não são. Infelizmente. Agora que já sei como as coisas são, estou colocando os pingos nos “is” desde antes da minha filha nascer para não ter maiores estresses. O puerpério por si só já é carga demais para carregarmos.

  29. eliane pokrywiecki

    pena ler isso só agora… minha filha tem 10 anos e sou tudo isso que este post fala, senti tudo mesmo. a dor e a alegria de uma filha planejada, de um contesto sociocultural maldito que me deixava deprimida porque parei minha vida(mudei de cidade com 5 meses, tranquei a faculdade, sai do meu trabalho) longe da minha familia meu seio familiar dos meus alicerces e de amigos verdadeiros, sem renda, sem minha mae por perto, sem amigos, num contexto onde achava que iria ser acolhida e fui massacrada porque nao trabalhava fora, nao tinha renda, nao fazia nada… me anulei como mulher, profissional, amiga, esposa… só via minha filha na frente(graças a mim, um ser humano divino) pois me dei por completo, em tempo integral sem reserva alguma, nao me poupei, nao me economizei pra ela e hoje vejo o resultado!!!! graças a mim que fui forte, superei e vivo tranquila com isso, nao terceirizei os cuidados dela pra ninguem – ficou comigo e com o ESPIRITO SANTO, que me manteve fiel e me colocou de pé… sou uma mulher de coragem e perseverança!!!! beijinho no meu ombro…

  30. Excelente texto! As mães precisam mesmo de apoio e instrumentos que as ajudem a superar as transformações. Como psicóloga, trabalhando com Consultas Terapêuticas no período pré e pós parto, ofereço momentos de aconselhamento (Counseling) com base nos conhecimentos da psicanálise e do Processo de Maternagem propostos pelo Dr. D. W. Winnicott, que ajudam as novas mamães e seus bebês a atravessarem esses momentos de tantas mudanças. Ambos merecem estar cercados de tudo que possa tornar, essa maravilhosa experiência de trazer a vida um novo ser, uma vivência de autoconhecimento e aprendizagem.

  31. Cácia Cerize

    Eu acho que as pessoas não percebem que é um momento de magia e aceitação das novas condições na vida das mamães, um dia desses disse que talvez fosse melhor receber muitas visitas apenas uma semana depois e fui bem julgada por esse pensamento :( eu só queria garantir que estaria pronta para as perguntas e “dicas” mas pelo que vi seria muita frescura ( perdoe a palavra) minha pedir isso.

  32. Kátia Rangel

    Olá pessoas! Meu nome é Kátia, sou mãe de um bebê de 1 ano e gostaria de compartilhar, ou melhor, desabafar a minha experiência de puérpio. Tudo ia muito bem, um lindo sonho de mãe, c um bebê perfeito e papai carinhoso que, ao chegar do trabalho no final da tarde (quase sempre) assumia as tarefas que eu, cansada, não queria mais fazer e, assim, eu conseguia tempo até mesmo para dedicar-me à pós-graduação – que é uma das minhas paixões -, tomar banho demorado, cuidar de mim, dormir mais cedo… . Até que o fim da licença maternidade demandou que eu retornasse ao estado onde trabalho, já que optei por não largar o emprego dos sonhos e permanecer em SP junto minha família e esposo, na linda casa onde morávamos. Assim fomos, eu, bebê no colo e minha mãe, montarmos uma nova casa em outro estado… eu sabia que seria tão estressante mas, na sociedade do trabalho, é preciso muita coragem p largar um super emprego, ainda mais quando se vem de uma família que precisa trabalhar para sobreviver, de modo que eu queria, pelo menos, tentar conciliar maternidade + trabalho + estudos.
    Eu acreditava que conseguiria dividir a sobrecarga de tarefas com minha mãe, o que não aconteceu, apesar d’ela estar lá, disposta o tempo todo p me ajudar, a fazer por mim o que eu precisasse, mas eu não consegui, por estar acostumada a fazer tudo sozinha, do meu jeito, super centralizadora, até que o tempo que ela podia ficar comigo acabou e passei a acumular uma sobrecarga de atividades (bebê + casa + trabalho + pós-graduação) que eu só dava conta quando ficava acordada até às 04h, acordando entre 05h e 06h30 p a primeira mamada e, levantando da cama não mais do que 08h p recomeçar um novo dia, que nada mais era do que a continuação de outros dias mal dormidos. Foram poucas vezes que, nessa rotina insana, meu peito ficou cheião de leite, ou que lavei o cabelo tranquilamente enquanto meu filhote dormia – esse era o meu luxo. Eu não me arrumava p trabalhar, apenas colocava uma roupa, e ia trabalhar – sou professora numa universidade pública e, minha rotina de trabalho me permite fazer quase tudo em casa, e tinha o apoio dos meus colegas de trabalho para dar as caras na universidade apenas para dar aula e orientar os alunos; me dispensavam de reuniões, reuniões e reuniões, de comissões, de participar de projetos e, ainda assim, preparar aulas, corrigir os textos dos alunos e estudar p a pós era muito difícil pelo pouco tempo que sobrava. Meu coordenador, o Pablo Fernandez, me entendia sem questionar nada e permitia qualquer ausência na universidade que eu lhe solicitasse.
    Nesse período, meu filhote ficou internado por conta de uma garganta inflamada medicada com um antibiótico (amoxilina + clavulanato de alguma coisa) que deu uma super diarréia que o fez desidratar e ficar 1,5 no hospital tomando soro. E, por mais tenso que possa ser, minha super vizinha Lena Vânia me amparou e meus amigos locais e, também colegas de trabalho, Roni, Alexandro, Eliane e Meire nos fizeram companhia no hospital, para que não ficássemos sozinhos lá e nos levaram o almoço e o jantar do domingo em marmitex.
    O ponto crítico foi quando a maravilhosa babá que ficava c o Pablo nos horários de trabalho foi embora, indicou um primo de 18 anos p cuidar do Pablo e eu aceitei. Nunca vou esquecer que, no 2o, dia dele, saí de casa chorando p dar aula, afrontada em todos os meus limites pelos relatos de maus tratos contra crianças que já escutei – afinal, ele ainda era um desconhecido para mim. Chegando na universidade, para minha maravilhosa surpresa, não teve aula! As aulas começariam apenas no dia seguinte.
    Foi o tempo necessário para conversar com uma nova babá e, desta vez, fomos todos p a aula: eu, bebê e a nova babá; lençol forrando o chão, brinquedos sem música, janta, água, suco e maçã, tudo pronto na mochila e a aula rolando super tranquila. Eu nem esperava que fosse tão tranquila e, o Pablo, distraindo-se com seus brinquedos, ao mesmo tempo que curioso com o novo ambiente, ficou olhando tudo atentamente, de modo que eu nem o escutei durante a aula. Ele se deu super bem com a babá – o que já era de se esperar, já que ele é um bebê super sociável – e a babá se deu super bem com ele.
    Esse trechinho ruim da nossa história aconteceu durante 7 meses e, depois que a nova babá chegou, há 1 mês, tudo tem sido tão melhor! Melri, que tem a minha idade, é mãe de 2 adolescentes e passou a cuidar do meu filhote não apenas nos horários em que preciso ir para a universidade, mas, também, nos horários em que estou em casa, de modo que posso trabalhar e estudar enquanto o Pablo tem colo disponível, passeia na laje super fresquinha do prédio ou, na rua tranquila onde moramos, toma o lanche da tarde, brinca no banho…. que continue assim

    • Olá Kátia, que bom que você encontrou um esquema que funcionou para sua família. Não deve ser fácil mesmo, mas com criatividade e boa vontade, nós conseguimos superar os desafios. Abraço, Clarissa.

  33. Renata

    Adorei o post! Acredito que precisamos desmistificar esse ideal que existe na sociedade! Até para que esse momento Seja vivido em sua plenitude.
    Bj e Obrigada!

  34. Jacinta

    vou ser mãe pela segunda vez e ontem nas aulas de preparação para o parto falei exatamente disto…esta parte ninguém nos explica, é tudo muito lindo e depois entrei em “choque” porque não senti o tal amor incondicional logo á nascença,porque não conhecia o meu corpo,porque deixei de ser “mimada” para ser esquecida,porque estava demasiado cansada para ser mae,mulher,esposa….sei lá foi difícil mesmo e achava que mais ninguém tinha passado por aquilo,só eu! obrigada
    ps- já enviei este texto para a enfermeira das aulas de preparação para o parto!

  35. thais afonso

    Passei por isso ha 16 mese e foi horrível. No meu cha de bebe uma colega com sua bebe de três meses me disse que o primeiro mês era horrivel. Mas eu não acreditei. Eu senti falta da vida de antes e me perguntava quando iria dormir. Me senti sozinha e ninguém me compreendia. Quando me viam chorando só falavam:” você ta com sua filha e com saude quer mais o que?” mas acho que as próprias pessoas devem ter conhecimento sobre o pos parto e o apoio que devem dar. Elas não sabem. Só acham que precisam ajudar a dar comida pra mãe, ajudar nas atividades do lar e com bebê. Mas esquecem-se do emocional. Os parentes devem dar um suporte emocional enorme as mães. Eu senti falta desse apoio emocional dos familiares.

  36. Mayra

    Parabéns pelo post… É tudo isso mesmo q passamos e sorte daquela q não passa.

  37. Realmente, achei muito interessante esse post… Sensacional! Me sinto confortada por todo aperreio que passei.. Nao tenho mais mae. Tenho uma irma mais velha que saiu de sua cidade para me apoiar no dia do parto e que permaneceu em minha casa mais uma semana, tentando me ajudar… O carinho do marido desapareceu na primeira semana depois que chegamos do hospital, pois eu nao conseguia amamentar e isso alem de me frustrar muito, ainda me serviu para ser tachada de assassina por ele sempre que minha filha tinha colicas… Foi um periodo realmente dificil… Muitas pessoas sem nocao dando palpites e pitacos que nao acrescentavam nada de bom e mais faziam atrapalhar e confundir ainda mais. Bom, mas todo esse periodo foi superado, gracas a Deus e continuo achando que ser mae eh um estado de graca, e sim, um milagre lindo. Amo muito minha filha e por todo esse amor que sinto, tenho muita vontade de ter mais uma crianca…

  38. Kátia Rangel

    26/12/2014 – O significado de padecer no paraíso
    “Quando vc está cansada e suportar é a estratégia do dia, bem como olhar p algum lugar e pensar q vai passar é o refúgio.

    Pela repetição de situações assim e ausência de oferta de ajuda, o projeto é revisitado no sentido de seguir autonomamente em relação aos demais, o q te torna autônoma, mas resulta na repetição destas situações.

    Eu cansada, c o Pablo…. solidão e im pedido sufocado de ‘alguém pode ficar c ele p eu descansar?

    E depois dele dormir, VC senta, se encolhe e chora, só p aliviar”

    Ou quando queria pedir ajuda, mas entende que esse barco é seu, que vc suporta e consegue, que poderia pedir ajudar, mas na ausrncia de uma oferta, prefere ficar no seu canto, suportar o cansaço sozinha, pq cada um tem q fazer o seu tanto e, VC TB. Portanto, na boa, quem se fudeu foi VC. Vc não sabe se revela sua dificuldade, sua tristeza, sua fragilidade pq, não se sente a vontade p tal, pq vão achar q isso é manipulação, q é exagero, q ela é grossa e não merece, q se ela conseguir é problema dela e ninguém se importa c isso, q o legal é saber das aventuras SP-MCP

  39. Fabíola

    Estou passando por isso. Enlouquecedor!

  40. Patrícia Jasset

    E quando se passa por uma cesárea e não tem ninguém pra ajudar a cuidar do bebê e da casa? Meu companheiro trabalha numa cidade vizinha à nossa e passa o dia inteiro fora. Esse foi meu caso e foi pesadíssimo no início. Realmente não é uma situação fácil.

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  42. Pingback: ♥ Meu Grão de Amor ♥

  43. paula ferreira

    Quando minha filha nasceu eu pensei, o que ha de errado comigo? de onde surgio essa tristeza em um momento tão mágico que é a maternidade? cadê aquele amor incondicional que uma mãe deve sentir por um filho? Fiquei alguns dias me questionando e sofrendo calada por receio do julgamento dos que ali estavam vivenciando esse momento comigo, pensando será que estou com depressão pós parto? Dai resolvi pesquisar e descobrir que eram sentimentos completamente normais nessa fase, fiquei 9 meses me preparando pro meu bebê li muitos coisas, participei de grupos de gestantes no Facebook em todo esse tempo não se foi mencionado essa tema. Dai então conversei com meu marido que me deu suporte e atenção, entendemos juntos o que estava acontecendo comigo, e naturalmente foi passando em poucos dias estava curtindo minha bebê e sentido esse amor incrível verdadeiramente incondicional. Parabéns por falar desse assunto, acho que todas as futuras mamães deveriam ser alertada da possibilidade de passar por esses momentos, deveria ser explicado no pré natal até mesmo para que a mulher possa distingui o puerpério de uma depressão e saber como buscar ajuda se necessário.

  44. Débora

    Isso é o que nos falta: gente que fale a verdade. É mágico ter um bebê. Só consegui o meu, sem tratamento algum, dezesseis anos depois do casamento. Já nem esperava mais… Fiquei muito feliz com a novidade. Porém ninguém me falou como era difícil viver essas primeiras semanas. Estou sobrevivendo, mas Deus sabe o quanto é difícil. Vai de um extremo ao outro: felicidade e tristeza intensas. Se eu tivesse lido algo assim eu estaria mais preparada para viver esses dias iniciais. Aprendi na marra. Mas a alegria de ter meu bebê no colo faz tudo valer a pena…

  45. JULIANA LACERDA FERREIRA .

    Poderia escrever um textão, mas só agradeço. …meus dois partos “normais” me trouxeram meus lindos filhos e um desespero imensurável. …. a gestante não é só um porta bb. A mãe recém parida não é um porta leite…. dêem atenção e carinho a elas…

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  48. Silvana Miranda

    Nunca glamourizei o pós parto. Tive três gravidezes ótimas e pós partos até tranquilos. Mas não nego que fiquei louca quando nasceu meu segundo filho e mesmo com marido, mãe e empregada, vi minha filhinha de apenas um ano correndo pelo quarto da maternidade. E quando veio o caçula (planejado e amado) não foi fácil também.
    Fico puta (desculpe!) quando leio ou vejo estas celebridades endeusando a maternidade. O pós parto, suas barrigas tanquinho com 15 dias do nascimento do rebento, suas caras lindas de quem dormiu a noite toda, afinal a babá estava lá.
    Não cheiram a leite azedo, não sentem dor, não incham, não ficam com medo… Será que só eu sofri. Amando e feliz, mas sofrido.
    Vamos parar de mentir garotas!
    Amei seu texto! Meus filhos já estão grandes e eu ainda lembro das noite insones…

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