Arquivo do mês: setembro 2012

Uma introdução às fraldas de pano modernas (Parte 1)

Dizer que sou fã das fraldas laváveis é pouco: por motivos estéticos e ecológicos, tenho uma verdadeira paixão por elas (veja a minha declaração de amor aqui). Mas reconheço que, para as não iniciadas, o universo das fraldas de pano parece impenetrável e assustador. Como funcionam? Por que tantos tipos? Como será o ritual de lavagem das fraldas? (E o cocô, meu Deus?!)

Este post, então, é uma tentativa de indicar o caminho das pedras para quem tem curiosidade e interesse em explorar o universo das fraldas de pano (daqui pra frente usarei a sigla FP, ok?). Só uma advertência: Cuidado, pode ser um caminho sem volta!

A Parte 1 será um resumo dos diferentes tipos de FP no mercado, cada uma com suas vantagens e desvantagens.

À moda antiga: fralda tradicional + fixa-fralda ou alfinete + capa impermeável ou calça plástica
Trata-se de um quadrado de algodão fino (a fralda), dobrado até ficar no tamanho e formato certos, fixado com um aflinete ou fixa-fralda (veja a foto), e depois coberto por uma capa ou calça plástica impermeável.
Vantagens: econômico, fácil de lavar, seca rápido
Desvantagens: requer prática para dobrar, demora (2 etapas), capas precisam ser compradas por tamanho, método visto como antigo, sem charme
Marcas nacionais: Cremer (fralda) /Lolly (fixa-fralda) / Chumbinho (calça plástica)
Marcas importadas: OsoCozy e Diaper Rite (flat diaper – ver também prefold) / Snappi / Thirsties, Bummis, Gen-Y  (cover)


Versátil e à prova de vazamentos: fralda ajustada + capa impermeável
A fralda, que pode ser de algodão, bambu, cânhamo ou uma combinação de materiais, é costurada em formato de fralda com botões ou velcro para fechar. Por não ser impermeável, é necessário colocar uma capa por cima. Pode-se usar absorventes extras para aumentar o poder de absorção.
Vantagens: absorvente, fácil de vestir, lindas estampas, simples de lavar, pode ser usada sem capa (em casa)
Desvantagens: colocada em 2 etapas, volumosa, geralmente comprada por tamanho
Marcas nacionais: Mamãe Natureza, Ninho da Coruja (fraldas)/ Chiquita Bacana, Fralda Madrinha, Mamãe Natureza, Ninho da Coruja (capas)
Marcas importadas: Kissaluvs, Bamboozle, Blueberry, Kiwi Pie, Sustainablebabyish, Imse Vimse (fitted diapers)

Fresquinha e compacta: Capa de algodão com suporte + recheio
A capa, nesse caso, parece uma calcinha de algodão, em que se afixa um suporte de plástico. Dentro desse suporte, coloca-se um recheio, que pode ser uma fralda tradicional dobrada ou um bolsinho de tecido que mantém a sensação de “sempre seco” recheado com panos de algodão ou microfibra. Fecha com velcro.
Vantagens: pouco volumosa, simples de colocar, fresquinha, possibilidade de trocar só o recheio e reutilizar a capa e o suporte, estampas bonitas
Desvantagens: comprada por tamanho, pode vazar se for mal ajustada, menos absorvente que outros estilos
Marcas nacionais: Efral, Mamãe Natureza, Morada da Floresta
Marca importada: gDiapers

Prática e absorvente: Fralda com bolso (ou Pocket)
Como a ajustada, a fralda com bolso tem o formato inteligente e é ajustada com botões ou velcro. O diferencial é o material impermeável (geralmente a camada externa) e o bolso na parte interna para colocar absorventes ou recheios. Fora a etapa de rechear a fralda, ela é tão simples de colocar quanto uma fralda descartável.
Vantagens: super absorvente, fácil de colocar, camada sempre seca na parte interna, tamanho único
Desvantagens: “usou, lavou”, precisa tirar o recheio antes de jogar na máquina, volumosa, mais cara
Marcas nacionais: Chiquita Bacana, Dipano, Fio da Terra, Fralda Bonita, Fralda Madrinha, Morada da Floresta
Marcas importadas: BumGenius, Fuzzibunz, Charlie Banana, Blueberry, Rumparooz, Popolini

Mais simples impossível: Fralda tudo-em-um (ou AIO)
Como diz o nome, essa fralda, como uma descartável, é uma peça única: ou seja, ela tem tudo para deixar o bebê seco e confortável sem requerer muito esforço da sua parte. Sujou? É só tirar e jogar no balde para lavar depois.
Vantagens: qualquer um consegue pôr (até os mais resistentes às fraldas de pano, como os cuidadores do berçário, geralmente não se opõem), costumam ser tamanho único e possuir camada sempre seca
Desvantagens: “usou, lavou”, demora muito para secar, mais cara
Marcas nacionais: Fralda Bonita, Morada da Floresta
Marcas importadas: GroVia, BumGenius, Imse Vimse, TotsBots Easyfit

Na Parte 2 escreverei sobre as principais dúvidas relacionadas à lavagem das fraldinhas e o dia a dia de quem optou pelas fraldas de pano. Até breve!

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Liberdade para Nascer – estreia mundial, inclusive no Brasil!

“Para mudar o mundo primeiro é preciso mudar a forma de nascer” – Michel Odent, obstetra francês e um dos maiores defensores mundiais do parto natural protagonizado pela mulher

Apesar de não concordar 100% com as implicações, gosto muito dessa frase do Odent. Mas prefiro pensar o inverso: para mudar a forma de nascer primeiro é preciso mudar o mundo. Acho que os diretores do filme Freedom for Birth, cujo título pode ser traduzido como Liberdade para Nascer ou Liberdade para o Parto (dependendo do ponto de vista),  terá sua estreia mundial HOJE, dia 20 de setembro, concordariam. Defensores dos direitos humanos, o filme surgiu em defesa à parteira húngara Agnès Gereb, presa em sua terra natal após uma linda carreira ajudando as mães a darem a luz em casa, porque a Hungria considera o parto domiciliar ilegal.

Como vocês podem ver no vídeo acima, o filme promete ir muito além da injustiça na Hungria ao entrevistar grandes nomes da humanização do parto e nos convocar para uma revolução de mulheres a favor da liberdade para nascer e retomar o protagonismo do parto.

Várias cidades do Brasil vão participar desse momento histórico e queria compartilhar os endereços e horários com vocês.

SÃO PAULO

  • 12:30 e 18:00  – EACH USP, Auditório Verde (Zona Leste) – R. Arlindo Béttio, 1000 – Ermelino Matarazzo
  • 15:00 – SESC Santo André, Auditório (ABC) – R. Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar
  • 15:00 e 20:00 – GAMA (Zona Oeste) – R. Natingui, 380 – Vila Madalena
  • 18:30 – LUMIAR – Núcleo de apoio e proteção à maternidade (Zona Norte) – R. Padre Roberto Wals, 71 – Mandaqui
  • 20:00 – Casa Moara (Zona Sul) – R. Guararapes, 634 – Brooklin Paulista

RIO DE JANEIRO

  • 19:30 –  Universidade Cândido Mendes, Auditório – Rua Joana Angélica, 63/ 6 o. andar – Ipanema
  • 18:30 – Universidade Veiga de Almeida, Auditório – Rua Ibituruna, 108 – Tijuca

BELO HORIZONTE

  • 19:00 – SESC Palladium – Av. Augusto de Lima, 420 – Centro

BRASÍLIA

  • 13:00 – Faculdade de Ciências da Saúde, Auditório 1 -Universidade de Brasília

FORTALEZA

  • 18:00 – Mãe do Corpo – Espaço de Apoio à Maternidade – R. Pindorama, 268 – Eng. Luciano Cavalcante

CUIABÁ 

  • 19:00 – SOS Amamentação – R. Nápoli, 423 – Jardim Itália

RIBEIRÃO PRETO

  • 19:30pm – Despertar do Parto – R. Itacolomi, 480 – Subsetor Sul 1

 PORTO ALEGRE

  • 20:00 – Centro Cultural Espirita de Porto Alegre – Rua Botafogo 678 – Bairro Menino Deus

CERQUILHO (SP)

  • 19:30 – Centro Educacional Pintando O Sete – R. Ver Pedro Gayotto, 360

Espero que vocês possam me ajudar a divulgar o evento – mesmo que algumas sessões já tenham começado! – compartilhando esse post ou o vídeo do filme em seus Twitters, perfis de Facebook, em emails para amigos etc. Se souberem de mais alguma exibição aqui no Brasil, por favor coloquem na sessão de comentários! Agradeço, desde já, a ajuda de vocês.

E depois voltem aqui para falarmos sobre o filme!

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Socorro, meu filho não quer comer!

Olha, mesmo correndo o risco de soar insensível, preciso confessar: nunca entendi aquelas mães que são obcecadas com a falta de apetite do filho ou que ficam perplexas por suas frescuras preferências com relação à comida. Minha reação sempre foi pragmática ao extremo: se ele não quer comer, então não está com fome e, portanto, não há nenhuma razão para se preocupar ou se ele só quer comer batata frita/ chocolate/ biscoito Maria é obviamente porque os pais o acostumaram assim e basta que retirem as porcarias do cardápio e ofereçam outros alimentos. Simples assim.

Será?

Bom, a verdade é que não deve ser nada simples viver com um filho que não quer comer. Mas também não precisa ser assim tão complicado! Agora que entendo bem mais sobre as necessidades dos bebês e das crianças pequenas continuo convicta de que a melhor estratégia para lidar com uma criança difícil para comer é começar com uma abordagem “menos é mais”: menos pressão, menos chantagem, menos neurose. Estou convencida de que as dificuldades de alimentação dos filhos começam (e provavelmente terminam) com as expectativas (irreais, mal informadas) dos pais.

Antes que você se revolte comigo e lance um “ah, mas você não sabe como sofro com isso!” peço que me escute; vou explicar o porquê desse meu raciocínio nada convencional.

Primeiro ponto: Uma criança tem instinto de sobrevivência. Isso significa que ela só irá morrer de fome se estiver muito doente. E, se esse for o caso (bata na madeira), acredite, você saberá. Um dos sinais mais óbvios é a perda de peso. Se seu filho come pouco, tem pouco apetite ou mostra preferência extrema por alimentos restritos, mas continua ganhando peso (mesmo que lentamente) e se comportando normalmente no dia a dia, então pare de se preocupar com sua alimentação e seja feliz (e permita que ele também o seja). Isto é especialmente verdadeiro se a criança ainda mama no peito. O leite materno – ao contrário das crendices populares e da ignorância divulgada por certas figuras midiáticas – tem um valor nutricional importante mesmo após os primeiros 6 meses ou os primeiros 2 anos preconizados pela OMS e pelo Ministério da Saúde. As comidas sólidas devem ser oferecidas a partir do sexto mês, mas não se tornarão a principal fonte de nutrientes do bebê da noite para o dia.

Segundo ponto: É bastante provável que as expectativas de quanto seu filho deve comer estejam equivocadas. Se você ou o seu pediatra estiverem usando como base a “média” das crianças, o erro está aí. As médias servem para guiar, mas quase nenhuma criança está na média. É uma questão de lógica: a maioria das crianças está ou acima ou abaixo da média! Portanto, se o seu filho está no percentil 25 da tabela de peso para bebês de sua idade, ótimo! Por que esperar que ele esteja no percentil 90? Isso não é uma prova de colégio: estar num percentil baixo não significa estar “no vermelho”! Outra coisa: na hora de pôr o prato do seu filho, lembre-se de que o estômago de uma criança de 10/15/20 quilos não é o mesmo que o estômago de um adulto. Uma maçã representa só 1/3 do seu estômago, mas 100% do estômago de um bebê!

Terceiro ponto: A opinião vigente sobre como seu filho deverá comer é limitada, pouco criativa e, muitas vezes, ineficaz. Como assim opinião vigente? A visão que as pessoas (pais, pediatras e terceiros) têm sobre a alimentação infantil é basicamente esta: de seis meses a um ano, aproximadamente, ofereça papinhas de legumes, frutas amassadas, suquinhos ou mingaus; depois disso, sirva “comidas de criança” (arroz, feijão, macarrão, carninha, biscoito). Eu rejeito veementemente este modelo limitado e insosso. E digo mais: acho isso um desrespeito à criança, que, como ser humano curioso e complexo, tem vontade de experimentar uma diversidade de sabores e texturas e se esforça para se aproximar dos pais e irmãos mais velhos em seus hábitos e habilidades. Esse modelo em duas etapas – comidas “para bebês” e comidas “para crianças” – é puramente cultural: seu filho não precisa comer dessa forma! Você pode começar a oferecer os alimentos da família a seu bebê a partir do momento em que ele demonstrar interesse em pegar a comida com as mãos e levá-la até a boca. Aliás, isso não parece muito mais simples, prático e lógico? Claro que adaptações serão necessárias: talvez você tenha que tirar ou reduzir o sal, deixar os legumes menos al dente e mais cozidos, maneirar nos temperos, cortar a comida em pedaços que cabem na mão… Enfim, seja criativo!

Quarto ponto: Comer não é somente um ato nutritivo, mas um ato social, regido também pelas emoções. Da mesma forma que mamar não é só sobre nutrientes, mas também sobre carinho, proteção, proximidade, diálogo e, sobretudo, relacionamento com a mãe, comer também ganha um valor muito acima da mera sobrevivência. Comer é um ato familiar e de grupo. É na companhia da comida que compartilhamos histórias, confidências, risos com nossos amigos e parentes. Frequentemente, é também  onde acontecem os momentos não tão cor-de-rosa relacionados a estar com a família. Portanto, tentar dissociar a alimentação do prazer do convívio social é um equívoco. Cercado por carinho, atenção e tranquilidade, aposto que mesmo a criança mais desinteressada na comida ficará mais propensa a experimentar a comida que seus companheiros de mesa estão comendo.  Nesse sentido, concordo com os noruegueses da Stokke, que criaram a genial cadeira Tripp Trapp para que os bebês sentem na mesa e partilhem das refeições da família.

Portanto, se você ou alguém que você conhece não está feliz com a relação do seu filho com a comida, talvez esteja na hora de repensar as suas expectativas pessoais e culturais e parar de pôr a culpa no coitadinho. Para solucionar o “problema”, minhas dicas são:

  • Não faça um desmame abrupto. Ele sofrerá muito menos se começar a comer sólidos aos poucos e continuar recebendo a nutrição e o conforto do seio materno.
  • Esqueça as papinhas e os mingaus; em vez disso, ofereça alimentos interessantes, de preferência os mesmos que você mesma come, e deixe que ele experimente comer sozinho (uma boa ideia: forrar o chão com uma toalha ou uma folha de plástico).
  • Não veja as orientações do pediatra como uma receita médica: seu filho não precisa comer exatamente o que está no papel, muito menos nas horas específicas estipuladas no cronograma. Alimentação não é doença.
  • Evite insistir, chantagear, implorar ou esbravejar. Mantenha um clima tranquilo, sem pressão.
  • Coma você também junto com ele. Ou melhor – aproveite a oportunidade para reunir a família, falar sobre a comida e os sabores e ensinar o prazer da comida.
  • Confie no seu filho – ele sabe se alimentar.

Recomendo fortemente que assista ao vídeo do meu guru Carlos González sobre Alimentação livre de Papinhas (em espanhol). Ah, por falar em vídeo, se quiser saber mais sobre a cadeira Tripp Trapp, veja também o filme promocional da Stokke ou, se for moradora do Rio, visite a loja What Mommy Needs – Eco Family Store, na galeria Ipanema 2000, e experimente-a ao vivo e a cores!

Boa sorte e, sobretudo, bon appetit!

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O custo de um filho

No mês passado a Folha de São Paulo publicou uma matéria que abre com a seguinte pergunta: “quanto custa um filho?” Como pertenço a uma classe socioeconômica em que é culturalmente aceito e esperado levar em consideração o quesito grana antes de engravidar, li a matéria com bastante interesse. Fiquei chocada quando vi a cifra de 2 milhões (custo total até completar 23 anos de vida, para um filho de classe média). Lembro bem do dia em que um parente – que ganha bem mais do que eu e meu marido juntos-  advertiu, com toda sua prepotência: “pense bem se vocês têm grana para ter um filho”. Reagi com raiva na hora – quem era ele para dizer que eu não ganhava bem o suficiente para começar uma família? – mas fiquei quieta. O fato é que a grande maioria dos meus colegas concordaria; muitos esperaram o momento “certo”, após um determinado período de estabilidade conjugal e profissional, para ganhar o título de pai ou mãe. E nessa definição do momento “certo”, o dinheiro entrou como um dos primeiros critérios.

Não estou aqui para dizer que filhos não custam dinheiro. É evidente que custam! Até o meu cachorro quando entrou para a família há 2 anos e meio atrás aumentou de forma significativa os gastos mensais daqui de casa. Mas, e é um senhor “mas”, colocar na ponta do lápis os gastos que o casal supostamente terá depende muito das escolhas que essa família fará. Será que, para ter um bebê, você precisa:

  • Montar um quartinho de bebê como aqueles das revistas de decoração?
  • Contratar uma babá ou enfermeira para os primeiros 4 meses (enquanto está em licença maternidade)?
  • Ter 15 pares de sapatinhos, uma coleção de laços e frufrus, 6 conjuntinhos de linha com manta combinando e uma mala especial para lavar as roupas do bebê para a maternidade?
  • Comprar uma dúzia de aparelhos importados, como babá eletrônica com câmera de vídeo e acesso wireless, balanço com três níveis de vibração e 5 músicas pré-gravados, um móbile eletrônico com 6 opções de canção de ninar, além de meia dúzia de brinquedos barulhentos da Fischer-Price?

É óbvio que não! Certamente seu bebê não ligará para nada disso – e até se irritará com esses supérfluos – com exceção da babá, que, dependendo da família e do nível de participação do pai e outros familiares, pode ser muito bem vinda. Parece difícil acreditar, mas um bebê precisa mesmo é de amor e de atenção. O resto não passa de objetos que acreditamos serem essenciais – seja para facilitarem nossa vida (sendo que raramente o fazem, aposto eu) ou para compor o cenário que nossa fantasia criou como sinônimo de “maternidade/ paternidade”.

No entanto, uma coisa que um bebê definitivamente custa (e isso não muda muito à medida que cresce) é TEMPO. Na verdade, considerando o público-alvo da Folha de SP (a classe média), eu diria que é bem mais importante pensar na questão “quanto custa um filho” em termos de tempo do que de dinheiro. Porque o essencial mesmo para se ter um filho, em termos de custos financeiros, uma pessoa de classe média consegue bancar, com ou sem aperto. O berço pode ser comprado parcelado e os outros móveis do quartinho adaptados; uma avó pode servir de back-up, economizando na babá, ou pode-se contratar alguém para dar um apoio por 1 ou 2 dias da semana; o enxoval pode ser herdado de amigos e parentes (e muitas peças novas serão recebidas de presente); as fraldas costumam ser doadas por amigos e colegas de trabalho no chá de fralda; o plano de saúde da empresa (para assalariados) cobre as despesas com consultas e vacinas podem ser na rede pública.

Portanto, ao invés de falar em dinheiro, que tal falar sobre o tempo? (já que tempo é dinheiro mesmo, não é o que dizem?)

Filhos custam, além de dinheiro, TEMPO. É preciso gastar seu tempo para alimentá-los, acalentá-los, vesti-los, trocá-los, brincar e conversar com eles e, sobretudo, olhar e estar com eles. Fiquei chocada com a página da Pampers no Facebook onde se recomenda passar “pelo menos 15 minutos” com o filho depois de chegar em casa do trabalho. Como assim, 15 minutos?!

Vou encerrar com as palavras do sociólogo e escritor argentino Sergio Sinay, tiradas da excelente entrevista feita pela Isabel Clemente, da Mulher 7×7, do site da revista Época:

Não há qualidade sem quantidade. Em qualquer tarefa para alcançar qualidade é preciso tempo, compromisso, dedicação. O famoso “tempo de qualidade” de que falam muitos pais – e que inclusive tem o apoio de pediatras e psicólogos infantis – é uma desculpa para que os pais não se sintam culpados. Os pais são adultos e um adulto sabe que na vida não se pode tudo. Há que optar. Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado. O “tempo de qualidade” são cinco minutos nos quais os pais culpados dão tudo aos filhos para evitar o conflito. Isso faz muito mal aos filhos. Se não há tempo, não há qualidade. E se não há tempo para os filhos, é preciso pensar antes de se tornar pais. Depois é tarde.

Portanto, na hora que alguém levantar o assunto do “custo” de um filho, lembre-se de colocar na balança não só o dinheiro, mas, principalmente, o tempo que você tem à disposição. Aposto que, mesmo que ele nunca venha a te agradecer, seu filho será muito mais grato pelo tempo que passaram juntos do que com o dinheiro gasto com ele.

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