Cesariana: uma escolha consciente?

cicatriz cesariana

Tem mulher que quer parto normal. Outras escolhem a cesariana antes mesmo de engravidar. Eu defendo o direito de todas elas a optar pela via de parto desejada – afinal, o corpo é delas e não meu. Mas sempre que uma amiga ou colega de trabalho me fala que quer fazer cesárea, eu penso: será que essa mulher sabe mesmo o que é isso? Tenho plena consciência de que, para uma grande parcela da população brasileira, submeter-se a uma cirurgia abdominal para ter um bebê, muitas vezes fora de trabalho de parto, é perfeitamente “normal”. As cirurgias de maneira geral (e a cesariana em particular) se tornaram tão banais que hoje em dia são que nem tatuagem: difícil é conhecer alguém que não tenha feito uma. No entanto, apesar de grandes avanços na medicina e na farmacologia, as evidências são categóricas: a via abdominal está longe de ser a via mais segura para o parto. A cesárea é pior para a mãe – aumentando suas chances de infecção, hemorragia, trombose, complicações pós-parto e em gravidezes futuras e depressão pós-parto e diminuindo os índices de sucesso com a amamentação – e para o bebê, estando relacionada a dificuldades respiratórias, alergias, obesidade e prematuridade (esta última quando feita fora de trabalho de parto, o mais comum hoje em dia na era dos partos com data e hora marcadas). Isso não é novidade; as gestantes costumam ser informadas desses riscos, mesmo que sejam muito minimizados pelos médicos e até mesmo pela mídia. Então, por que tantas optam pela cesárea, sabendo dos riscos? [Olha, quero deixar claro que não estou falando sobre mulheres que acabaram fazendo cesáreas por necessidade – ou até mesmo as famosas “desnecesáreas” (assunto para um outro post)- e sim daquelas que afirmam preferir a via cirúrgica] Essa resposta merece uma tese de doutorado e não sou em quem vai escrevê-la (ainda, hehe). Mas eu chuto que uma das razões, mesmo que não seja a principal, é a ignorância. E digo isso com o maior carinho: ignorância não por falta de inteligência, mas por não saber como será o procedimento em si e, principalmente, por desconhecer as alternativas, como o parto vaginal com anestesia ou o parto natural humanizado. Este post, então, é sobre o procedimento. Porque não importa o que vão te dizer – “ah, o importante é que o bebê esteja bem” ou “hoje em dia ninguém mais faz parto normal” ou até “se fosse ruim não teria tanta médica escolhendo trazer seu filho ao mundo dessa forma” – o fato é: sua barriga não tem zíper! Para tirar o bebê “por cima”, você vai ter que passar por uma cirurgia abdominal de grande porte. Outro dia escrevo sobre as alternativas, o medo da dor, as cesáreas induzidas pelo médico e todo o resto. Hoje é só o básico: o que é, exatamente, uma cesariana e o que uma mulher pode esperar em termos de experiência? A cesárea requer um jejum de oito horas, com ingestão de líquidos proibida entre 6 e 3 horas antes. No caso de uma cesariana eletiva, você será internada geralmente 2-3 horas antes da hora marcada. Antes da cirurgia em si, é provável que, depois de ter seus pelos pubianos raspados, você receberá alguns medicamentos via oral, além de um soro na veia e uma sonda na uretra (para que você não faça xixi). Vestida com aquela camisolinha ridícula e só, você será transportada na maca até o centro cirúrgico, cujo ar condicionado estará a +/- 19 graus. A sala estará cheia de gente – seu GO, um assistente, o anestesista, o pediatra e uma enfermeira e uma instrumentadora, no mínimo – sendo que poucos rostos serão familiares. O anestesista injetará uma mistura de anestésicos na sua coluna cujo efeito é imediato – mais ou menos do peito para baixo, você perderá sensibilidade. É provável que seu acompanhante só entrará no centro cirúrgico depois de tudo isso. Ao deitar na mesa de cirurgia, é bem possível que seus braços sejam amarrados, em forma de cruz, para evitar que você se mexa. Confirmado que a anestesia funcionou, com seu acompanhante a seu lado, o campo cirúrgico é montado. Ou seja, você será coberta com panos azuis/verdes e a equipe erguerá um lençol logo abaixo do seu peito, para isolar o seu rosto do resto do seu corpo. O propósito é evitar contaminação, mas também tem uma função psicológica – para que nem você nem o seu parceiro vejam as cenas a seguir. Como isso é rotineiro para todos na equipe, é possível que esses dez minutos (aproximadamente) transcorram sem a menor cerimônia, ao som de conversas fiadas entre os membros da equipe sobre futebol, novela ou o que quer que seja. Entre o lado de fora e o seu filho, o cirurgião obstetra terá que passar por sete camadas de tecido – entre elas a sua pele, a camada de gordura, o músculo abdominal, os tecidos que protegem o músculo e os órgãos internos e, por fim, a parede do útero. Uns serão cortados e cauterizados imediatamente, outros (como o abdômen) serão separados manualmente com bastante força, para chegar até o útero. Depois de cortar o útero, o médico romperá a bolsa e tirará o bebê. Isso pode ser rápido ou complicado, dependendo da posição do neném. Você sentirá a pressão das mãos dos médicos mexendo dentro e fora do seu corpo, mas não sentirá dor. Todos vibrarão com a chegada do bebê- comentando sobre o filho que você ainda não viu. Se ele chorar imediatamente – o que não é garantido, mas nem por isso é motivo de espanto – você terá a sorte de pelo menos ouvir a sua chegada. Digo sorte porque, numa cesárea padrão, você não sentirá nem verá os primeiros segundos de vida de seu filho. Após entregar o bebê ao pediatra neonatal, a equipe continuará trabalhando em você para remover a placenta, conter o sangramento – podendo retirar o excesso com gaze ou com um aparelho de sucção – e depois costurar o que foi cortado. Nessa hora, é provável você sentir uma ansiedade enorme: seu filho nasceu, mas você não pode segurá-lo e nem vê-lo (já que ele está sendo aspirado, pesado, limpado). Nem seu marido estará com você, porque provavelmente terá ido acompanhar o filho, junto com a enfermeira e o pediatra. A enfermeira levará seu bebê embrulhadinho até você, para que você olhe para o rostinho dele e sinta seu cheirinho delicioso. Mas esse momento gostoso dura pouco, porque nessa hora, o bebê é levado para fora da sala para que sejam feitos os procedimentos de rotina, e você continua ali, sendo costurada. Essa parte da cirurgia costuma durar entre 10-30 minutos, dependendo da rapidez e da técnica do médico. Terminada essa etapa, você será levada até uma sala de recuperação onde ficará ligada a aparelhos, ainda recebendo soro na veia, por aproximadamente duas horas antes de subir para o quarto. Não tem como prever os seus sentimentos durante a espera – ficará tranquila, sabendo que o filho nasceu bem, ou nervosa por não estar com ele? E quanto aos sintomas físicos – terá alguma reação desagradável aos anestésicos (pressão baixa, coceira, dor de cabeça)? Impossível prever. Mas eu recomendo que leia o relato da AnneÉ de arrepiar. A pior parte, a recuperação ainda está por vir, mas vou parar por aqui. Não coloquei fotos porque sei que tem gente que desmaia ao ver sangue. E não quero isso. Ainda mais se você estiver grávida. Mas para quem não corre esse risco, sugiro dar uma espiada aqui. Porque, às vezes, uma imagem vale por mil palavras.

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35 Comentários

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35 Respostas para “Cesariana: uma escolha consciente?

  1. Querida prima, que post sensacional!!! Utilidade pública!!!
    Grande beijo

  2. Ana Fialho

    Eu acho que o direito que a mulher tem de agendar uma cesárea acaba onde começa o direito do bebê de estar pronto para nascer.
    Não respeito esse direito que passa por cima de outro.
    Adorei o blog, Clarissa, parabéns.
    Bjo

  3. Beatriz

    Nem sei até agora o que exatamente senti quando acabei de ler a respeito da cesariana, me senti meio desconfortável, me deu até uma náusea, juro que fiquei com muito medo dessa cesária. Já tenho uma idade avançada e pretendo ter um filho no ano que vem, agora nao sei bem se vou poder escolher entre um parto normal ou a bendita cesária.

    • Beatriz, a intenção não era assustar, mas simplesmente mostrar que a cesariana é uma cirurgia de médio porte, apesar de ser tratado como um tipo de “parto”. A idade avançada não é indicação de cesárea por si só – veja só o caso da Luciana Gimenez, que pariu o segundo filho as 41 anos, e a Carla Bruni que teve um parto natural (sem anestesia) aos 43 anos. Vou torcer para você correr atrás do seu parto normal – mas se não for essa sua preferência, tudo bem. Contanto que você saiba que a cesárea é uma cirurgia “de verdade”. Afinal, nossa barriga e útero não têm zíper, né? ;-) Abraço!

  4. Patrícia

    Sou defensora do parto normal, pq acho mais justo com a criança e considero uma oportunidade d conceder uma amostra do pouco q sou capaz pelo meu filho… Uma prova d amor na minha concepção!
    Mas passei pelas duas experiências:
    Meu primeiro filho foi normal. O tive em um hospital público e não conhecia a médica q fez o parto. Ele nasceu bem grandinho (4,300kg) e um homem teve q subir na minha barriga pra me ajudar na hora do nascimento. Meus pontos inflamaram, e como a localização não é d fácil acesso, foi uma complicação danada por vários dias… Sofri bastante, mas não me arrependo 1g. rs
    Só não tive minha segunda filha d parto normal também pq não teve jeito… Mas essa foi no hopsital particular e eu conhecia o médico, q é a favor d normal e esperou até o último dia da 42a semana. Só q não podia arriscar passar da hora, e nem eu queria isso obviamente… Chorei bastante, d frustração, qdo soube q não daria pra ser…
    A cesárea foi muito tranquila pra mim, e olha q ela ainda nasceu com 50g a mais q meu primeiro. rs
    Mas não senti absolutamente nada nem antes, durante ou depois.
    Foi muito mais fácil, todavia bem menos emocionante na mesma proporção…
    Não sei dizer se as circunstâncias influenciaram na minha experiência, mas se d normal eu teria 10 filhos, d cesárea eu tenho 50…rs
    Porém, repito: defendo o parto normal e o considero a nossa primeira e mais precoce prova d dedicação e amor!
    Estou grávida do terceiro e vou me comportar da mesma forma: esperar até q tudo aconteça naturalmente, e operar só no caso d haver necessidade por culpa d algum elemento complicador…rs
    Não posso me furtar d deixar claro, q a cesariana foi uma GRANDE evolução da medicina, que salva muitas vidas… Só q infelizmente, o também GRANDE problema, é q por ser imensamente e incomparavelmente mais fácil pra mulher, e mais rendosa e rápida pro médico, ela acabou se tornando banalizada e dela feito um tipo d comércio.
    Por isso defendo as mães conscientes: q só se submetem a esse procedimento em caso d necessidade e ponto.

  5. claudia

    Fico impressionada com o terrorismo psicológico que as defensoras do parto normal fazem sobre a cesária. Pelo amor de Deus! Até parece que o parto normal é sempre um mar de rosas e que absolutamente todas as mulheres adoram a experiencia; conheço várias que se arrependeram e não fariam de novo. Engraçado, isso ninguém conta, né! tenho certeza que se voce mostrar fotos de partos normais muita gente desiste também! Acredito na escolha consciente, não em infundir o medo em pessoas já fragilizadas emocionalmente, seja para qualquer dos lados.

    • Também sou contra o terrorismo psicológico, Claudia. Minha intenção foi oferecer fatos sobre o procedimento, sempre respeitando o direito à escolha da mulher. Sobre o parto normal não ser um mar de rosas, não conheço ninguém que ache que é – pelo contrário, toda grávida que diz que quer parto normal é bombardeada por relatos assustadores de partos normais violentos e/ou trágicos. A meu ver, o verdadeiro problema é toda uma geração de mulheres achando que é melhor ter uma cirurgia do que parir seus filhos como seriam capazes de fazer. O parto normal pode não ser fácil, mas é um rito de passagem importante, que não pode ser roubado das mulheres como anda acontecendo. Conheço mulheres – muitas, inclusive, que antes passaram por cesáreas – que afirmam que o parto normal foi algo transformador, prazeroso, único: uma experiência da qual não abririam mão. Quanto à questão do medo, minha intenção não é infundir o medo e sim informar. Sobretudo, a intenção do post foi abrir os olhos para uma realidade que nossa cultura tenta mascarar: de que a cesárea não é um parto (um ato natural e fisiológico) e sim uma cirurgia, com tudo o que isso implica, seja no nível médico ou no emocional/ psicológico. Espero que você não tenha se sentido agredida, pois não foi minha intenção. Eu já mostrei fotos de parto normal aqui no blog e estou criando uma conta no Pinterest para colocar outras. Abraço e volte sempre!

      • Não tem nada de terrorismo. Só um apanhado sobre como o procedimento é realizado. Se a pessoa não sente é porque está anestesiada e no pós com muitos remédios para aliviar a dor.

        Toda mulher que passou por um parto normal RESPEITOSO quer repetir a dose. O que chamamos de parto normal como é nos hospitais, o padrão realmente precisa ser MUITO mudado.

        O problema é a assistência, desrespeitosa e muitas vezes violenta.

        BjoS!

    • Thais Paiva

      As defensoras do parto normal raramente criticam a cesariana em si, e sim a falta de informação, as intervenções desnecessárias, os procedimentos feitos contra a vontade da gestante, as chantagens da equipe médica para agendar logo a cirurgia de forma que seja mais conveniente para eles. Isso sim é infundir medo, na minha opinião. Isso sim é terrorismo psicológico.
      Acho errado que considerem a cesariana como uma coisa tão rotineira que passa a ser padrão – pelo menos no Rio, onde moro, 90% dos partos na rede privada são por cesariana – assim como acho errado a banalização da cirurgia plástica (tratada hoje como se nem cirurgia fosse!) e diagnósticos muitas vezes irresponsáveis de disturbios mentais e de atenção. O que vejo são os interesses da classe médica e da indústria farmacêutica ganhando importância maior do que o bem estar dos pacientes – e das parturientes, que até segunda ordem, não são pacientes coisa nenhuma.
      Por fim, Claudia, discordo de você quando você diz que o post é terrorismo psicológico. Ele é uma descrição justa do que acontece na sala de parto (claro que cada parto é um parto, mas de todos os relatos que já ouvi, inclusive de profissionais da área, ele me parece bem preciso). Incluindo os papos sobre futebol.

    • vanessa

      Concordo plenamente com você Claudia, optei por ter minha primeira filha com parto normal, e o que aconteceu é que ele virou Anormal. Primeiro eu digo que sentia a dor da morte, segundo que a sala estava tensa com a mesma quantidade de médicos, enfermeiras e tudo mais, e a minha filha ali passando do tempo de nascer, o médico. coloca um ferro na minha vagina e puxa ela pela cabeça, isso sim parecia filme de terror. minha filha ficou com a cabeça toda marcada,deformada que só voltou ao normal 1 mes depois de muita oraçao. NÃO DESEJO A NINGUEM O QUE PASSEI. Depois perdi um bebe pois este se alojou nas trompas. Ganhei a minha segunda bebe a 3 dias. Não tive dúvida e optei por cesarea. Sei dos procedimentos cirurgicos, porem nao foi como dito no post. Meu marido assistiu ao parto, pegaram a nenem e fizeram os procedimentos e a partir dai eu fui para a tal sala que ela cita. POREM minha bebe veio comigo de onde nao nos separamos mais. Fiquei com ela no meu quarto ate a alta. Estou ótima. E feliz. Cada um sabe o que ja passou e o que decidir para sua vida.Fiquem com Deus.

      • Vanessa infelizmente vc foi muito muito mal assistida durante o seu parto. Os médicos e enfermeiros que te atenderam praticaram uma violência com você e sua filha por pura ignorância, má formação e desatualização. Sei que a essa altura do campeonato isso não muda sua história porém é importante te dizer isso para que vc saiba que você e milhares de mulheres são vítimas desse tipo de violência diariamente e ainda saem achando que o problema foi o parto normal. Pior de tudo é que as marcas que são deixadas são para sempre e somente muita informação dirigida à mulheres poderá mudar esse cenário. A culpa não é do parto e sim dos profissionais que não aprenderam como “fazer” e reproduzem um modelo ultrapassado, desatualizado e violento. Cabe a nós mulheres mudarmos nossa história e exigir respeito ao nosso corpo e nossa vontade.

  6. Incrível! Compartilhando agora! Realmente, utilidade pública!

    Para mim, o pior tipo de ignorante é aquele que é por opção. A informação tá aí, e o acesso a ela tb, pra quem quiser ler!

  7. Olha, eu acabei de passar por uma cesárea após 42 horas de bolsa rota e 30 horas de indução. Digo e repito: eu passaria por 10 trabalhos de parto com indução, mas nao passaria por outra cesárea se me fosse dada possibilidade de escolha.

    Isso aqui nao é terrorismo. É exatamente assim que acontece essa cirurgia, e isso que nao se falou no pós operatório, que é horrível. Você quer cuidar do seu filho e nao pode pois está cheia de limitações.

    Parabéns pelo post!

  8. Querida, esse post está maravilhoso! Você descreveu passo a passo a cesárea, e não omitiu nem exagerou em nada. Adoro seu blog, muito útil para as gestantes que REALMENTE querem se informar. Beijos

  9. Patrícia

    Confesso q eu também fico impressionada com certas colocações… rs
    Fico pasma qdo vejo mulheres q se escandalizam com o parto natural… Algo q era pra ser tratado da mesma forma, q infelizmente, é tratada a cesariana.
    Estranho deveria ser, ver se falar em “escolha” qdo se trata d parto…
    Certo seria, a cesárea ser um recurso pra lidar com o atípico, e não uma opção do paciente para evitar dor, ou ter mais conforto, ou seja lá o q fosse.
    Pior ainda é se ver falar em “consciente”, qdo se rejeita informação…
    Óbvio q a Clarissa enfatizou o lado da cesariana no post, uma vez q a proposta era justamente essa: informar a respeito do procedimento.
    E ela também têm posts informando, igualmente, sobre o parto normal.
    Terrorismo mesmo, é uma mãe “optar” por uma cesárea por qq outro motivo q não a necessidade dessa intervenção.
    Ou ainda: a mulher se privar d procurar conhecer as diferenças entre tais processos. Isso sim, pra mim, é terrorismo materno! Humpf

  10. Parto normal é para quem tem condições de ter parto normal. Eu não tive, chorei porque queria e vi que sofri à toa. Nem por isso meus filhos nasceram de hora marcada. Nas duas gestações, rompeu a bolsa, tive as primeiras contrações e fui para o hospital, nenhum dia antes ou depois do termo da gestação.
    O parto normal é ótimo, sim, mas também há riscos, especialmente se passa a hora do beber nascer, se ele estiver sentado ou for grande demais. E não dá para garantir que seria tudo rosa nos nossos maravilhosos hospitais públicos.
    Quanto aos riscos da cesárea, são os mesmos de qualquer cirurgia e não vejo ninguém empunhando bandeira contra o silicone no peito, a rinoplastia e a lipoaspiração, além das plásticas para tudo. Nosso país é o que mais faz cirurgia plástica no mundo. Não tem risco? Ou o risco da plástica é mais nobre do que o de trazer um filho ao mundo?
    Esse assunto é para ser discutido entre mãe e médico, que passa anos na faculdade de medicina e na residência para indicar o que é melhor para a paciente.
    Preconceitos e opiniões discriminatórias só fazem as pessoas sofrerem, como eu sofri, me sentindo menos mãe porque não tive condições de ter parto normal e não tive leite suficiente para alimentar meus filhos.
    Uma avaliação isenta dos vários tipos de parto e uma descrição pormenorizada ajudam muito mais a esclarecer a mãe que já está cheia de dúvidas nessa hora.
    Quanto à cesárea, meu pós operatório foi ótimo, com cuidados, mas indolor. Meus filhos nasceram saudáveis, sem complicações e superamos os três calmamente e sem traumas a cesárea.
    Beijos

    • Adriana, obrigada pelo relato. Eu só não acho que você “sofreu à toa” – o sofrimento é natural, um luto pelo processo que você queria viver e não viveu. Não se sinta mal por isso. Quanto ao risco da cirurgia plástica, acredite: eu também levanto essa bandeira, mas não aqui, porque o blog é um espaço para discutir temas relacionados à maternidade e não à beleza. Sobre ser menos mãe, eu não acredito que a maternidade seja medida em termos quantitativos (menos, mais etc). Mas se você se sentiu assim, encara como uma oportunidade para examinar expectativas, desejos e medos que vivem dentro de você e ocasionam esses sentimentos dolorosos. Toda a minha compaixão por você e parabéns pela franqueza do comentário. Beijo, Clarissa

    • Carol

      Cara Adriana, acredito q o que a Clarissa quis passar foi exatamente o que você não entendeu; como a maioria das mães “enganadas”. Os médicos passam anos na faculdade e depois escolhem a via mais fácil e rentável de exercer sua profissão. Para isso, esquecem o juramento feito e MENTEM descaradamente p suas clientes. “bebe grande, ou que pode passar da hora” não são justificativas p uma cirurgia eletiva. E acho de grande valia esse post totalmente realista sobre as condições q a mulher é submetida em uma cesária. Mas se fosse p escolher com essas informações; totalmente verídicas, será q muitas ainda optariam pela cesária??? qto ao parto normal não ser um mar de rosas…tudo depende do ponto de vista e das circunstancias de quem o teve. Eu tive um normal e um natural humanizado e não troco a experiencia, a vivencia e a sensação de vitória, por nada desse mundo!!! Assim como as defensoras do parto humanizado, as “cesaridas” sempre tentam se justificar e na maioria das vezes falando que foi tudo ótimo, perfeito, que não sentiu nada, etc…Mas só quem teve 1º uma cesária e depois um parto normal BEM ASSISTIDO pode falar o que é melhor. Parabens a Clarissa pela forma realista que retratou a cirurgia de extração fetal!

  11. Andresa Botelho

    Post lindo adorei, como a Mari disse utilidade publica. Parece que vi toda a situação do parto do meu segundo filho, foi tenso… confesso !! Prefiro pensar que foi necessario para o momento, mas fico feliz pq tive dois partos normais que compensaram este estress.

  12. Claudia

    Clarissa, obrigada pela resposta, mas considerando a agressividade gratuita de certos comentários resolvi responder. Em nenhum momento disse que a cesariana não e uma cirurgia, ou que essa experiência e tranqüila para todas as mulheres. Apenas acredito que se o objetivo e informação para que a mulher possa realizar uma escolha consciente, o relato deveria adotar um tom menos tendencioso, pois pelo texto parece que a realização da cesariana e sempre uma experiência péssima para todas as mães o que não e uma verdade absoluta. Do mesmo modo, algumas mulheres tem uma experiência maravilhosa com o parto normal, outras não. Para aquelas que me taxaram de ignorante por opção, porque rejeito a informação disponível, falo pela minha própria experiência pessoal, pois realizei uma laparotomia para tratamento de endometriose ( cicatriz semelhante, mesmo tipo de anestesia, mesma internação), e portanto tenho uma idéia bastante próxima do que e essa cirurgia e da recuperação. Sinceramente, não acho que seja esse bicho de sete cabeças não. Por fim, terrorismo e também adotar a postura de dona da verdade, pretendendo desqualificar o direito de escolha, inerente a toda mulher, sobre o que vai ser feito com seu próprio corpo.

  13. Rafaela

    Clarissa, ótimo post. Seu relato é super fiel. Sou médica e já participei de algumas cesáreas durante minha formação e acho que você descreveu o procedimento sem nenhum terrorismo. Acho que a epidemia de cesáreas eletivas passa sim pela ignorância, mas existe algo maior por trás. Sempre me assusto com as colegas médicas escolherem cesáreas eletivas. Acho uma loucura sem tamanho. Tenho uma filha de cinco meses que nasceu em casa, cercada de tudo de bom que só a casa da gente tem, bem pertinho da cama onde ela foi feita. E as minhas colegas acham que eu sou um ET. Cesárea eletiva é sim um bicho-de-sete-cabeças. Toda a literatura médica disponível mostra isso. Até a composição do colostro é prejudicada, faltam anticorpos no leite de quem não entrou em trabalho de parto. Mas a cultura obstétrica quer convencer as pessoas que cesárea é parto. Não é. Isso deixa a mim e ao meu marido tão revoltados, que decidimos não conversar mais sobre parto com nossos colegas. Pra evitar discussões. Quando algum colega médico vem conversar comigo sobre parto domiciliar, se não percebo um interesse genuíno, mudo de assunto com cara de paisagem

    • Obrigada, Rafaela. É tão bom ouvir isso de uma médica- estou até espantada em saber da sua profissão e opção pelo parto domiciliar! você deve ser uma em um milhão! Concordo totalmente que o problema vai mais fundo: tem a ver com todo um paradigma tecnocrático que permeia a sociedade – em especial a medicina, cujo fundamento é na ideia do corpo como máquina (e o da mulher, em especial, como uma máquina vulnerável, problemática por princípio). Mas o fato de existirem pessoas como você e o seu marido me enche de esperança! Você alegrou o meu dia – de verdade. Beijo grande, Clarissa

  14. Eu gostei muito da postagem. Informação é tudo minha gente. Eu passei a gestação inteira na tentativa de conseguir um obstétra que ‘aceitasse’ (olha isso!!!) fazer parto normal. Andei de G.O. em G.O. e quando um finalmente disse que faria, continuei com ele, que quando completei 39 semanas e 2 dias me orientou à escolher uma data para o parto pois ele estava com a agenda lotada e não ficaria à minha disposição. Foi incapaz de me indicar outro e caso eu não aceitasse que fosse para o hospital público pois lá eu teria o meu tão sonhado parto normal. Pois bem, eu sai do consultório e fui para o hospital público. Infelizmente tive o azar de pegar uma equipe totalmente despreparada para lidar com seres humanos. Sofri violência obstétrica de ‘cabo à rabo’ (entendam como quiser). Lógico que foi traumático, mas sei que o parto normal não é assim. Doeu, mas se eu tivesse recebido o mínimo de atenção, conforto, o meu companheiro do lado, com certeza o desenrolar a história teria sido muito mais feliz.

    Não me arrependo e morro de pavor de cirurgia. Sou cagona mesmo. Farei de tudo para ter outro parto normal, e agora com muito mais informações ninguém fará o que quiser comigo.

    Beijos, Beca Bricio (blog mulherquepariu.blogspot.com)

    • Beca, é inacreditável a peregrinação que muitas mulheres precisam fazer no Brasil para encontrar uma equipe disposta a fazer o que eles supostamente escolheram fazer como ganha pão: obstetrícia! Isso me revolta, e fico especialmente triste pelo seu caso, em que houve violência obstétrica. Ainda bem que você demonstra maturidade e lucidez ao entender que a culpa não é do parto normal e sim da assistência. Muitíssimo obrigada pelo relato, que será valioso para muitas mulheres, tenho certeza. Abraço carinhoso, Clarissa.
      ps. entrei no seu blog e vi que nos conhecemos (do Ishtar) :-)))

      • Clarissa, já te conheço pelo Ishtar a um tempão! Com o trauma que eu sofri no primeiro parto, eu teria alguns argumentos para uma possível mudança de planos para uma segunda gestação. Ora, fui torturada e mutilada tentando um parto normal e logicamente não quero vivenciar isso novamente. Então, uma cirurgia seria o caminho? Nããããão.

        O caminho que eu vou trilhar, caso engravide outra vez, é o do deixar a natureza agir. E lógico, me informar mais e mais. Buscar equipes que respeitem o processo natural do meu corpo e tomar as rédeas do meu parto.

        :)

  15. Renata

    Claudia, a diferença entre uma laparotomia e uma cesárea eletiva é apenas vida do bebê que está em jogo. Beijos, Renata.

  16. Cacá

    Clarissa, acredito que realmente não seja uma escolha consciente; pois as que escolheram acham um absurdo o que vc escreveu. Enfim, não enxergam que vc só descreveu a cena, o cenário inóspito do ambiente em que “escolheram” trazer seus filhos ao mundo. Não adianta mesmo, eu tbem já adotei a postura de mudar de assunto qdo falam em parto, pois é tanta asneira que escuto, tanta coisa que eu “sei” que é mentira, desculpa, ou mesmo mito e as pessoas insistem em repetir que eu só me estressava a toa. Acredito que a escolha é da mulher e que elas não querem ser menos mãe só por causa de terem optado por arrancar seus filhos de seu ventre por conveniencias própias e de seus médicos. Mas são essas mesmas que vão deixar seus filhos c babás o dia inteiro, acham que não tem nada demais não amamentar, enchem as cças de presentes diariamente, etc…etc..etc…Desculpe mas se acharam que vc pegou pesado eu pegaria bem mais pesado. Genteeee, comparar cesária c cirurgia de protese de silocone, abdomenoplastia, lipo, etc… aaaaaahhh tenha a santa paciencia!!!! É por essas e outras que o mundo tah como está. “Pra mudar o mundo é preciso 1º mudar a forma de nascer” e a mente de seres que só pensam no seu próprio umbigo e dos seres mimadinhos que põe no mundo! Ignorância é querer se convencer de que as EVIDENCIAS CIENTÍFICAS estão todas erradas. #sempacienciapraignorancia

  17. Desculpe mas se acharam que vc pegou pesado eu pegaria bem mais pesado. Genteeee, comparar cesária c cirurgia de protese de silocone, abdomenoplastia, lipo, etc… aaaaaahhh tenha a santa paciencia!!! ( 2 )

  18. Matilde

    Eu acredito que não houve agressão, muito menos terrorismo em seu post… Vc só descreveu com riqueza de detalhes como funciona o procedimento cirúrgico que grande maioria das mães Brasileiras escolheu ( ou foi induzida a escolher pelo próprio GO ) pra trazerem seus filhos ao mundo! Eu tive a ” chance ” de poder escolher, te digo que a dor das contrações é inenarrável, parece que tem alguém abrindo os ossos do quadril com as mãos… Mas, se eu engravidasse de novo, teria normal, sem sombra de dúvidas! Isso não me faz mais mãe do que quem escolhe a Cesariana, só me faz mais corajosa, mais guerreira, porque eu senti ( literalmente ) minha filha sair de mim… Isso não tem preço!

  19. Thaís Galvão

    Sei que não foi sua intenção assustar ou causar um terrorismo psicológico, mas falar do parto em si já é algo realmente assustador. Quando eu engravidei me senti tão completa, tão feliz, a única coisa que me assustou desde então foi o quesito “parto”, eu ainda estou de apenas 2 meses, mas já tô apavorada, eu já ouvi vários relatos de amigos, parentes, uns que abominam a cesariana, outros abominam o parto normal, caraca isso causa uma confusão na nossa cabeça sem tamanho, preferi não ir até o final da matéria pra me poupar do pânico, mas não posso negar que foi um bom post, pelo menos até a parte que eu li!

    • Thaís, parabéns pela gravidez! Não sei se você voltará aqui para ler o comentário, mas espero que sim. O medo do parto é normal e, eu diria, até esperado nesse nossa cultura. Eu sugiro que você fale para as pessoas, com delicadeza, que você não deseja ouvir histórias escabrosas sobre parto, mas que você agradece a preocupação. Sem essa influência de terceiros, talvez você consiga ouvir o seu coração e, assim, tome uma decisão. Se sentir necessidade e se for possível, frequente também um grupo de apoio ao parto da sua região. Lá você irá ouvir histórias boas e, além disso, se conectar com pessoas que estão no mesmo barco que você. Boa sorte, viu? Estou torcendo para que sua escolha, qualquer que seja a via de nascimento, seja feita a partir do desejo e não do medo. Abraço, Clarissa

  20. Fernanda

    O que você fez aqui não foi apenas informar, e sim colocar a informação em forma de terror.

    Pense melhor sobre a segunda parte do texto que escreveu. A Internet é um campo aberto, por isso mesmo devemos ter cuidado ao expor opinião ou informaçao sobre qualquer tipo de assunto que não concordamos.

    • Quem disse que não concordo com a cesariana? Acho uma cirurgia maravilhosa e salvadora! Só acho que as pessoas às vezes esquecem que ela envolve riscos e que não tem nada de glamourosa, como a mídia parece querer mostrar. Terrorismo é o que a maioria das pessoas, através da mídia e de conversas de salão de beleza, fazem com o parto normal que apesar de muito mais seguro, é constantemente vilanizado e temido.

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